Esta máquina de escrever usa GPT-3 para conversar com você

Processo levou cerca de dois anos para sair do papel; máquina de escrever consegue criar rap e sugerir cantadas através do papel

Ricardo Syozi
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Dando um toque ainda mais especial para uma máquina de escrever, o designer e engenheiro Arvind Sanjeev decidiu que adicionar inteligência artificial ao aparelho era o caminho certo. Com o nome de Ghostwriter, o objeto único consegue conversar com a pessoa que está datilografando. Assim, é possível escrever perguntas no papel para serem respondidas em seguida pelo dispositivo.

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A Ghostwriter (Imagem: Divulgação / Arvind Sanjeev)

A novidade não foi produzida para chegar às lojas, sendo planejada pelo autor como uma peça artística. De acordo com suas palavras em seu perfil do Twitter:

Eu queria criar uma intervenção consciente que permitisse que você tirasse um momento para respirar e refletir sobre a nova relação criativa que estamos formando com as máquinas. A interface meditativa calma de uma máquina de escrever vintage tira todas as distrações digitais e nos leva a uma jornada emocional através do papel e da tinta.

Cada palavra escrita pela máquina vem da tecnologia GPT-3, da OpenAI, que tenta reproduzir textos o mais próximo possível da língua humana. (Esse é o mesmo modelo de linguagem usado no ChatGPT.)

Ao demonstrar a Ghostwriter na prática, Arvind Sanjeev traz uma sensação de filme de terror mesclada com a curiosidade da tecnologia. Tudo isso por causa dos sons que surgem a cada letra adicionada ao papel.

O engenheiro conversa com a máquina, perguntando sobre ela e, até mesmo, pedindo para que ela crie um poema, algo que o objeto faz sem dificuldade. No entanto, por se tratar de uma máquina de escrever, ela leva um pouco mais de tempo do que se fosse em um computador.

Processo de criação começou em 2021

“A ideia para o projeto veio no início de 2021 e me inspirei no autor de ficção científica Rob Sloan”, comentou Arvind Sanjeev em sua rede social.

Primeiramente, o designer precisou escolher qual seria a peça ideal para a brincadeira. Ele acabou optando por uma AX-325 da marca Brother, uma máquina de escrever eletrônica dos anos 90. O motivo é que com ela seria possível usar o Anduino, um microcontrolador para ler os sinais do teclado. Contudo, essa foi a principal dificuldade técnica, como o autor destaca:

Passei muito tempo decodificando a matriz do teclado que consiste em 8 linhas de varredura e 8 de sinal.
Pressionei cada tecla, li suas linhas de varredura de sinal acionadas e mapeei para a tecla correspondente. Então defini um driver Arduino que poderia ler essas chaves e escrever para eles para a impressão.

Em seguida, o processo de limpeza e de troca de partes ocorreu. Logo depois, os testes começaram com a GPT-3 através de um Raspberry Pi.

Foi nesse momento que Arvind Sanjeev notou que precisaria conseguir controlar a criatividade (temperatura) e o tempo de resposta da Ghostwriter. Como resultado, ele adicionou dois botões giratórios entre uma pequenina OLED. Além de mostrar os níveis, a telinha ainda tem o sprite de um fantasma para dar aquele “tcham”.

Por fim, bastava definir a carcaça e o estilo do produto final.

Piadas, rap e cantadas

Com a intenção de mostrar as habilidades da máquina de escrever fantasmagórica, o autor decidiu realizar diversos pedidos para o aparelho.

Em uma delas, por exemplo, ele pediu para a IA contar uma piada: “O que um peixe disse ao acertar uma parede? Dam” (nesse caso, seria uma brincadeira com as palavras “damn” de maldição com “dam” de represa).

Na mesma folha, uma “cantada engraçada” foi a próxima a ser solicitada, que teve como resultado: “O seu nome é Google? Porque você tem tudo o que eu procuro”.

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Pedidos para a “Ghostwriter” (Imagem: Divulgação / Arvind Sanjeev)

Por último, o engenheiro pediu para a máquina de escrever criar um rap sobre inteligência artificial no estilo de Eminem. Para nenhuma surpresa, o dispositivo conseguiu realizar a tarefa em questão de segundos.

O que mais me chamou a atenção é o propósito de refletir e discutir sobre o relacionamento que os seres humanos têm com a tecnologia. E nesse propósito, acredito que o autor acertou em cheio.

Com informações: ARS Technica.

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