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A internet 5G pode interferir em aviões?

Será que a nova tecnologia atrapalha os instrumentos de navegação? Saiba se a internet 5G pode interferir em aviões

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Frequências próximas fazem disparar o alerta sobre possíveis problemas nas interferências dos aparelhos. Descubra se a internet 5G pode interferir em aviões e potencialmente causar problemas ou acidentes. Apesar de já termos uma base hipotética sobre a interferência, o nível está sendo estudado por especialistas.

A internet 5G pode interferir em aviões? (Imagem: Markus Winkler/Unsplash)
A internet 5G pode interferir em aviões? (Imagem: Markus Winkler/Unsplash)

Assunto recorrente

Por diversas vezes, as novas tecnologias criaram algum tipo de interferência em outras mais antigas. Quando a tecnologia de telefonia móvel digital foi introduzida pela primeira vez no mercado, mais precisamente nos EUA, cadeiras de rodas elétricas começaram a se comportar de forma irregular. O sinal pulsante interferiu com seus controles. A solução foi blindagem simples para interromper a interferência.

Podemos citar problemas diretos entre vida ou morte, como os marca-passos. Outra vez, no início da era do telefone digital, essa ferramenta começou a funcionar mal quando atingida por um sinal de telefone celular.

A solução de curto prazo foi dos médicos dizerem aos pacientes com marca-passo que não carregassem o telefone no bolso da camisa. A longo prazo, a blindagem de sinal resolveu o problema.

Sinal de celular X Altímetro

Um dos principais instrumentos da aviação civil. O altímetro é responsável por toda a capacidade de precisão no momento do pouso. O instrumento — mais especificamente o radioaltímetro — opera por meio de ondas de rádio, na frequência da banda C, a mesma onde o espectro do 5G irá operar. Essa situação é suficiente para, pelo menos, disparar um alerta.

A discussão voltou à tona quando a Federal Aviation Administration (FAA) se opôs à autorização da Federal Communications Commission (FCC) para usar ondas de rádio recém abertas para redes 5G. A preocupação deles é que os sinais 5G poderiam interferir com os altímetros de rádio usados em pousos automatizados e manuais das aeronaves.

Seria uma grande dificuldade aterrissar sem o altímetro (Imagem: Pascal Meier/Unsplash)
Seria uma grande dificuldade aterrissar sem o altímetro (Imagem: Pascal Meier/Unsplash)

Por que é importante?

À medida que essas tecnologias evoluem, as premissas que organizam o ambiente baseado em espectro também mudam. O que era um design de produto adequado na era anterior — como cadeiras de rodas, marca-passos e aparelhos auditivos — pode precisar de um redesenho, o mesmo acontece com os altímetros.

Nem o fabricante do dispositivo ou os usuários do espectro são culpados. Os fabricantes se adaptam às realidades existentes quando o produto é projetado. Os novos usuários do espectro estão construindo um novo mundo sem qualquer intenção de causar danos.

A dificuldade técnica

O espectro usado por sistemas de navegação aeronáuticos, bem como os chamados banda C sem fio são alocados internacionalmente. No gráfico do espectro, a alocação de frequência aeronáutica é executada entre 4,2 e 4,4 gigahertz (GHz).

Um dos principais usos para a aviação é a transmissão de informações para altímetros de aeronaves, especialmente quando operam abaixo de 2.500 pés, para facilitar pousos assistidos por computador. Ao lado dessa frequência, está o espectro da banda C usado para o 5G. Nos EUA, em especial, o uso da banda C é autorizado entre 3,7 e 3,98 GHz.

A possibilidade de problema foi identificada especificamente nos EUA, a frequência no Brasil era mais utilizada por transmissões analógicas e digitais de televisão via satélite, a solução foi a migração já planejada para a banda Ku.

Apesar disso, o problema de interferência ainda é uma possibilidade e sua real capacidade de atrapalhar os altímetros está sendo estudada, o que mais chama a atenção é o fato não ter sido “notado” anteriormente pelo governo dos EUA.

A FAA fala sobre a “possibilidade” de interferência. Claramente, a segurança do tráfego aéreo requer excluir até mesmo o “potencial” ou “possibilidade” de problemas. Ainda assim, é preciso ter clareza para separar o que é apenas possibilidade hipotética com base nas suposições do pior caso ou o que é altamente provável com base no uso real.

É um assunto mais complexo do que se imagina, mas o problema está especificamente localizado nos EUA. A possibilidade existe sim, a internet 5G pode interferir em aviões, assim como em qualquer outro dispositivo que utilize frequências para comunicações.

Com informação: Reuters, BBC, Techmonitor, Brookings.