China pode impedir ByteDance de vender algoritmo do TikTok

Legislação da China exige que exportação de tecnologia tenha autorização do governo. Em possível venda do TikTok, governo poderia vetar repasse do algoritmo.

Felipe Freitas
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TikTok
TikTok pode ser banido nos EUA se não for vendido, mas algoritmo pode ser excluído de uma possível venda (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O TikTok pode ser banido nos EUA a menos que seja vendido a uma empresa não-chinesa, conforme lei recente sancionada pelo presidente Joe Biden.
  • O governo chinês pode proibir a inclusão do algoritmo de recomendação do TikTok na venda, elemento considerado essencial para o funcionamento e atratividade da plataforma.
  • Caso o algoritmo não seja parte do negócio, o comprador só teria acesso à marca, conteúdos e base de usuários, mas perderia a principal ferramenta que mantém os usuários engajados.
  • A perda do mercado americano teria um grande impacto financeiro na ByteDance, empresa mãe do TikTok, que vê os EUA como seu principal mercado.

O TikTok corre o risco de ser banido dos Estados Unidos caso seu controle não passe para uma empresa não-chinesa. É o que determina a lei sancionada pelo presidente Joe Biden na última quarta-feira (dia 25/04). No entanto, a situação pode ser mais delicada do que parece, já que a legislação da China prevê que o regime de Pequim dê a palavra final sobre a entrega de algoritmos a terceiros.

Em 2020, quando os Estados Unidos tentaram banir a rede social pela primeira vez, o governo da China vetou a venda de alguns elementos do TikTok, alegando que havia exportação de produtos sensíveis. Caso uma empresa americana novamente se interesse pela rede social, o governo chinês pode impedir que o algoritmo seja incluído na negociação.

E sem o algoritmo, basicamente não há interesse pelo TikTok. É difícil encontrar uma pessoa que não elogie a precisão da recomendação de conteúdo da plataforma. Em algumas horas ou dias de uso, o TikTok vai entregar o que você gosta (ou o que você nem sabia que gostava).

Como descobrir novos desafios no TikTok (Imagem: Aaron Weiss/Unsplash)
Recomendações precisas do TikTok são o principal atrativo da rede (Imagem: Aaron Weiss/Unsplash)

O pacote do TikTok

Redes sociais dependem de anúncios para serem lucrativas, e anunciantes precisam que suas propagandas sejam visualizadas em massa. Assim, um algoritmo de recomendação que faz o usuário passar horas na plataforma é a principal engrenagem de uma rede social.

Se o governo chinês vetar a venda do algoritmo do TikTok, o comprador poderia levar apenas a marca, conteúdos e base de usuários. Seria como dar para uma criança um combo de McLanche Feliz e tirar o brinde (o brinquedinho é o que ela mais quer).

No entanto, acadêmicos e especialistas em relações exteriores entrevistados pelo jornal New York Times afirmam que a China deve impedir a venda de toda a operação do TikTok nos Estados Unidos. Não seria por interesse em espionagem (os EUA dizem que a plataforma é usada também para isso), mas por dinheiro.

Ícone do Reels do Instagram com notas musicais ao fundo
Reels e Shorts, rivais do TikTok no Instagram e YouTube, respectivamente, podem se favorecer do banimento e até da venda (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Capitalismo em ação

Por mais que TikTok seja uma grande rede social, presente em praticamente em todo o mundo, perder o mercado dos Estados Unidos afetaria profundamente as finanças da ByteDance, já que se trata de seu principal mercado. O capitalismo chinês entraria em ação para evitar o negócio, assim como os EUA se mexeram quando a Samsung pediu o banimento das vendas do iPhone 4S.

Se o TikTok sem algoritmo passasse a ser utilizado nos EUA, os concorrentes poderiam ser favorecidos, de acordo com o pesquisador Alex Capri, da Universidade Nacional de Negócios de Singapura. Afinal, haveria alto risco das recomendações ficarem piores. Esse cenário seria um problema para a ByteDance, já que suas rivais pegariam seus velhos usuários e, por tabela, sua antiga receita. Capri diz que isso afetaria os planos globais da empresa.

Com informações: New York Times (1 e 2), CNBC e CNN

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