6 jogos de Atari que inspiram outros games até hoje

Onde foi que já vi isso? Sim, alguns games atuais se inspiram em mecânicas dos jogos de Atari até hoje

Vivi Werneck
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O saudoso Atari 2600, que chegou ao Brasil entre as décadas de 70 e 80, foi a casa de muitos games apreciados até hoje (mesmo que de formas diferentes). Isso porque alguns conceitos e mecânicas dos jogos de Atari ainda podem ser vistos em títulos lançados até muito tempo depois da aposentadoria deste videogame. A seguir, você confere o nome do jogo original e o estilo de gameplay que inspirou outros games.

Atari 2600 (Imagem: Divulgação/Atari)

1. Pitfall (1982)

Um dos ícones da era Atari, Pitfall foi o prelúdio dos jogos de ação e aventura com plataforma, que são tão populares até hoje. Jogado em visão lateral, você controla um aventureiro que precisava desbravar uma selva e desviar de cobras, escorpiões escondidos em subterrâneos, além de se sacudir num cipó por sobre jacarés, etc.

O jogo certamente serviu de inspiração para vários outros títulos de plataforma que traziam diversas interações com o ambiente. Desde se agarrar em paredes ou cordas e até mesmo atravessar por caminhos secretos no mesmo cenário. Tudo isso enquanto se tenta desviar ou atacar inimigos. Mario Bros e Sonic podem ser citados como games que se inspiraram nessa ideia, mas deram sua própria cara ao conceito.

Curiosidade: em 1994, Pitfall: The Mayan Adventure chegou ao Mega Drive e pode ser considerado como uma boa homenagem ao jogo original do Atari. A diferença é que ele elevou bastante o grau de exploração e diversão do primeiro game. Foi um dos melhores jogos que testei na época desse console. No jogo, você é Pitfall Harry Junior e sua missão é desbravar uma floresta da América Central para resgatar o seu pai, o protagonista do primeiro Pitfall.

Pitfall (Imagem: Reprodução/YouTube)

2. River Raid (1982)

Outro imortal da era do Atari 2600, River Raid (ou “aquele jogo de navinha”, para os íntimos) era um viciante jogo de ação também de visão lateral. A diferença é que agora o game se movia verticalmente e meio que se tinha a impressão de estar olhando por cima do cenário. 

A concepção da movimentação do game já era explorada em outros títulos da época e consistia em manter um objeto central em controle do jogador (neste caso, o avião), enquanto o restante do cenário “rolava” por baixo deste personagem/objeto. Tanto que era até normal os cenários se repetirem, alterando somente entre dia e noite, condições climáticas ou disposição de elementos para interagir.

River Raid foi um dos jogos de maior sucesso do Atari 2600 e certamente inspirou centenas de space shooters que vieram depois. Com o passar dos anos, as mecânicas deste clássico foram largamente aprimoradas, permitindo que as naves se movessem livremente pelos cenários, mundos diferentes, maior variedade de inimigos, a adição da mecânica de bullet hell (para aumentar o desafio) e mais.

Dica: inclusive, se estiver atrás de um space shooter divertidíssimo e bem desafiante, dê uma olhada em Ikaruga (PS4, Xbox 360, PC, Nintendo Switch).

River Raid (Imagem: Reprodução/YouTube)

3. Space Invaders (1978)

Com toda a certeza, um dos jogos mais conhecidos de todos os tempos. Você nem precisa ser um ávido jogador de videogame para reconhecer o formato de um dos alienígenas pixelados deste título e já associar a imagem ao mundo dos games.

O conceito do game é simples e divertido: no controle de um tanque de guerra (ou algo do tipo), você precisa atirar nos aliens que tentam pousar na Terra. Ninguém sabe até hoje se eles vinham em paz ou não, mas enfim… O mais maravilhoso, e angustiante, era o som que eles faziam (cada vez mais rápido) conforme se aproximavam do solo.

Além do sucesso que fez no Atari 2600, era comum encontrá-lo em máquinas de arcade também. Assim como Asteroids (também deste console), Space Invaders serviu de inspiração para as centenas de títulos que traziam a temática de humanos versus seres de outras galáxias. 

O jogo também popularizou a mecânica de cobertura para se proteger, que com certeza você conhece e já usou muito. Havia algumas barreiras no cenário para se proteger dos tiros dos alienígenas. Elas eram destruídas com o tempo, mas já te ajudava a durar um pouco mais na batalha.

Space Invaders (Imagem: Reprodução/YouTube)

4. Enduro (1983)

Este foi, muito provavelmente, o primeiro jogo de corrida que o pessoal mais old school pôs as mãos na vida. Assim como em River Raid, em Enduro, o cenário também era o que rolava verticalmente diante dos olhos do jogador, enquanto este apenas movia o carrinho para os lados para ultrapassar os oponentes.

