Starlink já é o maior provedor de internet por satélite do Brasil

Dados da Anatel mostram que Starlink já domina 42,5% do mercado de internet via satélite no Brasil, superando a Hughesnet

Emerson Alecrim
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• Atualizado há 3 semanas
Antena Starlink Mini ao lado de um cachorro pequeno
Starlink Mini tem tamanho próximo ao de um laptop (Imagem: Divulgação / SpaceX)

Dados divulgados pela Anatel neste início de julho mostram que a Starlink já é a maior operadora de internet por satélite no Brasil. A empresa fechou o mês de maio de 2024 com 200 mil acessos (ou clientes). A Hughesnet aparece na segunda posição com 179 mil acessos.

O feito é notável porque a Starlink registrou 162 mil acessos no Brasil em abril. Houve uma alta de 38 mil acessos no período de um mês, portanto.

Já a Hughesnet experimentou um pequeno encolhimento: seus acessos caíram de 180 mil para 179 mil no mesmo comparativo de tempo.

Se a comparação for feita ano a ano, o avanço da Starlink é ainda mais impressionante. Em 2023, o serviço registrou 57 mil acessos no Brasil. Já a Hughesnet obteve 195 mil acessos no mesmo período.

Esse cenário deixa evidente que, enquanto a Starlink cresce, os serviços rivais encolhem, como a tabela a seguir reforça:

PosiçãoEmpresaAcessos em 05/2024Acessos em 05/2023
1Starlink200.32057.605
2Hughesnet179.462195.201
3ViaSat26.45632.334
4Telebras20.78426.894
5Claro19.57220.588

O ranking baseado em maio de 2024 mostra que a Starlink detém 42,5% do mercado de acesso à internet por satélite, enquanto a Hughesnet fica com 38,1%. No mesmo período de 2023, a Starlink tinha 15,8% de participação, enquanto a Hughesnet liderava com 53,6%

Provavelmente, a explicação para tamanha diferença é tecnológica. Operada pela SpaceX, empresa do setor aeroespacial controlada por Elon Musk, a Starlink usa uma rede com centenas de satélites de órbita baixa para disponibilizar acesso à internet em várias partes do mundo. Já os serviços rivais atuam com poucos satélites.

A abordagem de rede ampla de satélites permite que a Starlink ofereça larguras de banda frequentemente mais elevadas que as disponíveis nos serviços rivais. A Starlink também se destaca por oferecer latências menores, tipicamente abaixo de 40 ms (mas pode haver variações para mais).

No Brasil, os planos da Starlink de uso residencial começam em R$ 184 por mês, mais o valor de contratação do kit com antena e receptor, atualmente no valor de R$ 2.000 (sem considerar descontos ou promoções).

Antena Starlink de segunda geração (imagem: divulgação/SpaceX)
Antena Starlink de segunda geração (imagem: divulgação/SpaceX)

Banda larga via satélite tem 0,9% de participação

Serviços de internet via satélite visam atender a áreas rurais, localidades afastadas de grandes centros urbanos ou regiões que têm cobertura deficiente de acesso móvel ou via cabo. Isso explica o fato de apenas 0,9% das conexões banda larga no Brasil serem baseadas em satélite.

Novamente considerando o mês de maio de 2024, a distribuição de tecnologias de banda larga fixa no país ficou assim, de acordo com a Anatel:

  • Fibra óptica: 75,5%
  • Cabo coaxial: 17,4%
  • Rádio: 3,5%
  • Cabo metálico: 2,6%
  • Satélite: 0,9%

O Brasil registrou 471 mil acessos na modalidade de satélites em maio. A região dominante é Minas Gerais, com 70 mil acessos. São Paulo aparece em segundo lugar com 51 mil acessos, enquanto o Pará fica em terceiro com 40 mil.

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