Galaxy Note 7: como fazer um bom produto sem arriscar

Não se mexe em time que está ganhando

Paulo Higa
Por
Galaxy Note 7: como fazer um bom produto sem arriscar

Direto do Rio de Janeiro — A Samsung revelou na terça-feira (2) a sexta geração de seu principal smartphone de tela grande, o Galaxy Note 7. Talvez você tenha enfrentado a mesma sensação ao conhecer o aparelho: ele é basicamente um Galaxy S7 Edge com a caneta S Pen e alguns diferenciais de software da linha Note. Não há nenhuma grande novidade. Felizmente, isso não é ruim.

O Galaxy S7 Edge é meu smartphone preferido de 2016 até agora: ele combina tela de qualidade impecável, um design que agrada (não volte nunca mais, plástico), uma bateria de grande capacidade, um hardware potente (nada de processador capado na versão brasileira) e uma câmera traseira bem impressionante, que não tem medo de iluminação ruim. O Note 7 mantém todos esses atributos.

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Em relação ao que já vimos na Samsung, as novidades se limitam ao leitor de íris, ao conector USB-C (sem a jogada arriscada de remover a entrada de fone de ouvido) e a novos truques de software. São tecnologias recentes, ainda não totalmente testadas no mercado, mas que apenas reforçam o que sempre achei dos Galaxy Note: uma linha de produtos “beta”. Se derem certo, chegam no Galaxy S, o produto “estável”. Se derem errado, a próxima geração corrige o problema.

O leitor de íris, provavelmente a única tecnologia nova que agora será vendida em larga escala, funcionou bem pelos meus testes rápidos, mas serve apenas como complemento ao que já existe. Pode ser uma alternativa se você estiver com os dedos suados e o leitor não reconhecer suas digitais, ou para reforçar ainda mais a segurança, mas a verdade é que o reconhecimento de íris parece pouco prático na vida real, já que você precisa posicionar o aparelho de forma que ele consiga enxergar seus olhos. A conferir com calma.

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O software, que continua sendo o Android 6.0.1 Marshmallow, traz mudanças na TouchWiz, que ficou mais clara e ganhou pequenos refinamentos visuais. A personalização da Samsung não é mais um pesadelo desde o Galaxy S6, quando os coreanos deram um belo trato na interface e removeram funções inúteis, inclusive desapegando de coisas que tentavam fazer a mesma coisa que aplicativos já consolidados.

Mesmo assim, são bastante questionáveis os recursos que a Samsung inclui nos Galaxy Note para tentar valorizar a caneta — o recurso de tradução de palavras ao aproximar a S Pen da tela não parece melhor que a tradução simultânea do Google Tradutor, que todo mundo já conhece; e a lupa que aumenta os elementos da interface é mais uma perfumaria do que algo realmente útil. Mas é bom que a empresa continue tentando, já que frequentemente surgem bons recursos que depois são copiados pelo Android puro, o que beneficia todo mundo que utiliza a plataforma móvel do Google.

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No final das contas, apesar das pequenas novidades, o Galaxy Note 7 não traz nenhuma mudança drástica em relação ao Galaxy S7 ou mesmo a geração anterior do Galaxy Note. A Samsung optou por um caminho seguro, que é construir um produto novo a partir de uma base sólida. Isso é muito bom.

Nosso review do Galaxy Note 7 será publicado em breve. O que vocês querem saber sobre ele?

Paulo Higa viajou para o Rio de Janeiro a convite da Samsung.