E o gameplay se resumia a isso: ultrapassar os outros carros e evitar bater neles, já que isso te desacelerava um pouco. O mais interessante desse game foi como os desenvolvedores implementaram a sensação de desafio. Quando anoitecia, só era possível ver os faróis dos adversários quando já estavam próximos, o que dificultava bastante desviar. Quem jogou na época sabe a tensão que era passar dessa parte.

A lista de jogos de corrida que usam essa mecânica de “cenário que anda e você mexe para os lados” é extensa e tem, por exemplo, clássicos como Top Gear, Out Run e Pole Position. Mais recentemente, o Horizon Chase também trouxe essa pegada mais nostálgica de gameplay (com suas devidas adaptações e melhorias, é claro). 

Enduro (Imagem: Reprodução/YouTube)

5. Frogger (1981)

O sapinho destemido (e sem total amor à vida) mais conhecido dos jogos também serviu como referência para outros games, ao longo dos anos. Frogger é um jogo de plataforma onde o pequeno anfíbio precisa atravessar primeiro uma estrada com trânsito intenso e, depois, um lago para chegar em segurança no outro lado do cenário. 

É aquela máxima da piada da galinha que atravessou a rua para chegar do outro lado. O detalhe é que, mesmo sendo um sapo, você morria se caísse na água. A mecânica de ter que atravessar obstáculos, sem poder lutar, apenas se desviando já foi muito diluída em vários títulos de plataforma.

Mais recentemente, lembro-me que em I Am Fish (jogo que quase me fez quebrar um controle de tanta raiva) numa das fases iniciais, controlando o peixinho dourado dentro de um aquário em formato de bola, você precisava justamente atravessar por uma rua cheia de carros até o mar. Sem a ajuda da visão de cima, como em Frogger, essa experiência foi um tanto estressante.

Frogger (Imagem: Reprodução/YouTube)

6. Breakout (1976)

Você sabia que o Breakout foi desenvolvido para ser uma espécie de single player de Pong (o famoso jogo de tênis do Atari)? A concepção deste jogo é simples: no controle de uma barrinha, você deve ricochetear uma bola (ou deveria ser, mas era um pequeno quadrado) até quebrar todos os tijolinhos no lado oposto do cenário. O desafio é usar a física a seu favor e aprender onde lançar a bolinha (em forma pixel) para ter o tempo certo de recuperá-la.

É até bem fácil encontrar algum jogo, hoje em dia, que se inspire na mecânica de Breakout. Por ser simples e viciante, você pode encontrá-lo principalmente entre games mobile — por exemplo. E assim, como os demais jogos desta lista, este título também ganhou novas versões ao longo dos anos. 

Particularmente, lembro-me de uma versão em que havia alguns boosts e armadilhas temporárias, escondidas em alguns dos tijolinhos. Entre eles tinham itens que aumentavam o tamanho da barrinha, te davam mais de uma bolinha (como em jogos de pinball) e desaceleravam a velocidade do ricochete, por exemplo. Outros, para te atrapalhar um pouco, reduziam o tamanho da barrinha e tornavam a bolinha ainda mais rápida. 

Breakout (Imagem: Reprodução/YouTube)

Mais jogos incríveis do Atari 2600 que marcaram época

Há vários outros títulos que ou nasceram no Atari 2600, ou que passaram por este console, que serviram de referência para centenas de outros games ao longo das décadas. Só para citar mais alguns temos, por exemplo, Pac-Man e Tetris, que falam por si só. Ambos já foram exaustivamente usados como inspiração para quase tudo no entretenimento: desde jogos a desenhos animados. 

É interessante perceber como os games mais complexos de hoje em dia podem ter raízes bem simples, mas que foram muito efetivas em sua época — mesmo com todas as restrições tecnológicas. Isso prova que ter “bons gráficos” é legal sim, mas não a parte mais importante. Mais do que isso, o jogo precisa ter um ótimo game design, ou seja, ser divertido!

E aí, curtiu o artigo? Tem mais exemplos de jogos de Atari que servem de inspiração para outros games até hoje? Compartilha com a gente nos comentários!

Vivi Werneck

Editora-Assistente

Vivi Werneck é especialista em games e trabalha no mundo tech há 15 anos. Em 2018, recebeu o Prêmio Comunique-se como melhor jornalista de tecnologia. Já escreveu para revistas de games pioneiras no Brasil, como EDGE, PlayStation Brasil e EGW. Também é veterana em eventos de jogos, como a BGS e E3 (inclusive, presencialmente). Hoje, ela é editora-assistente no Tecnoblog, editora no Meio Bit e apresenta o Hit Kill.

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