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O que levar em conta na hora de investir em uma startup

Pontos para a decisão; saiba o que levar em conta na hora de investir em uma startup para obter o retorno esperado

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Investir em uma startup pode parecer simples, mas conta com muitos detalhes a serem calculados — o custo pode ser elevado —, principalmente quanto a expectativas. Veja abaixo, o que levar em conta na hora de investir em uma startup para tomar a decisão correta de acordo com retorno e expectativas como investidor.

Pessoas trabalhando juntas em uma estação de trabalho. (Imagem: Annie Spratt/Unsplash)
O que levar em conta na hora de investir em uma startup (Imagem: Annie Spratt/Unsplash)

A base de tudo

Independente de ser um investimento-anjo ou uma rodada série A, mais do que tudo, os investidores querem ver o retorno de seu dinheiro. Assim, se a startup puder demonstrar que vai render dinheiro, digamos que 90% da decisão está consolidada.

Mas, vamos encarar a realidade, começar um negócio pode ser caro: poucos empresários têm dinheiro disponível para iniciar o jogo — e ainda manter a bola rolando — sem alguma ajuda externa. Essa é a maior dificuldade ao ser dono de um pequeno negócio ou em expansão.

Por isso, é normal que eles busquem financiamento por meio de um empréstimo tradicional, um microcrédito ou dinheiro dos amigos e familiares. Caso não seja possível, é onde você (o investidor) entra na jogada, por isso é importante entender o que os investidores normalmente procuram antes de tomar a decisão.

Independente da proximidade o investidor busca lucro na startup (Imagem: Proxyclick Visitor Management/Unsplash)
Independente da proximidade o investidor busca lucro na startup (Imagem: Proxyclick Visitor Management/Unsplash)

Habilidades da startup

Ser um investidor de startup, primeiro, exige confiança no poder de gestão de quem está com a mão na massa. Eles vão moldar a valorização e retorno do seu investimento. Alguns pontos são interessantes de buscar no grupo que te faz a proposta.

1. Habilidade de execução dos fundadores

Qualquer ideia, se verdadeiramente inovadora, pode ser atraente, especialmente quando vendida por um fundador apaixonado. Um investidor, no entanto, deve manter seu foco na capacidade de execução do líder.

Muitas startups têm fundadores que não lançaram um empreendimento antes — e tudo bem — mas eles podem mostrar, por meio de outra experiência, a capacidade de transformar uma ideia em realidade.

Procure, portanto, saber do histórico do empreendedor: quais áreas atuou, em quais projetos (próprios ou não) ele já se envolveu e quais suas soft skills.

2. Competências do time

O que move uma empresa é a gestão, pura e simples. Apesar de fatores como risco versus recompensa serem vitais, não se está apenas investindo no produto ou serviço, mas na liderança e na capacidade da equipe de gerenciamento em executar o plano de negócios.

Não invista em nada menos do que uma equipe de gestão experiente, qualificada e apaixonada.

Pessoas conversando em uma área de trabalho. (Imagem: Austin Distel/Unsplash)
Competência do time da startup é fundamental (Imagem: Austin Distel/Unsplash)

3. Potencial de mercado

Atenção, investidores: sua preocupação mais importante ao considerar um investimento é o mercado potencial do negócio. Faça perguntas específicas para garantir que a empresa tenha uma ideia clara de sua participação no mercado.

O fundador deve ser capaz de dizer a porcentagem do mercado que eles planejam capturar em um período de tempo específico e que tipo de potencial de crescimento eles imaginam.

Além do plano de negócio apresentado, você deve ficar de olho em outros indicadores como o ebitda e o valuation da startup. Além de te dar uma ideia sobre o panorama atual da empresa e como foi o desempenho até aqui, eles também podem te dar uma luz em relação ao futuro e como pode ser seu ganho se decidir apostar em tal negócio.

Por fim, procure entender sobre a área de atuação da startup em si. De nada adianta apostar em uma startup que possui indicadores atuais bons se o setor que ela atua não for promissor. Lembre-se: o seu retorno vem a longo prazo.

4. Objetivo para 10 anos

Se uma startup já tem em mente qual o seu objetivo para os próximos anos, isso quer dizer que o empreendedor está de fato comprometido com aquele negócio e quer fazer dar certo. Ao conhecer as metas da empresa, você também consegue avaliar se têm propósitos parecidos e se realmente faz sentido investir nela.

