Não vamos reduzir o preço do celular no Brasil, diz chefe da indústria

Exclusivo • Impostos representam 37,5% do preço de um smartphone, segundo levantamento do IBPT. Presidente da Abinee menciona margens de lucro apertadas.

Thássius Veloso
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• Atualizado há 2 semanas
Celular ao lado de leão
Impostos representam 37,5% do preço de um smartphone (Ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A indústria de celulares não reduzirá os preços devido a margens de lucro apertadas e alta carga tributária no Brasil.
  • O presidente da Abinee, Humberto Barbato, defendeu a concorrência leal e a manutenção do imposto de importação para proteger a produção local.
  • Barbato criticou a alta carga tributária do Brasil em entrevista exclusiva ao Tecnoblog. Por volta de 37,5% do valor de um smartphone são impostos, segundo o IBPT.
  • O mercado formal de smartphones teve aumento de faturamento de 3% no primeiro trimestre de 2024, apesar da queda de 2% nas vendas.

A indústria de celulares não vai reduzir os preços cobrados dos consumidores, de acordo com o principal dirigente do setor. Ele disse em entrevista exclusiva ao Tecnoblog que as margens de lucro atuais “são muito apertadas” e que “não há abuso” nos valores praticados.

Humberto Barbato é presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), que tem entre seus associados empresas do porte de Apple, Motorola, Samsung e DL, a distribuidora oficial da Xiaomi no país.

Retrato de homem sorrindo
Humberto Barbato é presidente da Abinee (Foto: Divulgação/Abinee)

Barbato teve esta reação quando eu o perguntei sobre a luta da indústria contra os celulares piratas, que já representam cerca de 25% do mercado. Eles entram no território nacional de forma clandestina, não recolhem impostos e também não oferecem suporte técnico.

Sempre que publicamos sobre o tema, leitores respondem em tom crítico que os smartphones custam muito caro no país. Caberia uma autocrítica? “Negativo”, nas palavras dele.

O motivo para a negativa

O presidente da Abinee nos disse que a indústria gostaria de vender mais barato, mas que “lamentavelmente, a carga tributária no Brasil é absurda“. Ele aponta que a diferença de preço do produto oficial para o ofertado no mercado paralelo corresponde aos tributos.

O governo – em suas mais variadas formas – abocanha 37,5% do valor final de um smartphone de ponta, de acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). E nisso, estamos falando apenas da carga tributária direta, pois a indireta faria a bocada subir para 68,8%.

Imposto de importação deve continuar, afirma Barbato

Barbato cobra uma “concorrência leal”. Ele explica que a indústria brasileira não se opõe à importação de eletrônicos, desde que seja feita de forma honesta. “Ninguém produziria aqui se o imposto de importação fosse retirado, pois não faria sentido para as empresas”, complementa.

O principal foco do empresário é o chamado Custo Brasil. Ele afirma que muitas fabricantes “passariam a ser importadores” porque este formato de trabalho seria mais fácil do que encarar a realidade de operar no Brasil.

Mercado volta a faturar

Existem duas maneiras de ler o mercado formal de smartphones. De acordo com a Abinee, o faturamento cresceu 3% no primeiro trimestre de 2024 frente ao mesmo período do ano passado. Isso se deve ao “reajuste de preços”. Já o total de vendas caiu 2% (de 9 milhões para 8,8 milhões).

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Anatel detalha plano de conformidade para venda de celulares (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)

Representantes da indústria buscam há anos formas de sensibilizar as autoridades. Na última sexta-feira (dia 21/06), a Anatel anunciou novas regras de combate à ilegalidade. O principal alvo são market places como Amazon e Mercado Livre, onde os celulares piratas são comercializados livremente. As plataformas estarão sujeitas a multas diárias de até R$ 6 milhões. O presidente da agência, Carlos Baigorri, alertou que poderia ocorrer o bloqueio total dos sites – uma “medida extrema” caso não colaborassem. A Amazon se disse “surpresa” com o plano de conformidade.

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