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As Dusk Falls me trouxe muitos sentimentos, alguns melhores do que outros

Drama interativo do estúdio independente INTERIOR/NIGHT me pegou de surpresa e já se transformou em um de meus favoritos de 2022

Ricardo Syozi
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As Dusk Falls (Imagem: Divulgação /  INTERIOR/NIGHT)
As Dusk Falls (Imagem: Divulgação / Interior/Night)

Sempre gostei bastante de quadrinhos, não apenas os de heróis, mas também os mais independentes, que contam histórias mundanas com personagens memoráveis. Contudo, a arte diferenciada era o que mais me fazia dar uma primeira chance ao produto, algo pouco explorado pelo mainstream de DC e Marvel. Foi exatamente esse o motivo que me pegou ao conferir o trailer de As Dusk Falls, jogo lançado no dia 19 de julho para consoles Xbox e Steam.

Arte e substância

Para quem ainda não conhece, As Dusk Falls é um game desenvolvido pelo estúdio INTERIOR/NIGHT. Podemos colocá-lo dentro do gênero de drama interativo, algo similar às aventuras lançadas pela Telltale como The Walking Dead e The Wolf Among Us.

Ele segue a jornada de três personagens: Jay Holt, Vince Walker e Zoe Walker. Cada um tem uma relação traumática com o outro, mas que nos aprofundamos apenas ao jogar os episódios. Logo de cara, posso destacar a arte estilosa, com cara de HQ e pouca movimentação. A sensação de estar movendo páginas é algo frequente e que te prende nos primeiros minutos.

Assim, o sentimento de novidade surgiu para mim.

Não lembro de ter jogado um game com essa forma artística antes. Não tem como não se apaixonar pela simplicidade de movimentos, ao mesmo tempo em que babamos pela enorme imersão oferecida. Tudo isso por causa de um roteiro bem escrito, dubladores competentes e uma trilha sonora que nos segura do começo ao fim.

Zoe é uma das personagens do jogo (Imagem: Divulgação / INTERIOR/NIGHT)
Zoe é uma das personagens do jogo (Imagem: Divulgação / Interior/Night)

As Dusk Falls é simples e complexo ao mesmo tempo

A arte de romance visual pode parecer “parada” demais para o seu gosto, o que acho uma opinião justa. Mas sugiro encarar por um outro lado: quantas obras com esse estilo você já viu de estúdios grandes?

Essa pegada faz o jogo ser bastante único, mas não é só isso. Além das decisões artísticas, a jornada dos personagens traz uma enorme quantidade de escolhas, escolhas essas que realmente alteram toda a narrativa. Isso pode fazer com que algumas pessoas queiram jogar várias vezes, algo que prefiro não seguir, porque gosto de realizar meus próprios julgamentos e aprender a partir daí.

Toda essa iniciativa de alterar a vida dos personagens carrega momentos complicados na história de As Dusk Falls. Com isso, o sentimento de desconforto se manifestou para mim.

Sem dar spoilers, o game apresenta situações sobre relacionamentos familiares, relacionamento abusivo, suicídio, crimes, traições, etc. Se as suas emoções não estiverem sob controle, é bem capaz de você se deixar levar por cada curva do enredo.

O mais curioso é que tudo isso vem ao lado de uma jogabilidade simplória, com quick time events e decisões em momentos propícios.

Se prepare para momentos complicados (Imagem: Divulgação / INTERIOR/NIGHT)
Se prepare para momentos complicados (Imagem: Divulgação / Interior/Night)

É curto, mas vale cada minuto

Levei cerca de seis horas para completar os seis episódios do jogo no Xbox Series S. Muitas vezes, me senti tão sobrecarregado com o que a narrativa me apresentava, que precisava parar um pouco e fazer outra coisa. No entanto, posso afirmar algo sobre os sentimentos que vieram à tona: eles fizeram a aventura se tornar inesquecível.

Se algo neste texto chamou a sua atenção para As Dusk Falls, então lembre-se que você pode conferir o game no Xbox One e Series X|S via Game Pass. Para quem prefere suas jogatinas no PC, o título está disponível na Steam.

Ricardo Syozi

Ricardo Syozi é jornalista apaixonado por tecnologia e especializado em games atuais e retrôs. Já escreveu para veículos como Nintendo World, WarpZone, MSN Jogos, Editora Europa e VGDB. Possui ampla experiência na cobertura de eventos, entrevistas, análises e produção de conteúdos no geral. Entrou para o Tecnoblog em 2021.

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