Outro ponto importante: cabeça de empreendedor é uma caixinha de surpresas. Os fundadores têm objetivos e qualidades diferentes. Alguns são ótimos trabalhando em equipes de até 10, mas se sacrificam em uma equipe de 100.

Outros empreendedores querem escalar uma empresa por 10 anos, enquanto alguns ficam entediados e querem começar algo novo.

Assim, o investidor deve garantir que os acordos e termos estejam em vigor para permitir uma saída limpa do fundador que não seja prejudicial ao negócio.

5. Recapitalização

Muitas grandes ideias ficam sem capital de giro e acabam pelo caminho. Embora muitas startups usem uma forma agressiva para mostrar lucratividade, entenda quanto capital ou caixa será necessário para manter a empresa funcionando quando ela se deparar com obstáculos.

Análise técnica do investidor

1. Nível de envolvimento

O nível de envolvimento que acompanha o investimento em uma startup corresponde diretamente ao tipo de investimento. Por exemplo, alguém que investe em uma startup por meio de uma empresa de capital de risco, teria interação limitada com a equipe que dirige a startup.

Com os investimentos-anjo, o investidor passa a ter uma participação acionária na empresa, o que significa que ele tem a oportunidade de participar da tomada de decisões, ao lado da liderança da startup.

Em comparação, um investidor que financia a campanha de crowdfunding de uma startup também receberia uma participação acionária, mas não teria o mesmo escopo de controle que um investidor-anjo.

Resumindo: é importante ficar conhecido e claro, quanto ou quão pouco seria seu envolvimento ao entregar o dinheiro a uma startup — quer acompanhar de perto as decisões ou quer chegar na parte do lucro?

2. Prazo de retorno

Para cada exemplo de sucesso instantâneo com uma empresa unicórnio, existem centenas ou milhares de startups que levam anos para obter lucro — ou cair por terra. Investir é um jogo de longo prazo, mas é importante ter uma projeção da linha do tempo e comparar com suas expectativas pessoais.

Verifique tanto a expectativa do planejamento da startup quanto os números que indicam em que ponto ela está. Observar o burn rate dá um bom panorama, quanto mais a startup estiver gastando mensalmente, provavelmente, mais longo será o prazo de retorno.

Para um investidor-anjo, é normal antecipar um retorno anual na faixa de 30% a 40%. Os investidores com capital de risco, por outro lado, assumem um maior grau de risco que se traduz em uma maior taxa de retorno esperada. O prazo está diretamente ligado ao tipo de investimento feito com a startup.

Pessoa olhando para um quadro cheio de post-its. (Imagem: Per Loov/Unsplash)
São muitos fatores a se levar em conta para investir em uma startup (Imagem: Per Loov/Unsplash)

3. Desligamento

Ter uma estratégia de saída definida é um requisito para qualquer investimento, mas é realmente importante com startups. Os investidores devem ter clareza sobre quando e como poderão retirar seu investimento inicial, junto com qualquer ganho associado. Um bom exemplo é o investidor-anjo saber em que ponto poderá vender suas ações.

Concluindo, por isso é necessário estar ciente do intervalo de tempo envolvido no investimento, tendo certeza de que será capaz de sair em um ponto com o qual sinta-se confortável, com retornos ou minimizando perdas.

4. Vale o que está escrito

Apesar da frase ter ficado famosa na contravenção — o jogo do bicho —, é também importante em negócios lícitos. Tudo deve ser documentado, tanto o material para análise no período da due diligence, como as expectativas de crescimento, nível de participação e tempo para retorno do investimento — o term sheet é um grande aliado do investidor neste sentido. Ele é feito ainda no pré-investimento, mas já estabelece pontos importantes evitando (ou minimizando) dores de cabeça futuramente.

É importante ressaltar esse ponto porque, apesar do investimento em startups ser diretamente ligado a ações de confiança mútua, a única forma de garantir seus direitos é por meio documental. Analisar documentos de gestão executiva pode ser muito simples se comparado com a complexidade da mente humana.

Pense com cautela e leve todos os pontos que citamos em conta para ampliar a chance de tomar uma decisão acertada no momento que decidir expandir seus investimentos para as startups.

Com informação: Aofund, Forbes, Investopedia.