Empresa de “advogado por GPT” faz proposta de US$ 1 milhão para defender caso na Justiça

Mesmo com intenção de pegar casos pequenos como os de trânsito, companhia de IA acredita que poderá substituir advogados futuramente

Ricardo Syozi
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O primeiro caso judicial no qual um acusado fará uso de inteligência artificial para se defender ocorrerá em fevereiro. A empresa DoNotPay anunciou que a pessoa terá um par de AirPods nos ouvidos e dirá apenas o que a IA mandar durante o julgamento. Além disso, o fundador da companhia foi ao Twitter oferecer US$ 1 milhão para qualquer advogado ou indivíduo que quiser usar a tecnologia na frente de um tribunal.

Aplicativo do DoNotPay (Imagem: Divulgação / DoNotPay)
Aplicativo do DoNotPay (Imagem: Divulgação / DoNotPay)

Funcionando através do modelo Chat GPT, o aplicativo da DoNotPay serve como um “advogado robô”. Entretanto, não é o smartphone ou computador que fala diretamente com Juiz e Juri, mas ele define o que um advogado de verdade ou o acusado devem falar durante o processo.

Primeiramente, a inteligência artificial escuta todo o discurso na corte. Em seguida, o robozinho escolherá as palavras e as dirá para a pessoa repeti-las. Normalmente, isso não seria permitido em diversos países, mas parece que a companhia encontrou uma brecha para arriscar.

Sendo assim, em fevereiro de 2023, vai acontecer o primeiro caso (até onde sabemos) de um processo inteiro defendido por uma IA. A DoNotPay tentou esconder ao máximo mais informações sobre o assunto. Porém, a situação envolve uma multa por excesso de velocidade.

A marca considera este um importante teste para seu produto. Se prontificando a pagar qualquer multa que possa surgir ao fim do imbróglio.

Ademais, o CEO Joshua Browder foi ao Twitter enfrentar os que ele chama de “haters” por duvidarem do projeto. Como resultado, ele ofereceu US$ 1 milhão para um profissional ou pessoa usarem o “advogado por GPT” em um caso vindouro em frente à Suprema Corte dos Estados Unidos.

Programa ainda não é para casos grandes

O CEO afirmou que levou bastante tempo para treinar a IA em casos diversos e vastos para ela se tornar útil. Ele diz que, atualmente, o robô domina vários tópicos como imigração e trânsito. A companhia ainda garante que já auxiliou em cerca de 3 milhões de casos nos Estados Unidos e Reino Unido.

Um dos maiores desafios foi a de preparar a inteligência artificial para não dizer qualquer coisa, mas sim se focar nos fatos de cada processo. Ou seja, nada de manipular histórias ou ser agressiva demais.

Joshua acredita que o foco de seu robozinho é o de casos menores:

É tudo uma questão de linguagem, e é isso que os advogados cobram centenas ou milhares de dólares por hora para fazer. Ainda há muitos bons advogados por aí que podem estar discutindo no Tribunal Europeu de Direitos Humanos, mas muitos advogados estão apenas cobrando muito dinheiro para copiar e colar documentos e acho que eles definitivamente serão substituídos, e eles devem ser substituídos.

Joshua Browder (Imagem: Reprodução / Internet)
Joshua Browder (Imagem: Reprodução / Internet)

Companhia não é formada por advogados

O mais curioso disso tudo é que a empresa não tem a advocacia como sua área. Na verdade, ela surgiu como um chatbot que oferecia conselhos legais para consumidores, sempre se baseando em templates de conversações.

Mesmo assim, o site da DoNotPay tem como principal slogan a frase: “O primeiro advogado robô do mundo”. Enquanto que logo nas linhas finas da página há os dizeres: “DoNotPay não é uma firma de advocacia”. Vale apontar que o próprio CEO Joshua Browder não é um advogado ou tem sequer diplomas, ou certificações de direito.

Pensando nisso, fica difícil colocar todas as suas fichas em um caso comandado por uma IA, a qual o fundador da marca acredita que um dia o software vai substituir alguns advogados.

Com informações: New Scientist.

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