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O que é staking em criptomoedas?

Entenda como funciona e o que é o staking em criptomoedas, a opção de investimento de renda passiva do universo das finanças descentralizadas

Bruno Ignacio
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Para se investir em criptomoedas, geralmente pensamos na mineração ou na compra e venda de ativos digitais. No entanto, existe ainda outra forma de fazer isso. O chamado staking no universo de moedas digitais é uma alternativa para fazer seus criptoativos renderem ao longo do tempo. Além disso, é mais uma ferramenta econômica para se proteger da inflação e da desvalorização cambial.

O que é staking em criptomoedas
O que é staking em criptomoedas (Imagem: Vitor Pádua/ Tecnoblog)

O que é staking no universo das criptomoedas?

Tecnicamente falando, staking está relacionado ao modelo “proof-of-stake” em redes blockchain. É a maneira como muitas criptomoedas verificam suas transações e permite que os investidores ganhem recompensas por suas participações. Por isso, somente moedas digitais que utilizam esse modelo podem ser usadas para essa finalidade. Alguns exemplos são o ether (ETH), Cardano (ADA) e Solana (SOL).

Diferentemente da mineração de ativos digitais, que envolve doar o poder de processamento de máquinas e computadores, o staking “compromete” seus ativos para apoiar uma rede blockchain. Com isso, o detentor das criptomoedas aplicadas é recompensado com uma taxa de juros.

Para o investidor, o staking é uma maneira de gerar uma renda passiva em vez de manter seus criptoativos parados em uma carteira digital. Algumas moedas, por exemplo, oferecem altas taxas de juros para investidores que optem pelo staking.

Para entender um pouco melhor esse conceito, o Tecnoblog conversou com Henrique Teixeira, líder de desenvolvimento de negócios do grupo Ripio — empresa responsável por uma das maiores plataformas de corretagem de criptoativos da América Latina.

“Dentro do universo das finanças descentralizadas, ou DeFi, staking é uma solução para quem possui criptoativos em suas carteiras e gostaria fazê-los render, similar a uma aplicação tradicional de renda fixa.”

Henrique Teixeira, líder de desenvolvimento de negócios do grupo Ripio
Moedas de bitcoin, ether e litecoin na mão
Bitcoin, ether e litecoin (Ivan Radic / Flickr)

Teixeira exemplifica com um caso comum das finanças tradicionais para explicar o que é o staking em criptomoedas. Digamos que você possui mil reais em conta. Em vez de deixar esse dinheiro parado, você pode investir em um CDB (certificado de depósitos bancários) em um banco, ou alocá-lo em títulos do Tesouro, por exemplo. Essas são opções populares para fazer seu patrimônio render ao longo do tempo.

“O staking segue o mesmo conceito, mas com criptoativos”, acrescenta Teixeira. Assim como investimentos de renda fixa do mercado tradicional, você pode alocar suas criptomoedas em um modelo que as faça render, baseado em uma taxa de juros ditada pelo blockchain do ativo.

“Quando chegar o dia em que você precisar retirar esses valores, você pode sacar, vender, trocar por outras criptomoedas e etc. Então, por aquele período que você manteve esses ativos em staking, você recebe de volta um juros, um retorno pelo tempo do investimento.”

Henrique Teixeira, líder de desenvolvimento de negócios do grupo Ripio

Como funciona o staking em criptomoedas

A Coinbase, a maior corretora de criptoativos dos Estados Unidos, explica em um artigo que, com criptomoedas que usam o modelo proof-of-stake, o staking é a forma como as novas transações são adicionadas ao blockchain. É como a mineração para redes que usam o modelo proof-of-work.

Na prática, o staking de criptomoedas é como o protocolo do blockchain escolhe os participantes para validar os blocos de dados de transações. Assim, quanto mais moedas você alocar nesse modelo, maior a probabilidade de você receber recompensas conforme novas moedas são criadas.

Criptomoedas (imagem:WorldSpectrum/Pixabay)
Criptomoedas (Imagem: WorldSpectrum/Pixabay)

Toda vez que um bloco é adicionado ao blockchain, novas criptomoedas são criadas e distribuídas como recompensas aos participantes do staking dessa rede. Na maioria dos casos, as recompensas vêm na forma do mesmo ativo que o investidor aplicou. No entanto, alguns blockchains usam um tipo diferente de criptomoeda para recompensas.

Se você deseja fazer um staking, você precisa possuir uma criptomoeda baseada no modelo proof-of-stake. Então, você pode escolher o valor que deseja aplicar, sendo possível fazer isso também por meio da troca por outras moedas digitais populares (swap de criptomoedas).

As moedas investidas seguem sendo suas. Enquanto algumas redes e modelos de staking pedem um tempo mínimo de investimento, outras permitem saques imediatos. De qualquer maneira, o detentor dos ativos é livre para retirá-los e trocá-los por dinheiro tradicional ou por outras criptomoedas.

Staking é uma proteção contra desvalorização e inflação

Criptomoedas (Imagem: WorldSpectrum/Pixabay)
Criptoativos são vistos como uma opção de reserva de valor (Imagem: WorldSpectrum/Pixabay)

Conforme explica Teixeira, o modelo de staking em criptomoedas é a melhor maneira de se manter uma reserva de valor nesse mercado alternativo e descentralizado. “Fazendo uma analogia com um banco, o tempo é um fator importante na reserva de valor. Com US$ 1 mil hoje, você compra algumas coisas que, daqui a algum tempo, você não vai mais conseguir comprar pela inflação, desvalorização monetária e etc.”

Diante de momentos econômicos instáveis, o staking em criptomoedas é mais uma alternativa de reserva de valor. No entanto, o investidor sempre deve estar ciente da volatilidade das criptomoedas e levar isso em consideração antes de realizar uma aplicação do tipo.

“Em momentos de aumento nos juros e de combate à inflação, é ainda mais importante alocar seu dinheiro para ser investido e para não perder sua reserva de valor. O staking é um caminho para isso, mas com ativos digitais. Se trata de mais uma proteção contra a desvalorização do dinheiro.”

Henrique Teixeira, líder de desenvolvimento de negócios do grupo Ripio

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Bruno Ignacio

Bruno Ignacio é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Cobre tecnologia desde 2018 e se especializou na cobertura de criptomoedas e blockchain, após fazer um curso no MIT sobre o assunto. Passou pelo jornal japonês The Asahi Shimbun, onde cobriu política, economia e grandes eventos na América Latina. Já escreveu para o Portal do Bitcoin e nas horas vagas está maratonando Star Wars ou jogando Genshin Impact.

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