Os 6 piores acessórios já feitos para games

Dá uma olhada em alguns dos acessórios para jogos que prometeram muito, mas acabaram não indo lá muito bem

Vivi Werneck
Por

A indústria dos videogames tem algumas particularidades bem interessantes. Por exemplo, criar algumas bugigangas na intenção de tornar os jogos mais imersivos. É claro que arrancar mais dinheiro dos jogadores também faz parte desta equação, mas acredito que vários desses acessórios para games poderiam ter passado mais tempo sendo projetados. Confira alguns desses gadgets que saíram piores que o planejado.

Senhoras e senhores… A Power Glove! (Imagem: Reprodução/Nintendo Life)

1. Power Glove (NES)

Power Glove (Imagem: Reprodução/Nintendo Life)

Quem foi criança ou adolescente nas décadas de 80 e 90 provavelmente deve ter ouvido falar ou assistido ao filme O Gênio do Videogame (The Wizard). E o que mais faz lembrar dele até hoje é a propaganda escancarada para o Nintendinho e sua grande novidade: a Power Glove! Todo mundo queria ter uma luva dessas, até realmente ter e ver que não funcionava tão bem quanto no filme.

A tal luva da moda vinha equipada com os botões tradicionais do controle do Nintendinho, mais 10 botões numéricos e outros três extras. Em teoria, era possível combiná-los para customizar algumas ações. Ah, o jogador também podia usar gestos com as mãos para controlar algumas funções. Parecia tudo muito incrível, mas…

Só dois jogos saíram com suporte específico para a Power Glove: um puzzle de labirintos chamado Super Glove Ball e Bad Street Brawler, um beat ‘em up. Não bastasse isso para valer o investimento na luvinha, muitos na época reclamavam da imprecisão dos controles e da dificuldade de usar o acessório. Após um ano, o produto parou de ser fabricado. Mesmo com todos os contras, a Power Glove se tornou um cult e um valioso item de colecionador, hoje em dia.

2. Car Adapter (Nintendo Wii)

Adaptador de carro para o Wii (Imagem: Reprodução/The Gamer)

O que chamou sempre mais atenção no Nintendo Wii foi a liberdade (física, no caso) com que se podia jogar diversos de seus títulos. Não estávamos mais “presos” ao sofá e os controles de movimento fizeram com que o console caísse nas graças dos jogadores e inspirado até os concorrentes.

Dito isso, o que esse adaptador de carros para o Wii fazia era exatamente o oposto de toda a proposta original do videogame. Até porque, como você vai ficar sacudindo os braços, e se sacudindo no geral, dentro de um carro?

O máximo que se poderia aproveitar disso era para jogos mais tradicionais mesmo. Mesmo assim, fico imaginando o caos que não seria uma simples viagem de férias com essa maleta, no colo de alguém, enquanto os outros tentavam ver alguma coisa na telinha para jogar. Pobre do(a) motorista!  

3. Kinect Game Boat (Xbox 360)

Kinect Game Boat (Imagem: Reprodução/Kotaku)

Você lembra do Kinect Adventures? O jogo tinha, basicamente, o propósito de te fazer experimentar algumas das funções do sensor de movimentos do Xbox, que usava uma câmera para mapear seu corpo. Era possível se divertir tranquilamente com o game apenas assim, mas é claro que (quase) tudo pode se tornar uma oportunidade de tentar lucrar mais.

Ok, vamos lá… O tal Game Boat foi vendido com a ideia de ser a “melhor experiência” para se jogar Kinect Adventures. Detalhe que esse elefante branco (ou melhor, vermelho) inflável servia apenas para um dos modos do título, onde o jogador controlava um bote.

Apesar de, teoricamente, ser possível usar este monumento com até duas pessoas, ele mal comportava um adulto, conforme pode-se ver num review do produto publicado pelo Kotaku. Alguns relatos também afirmam que a borracha tinha um cheiro horrível.

4. Sega Activator (Sega Genesis / Mega Drive)

YouTube video
Assista, neste vídeo, um pouco do desespero que era jogar com esse acessório

Antes mesmo do sucesso do Nintendo Wii e de todos os demais controles de movimento que vieram depois, em 1993, existiu o Sega Activator. O acessório, que era ligado por um cabo ao Mega Drive, tinha a ambição de mapear os movimentos de todo o corpo do jogador, que ficava dentro de uma espécie de anel octagonal posicionado no chão.

A promessa era de que todos os seus movimentos seriam devidamente reconhecidos e traduzidos para o console, sem nenhuma interferência. Mas a realidade é que o jogador precisava fazer gestos específicos que correspondessem aos botões do controle do videogame para algo funcionar. Fico pensando se a pessoa que fazia o marketing desses produtos realmente conversava com quem desenvolvia.

Por falta de mais suporte a combinações diferentes de movimentos, gameplay restrito e a necessidade de mais uma fonte de energia para manter o acessório ligado, o Sega Activator não caiu no gosto massivo dos jogadores (por que será?) e foi descontinuado.

5. Super Scope 6 (SNES)

Super Scope 6 (Imagem: Ricardo Syozi/Tecnoblog)

A sugestão da Super Scope 6 veio diretamente da redação do Tecnoblog. O Ricardo Syozi tem este acessório, e outros da Nintendo, e fez questão de compartilhar sua opinião do porquê este, em específico, foi uma decepção:

“A Super Scope 6 tem um design estiloso e moderno, dá a sensação de que poderíamos mandar ver em jogos de tiro realistas. Porém, é só uma sensação, já que a exigência de pilhas e os games medíocres oferecidos fazem com que a experiência seja entediante… Na melhor das hipóteses”, explica.

Além disso, Ricardo também contou haver apenas 12 jogos compatíveis e seria interessante que a Nintendo tivesse dado mais suporte ao acessório que, convenhamos, não deve ter sido barato.    

6. Pocket Camera e Pocket Printer (Game Boy)

Pocket Camera e Pocket Printer (Imagem: Reprodução/DIY Photography)

Numa tentativa não muito bem sucedida de transformar o Game Boy numa câmera Polaroid, a Nintendo lançou o conjunto Pocket Camera e Pocket Printer, em 1998. 

Tratava-se de um kit com uma minicâmera, que era acoplada acima da tela do portátil, e uma pequena impressora para colocar no papel “incríveis” fotos em preto e branco com 128 x 112 de resolução.

A qualidade da impressão era ruim (por vezes, bem borrada), o papel era péssimo e tudo parecia um recibo de loja. E assim como qualquer comprovante de compras impresso, a tinta desbotava muito rápido.

Mais acessórios para games sofríveis

É possível que você, que está lendo este artigo, já tenha tido contato com alguns desses gadgets. É possível, inclusive, que goste de algum deles, mesmo com os problemas. Não estou aqui para julgar. Mas é sempre interessante analisar que apesar de muitos deles terem sido belos fiascos, também podem ter servido de base para produtos melhores anos mais tarde. Os avanços tecnológicos, no início, às vezes são meio esquisitos.

Mesmo assim, eu continuo me perguntando se os criadores de acessórios para games do passado realmente faziam testes extensivos de qualidade antes de lançar seus produtos, porque olha… Complicado! Enfim, se você tem alguma sugestão de gadget para videogames que foi um desastre, compartilha com a gente nos comentários!

Com informações: The Gamer e My Gaming

Vivi Werneck

Editora-Assistente

Vivi Werneck é especialista em games e trabalha no mundo tech há 15 anos. Em 2018, recebeu o Prêmio Comunique-se como melhor jornalista de tecnologia. Já escreveu para revistas de games pioneiras no Brasil, como EDGE, PlayStation Brasil e EGW. Também é veterana em eventos de jogos, como a BGS e E3 (inclusive, presencialmente). Hoje, ela é editora-assistente no Tecnoblog, editora no Meio Bit e apresenta o Hit Kill.

Relacionados

Relacionados