Testamos Celular

Galaxy Win 2: a resposta da Samsung para os smartphones intermediários

Smartphone tem TV digital de alta definição e custa entre 729 e 779 reais no mercado brasileiro

Paulo Higa
Por

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Os smartphones intermediários, de 450 a 900 reais, já representam metade das vendas no Brasil. As fabricantes estão investindo fortemente no segmento, depois que a Motorola fez sucesso com o Moto G, o smartphone mais vendido do país. Uma dessas empresas é a Samsung: a sul-coreana lançou o Galaxy Win 2, um Android que custa cerca de 700 reais e quer oferecer o melhor custo-benefício do mercado.

Com conexão 4G, TV digital de alta definição e processador Snapdragon 410 quad-core de 1,2 GHz, o Galaxy Win 2 (ou Galaxy Win 2 Duos TV, se você gosta da nomenclatura maluca da Samsung) compete diretamente com Moto E e Xperia E4. É uma boa escolha? Depois de uma semana usando o aparelho, conto minhas impressões nesta breve análise.

Design e tela

É difícil falar do design de um smartphone da Samsung porque eles são praticamente todos iguais. O Galaxy Win 2 é um Galaxy Core Prime renomeado no Brasil para usar o nome Win, que fez sucesso em 2014. Ele segue o mesmo padrão de design que a Samsung adota em boa parte de seus aparelhos: cantos arredondados, câmera traseira protuberante, moldura prateada e botão físico de início.

Como a Samsung lança dezenas de aparelhos por ano, todos com a mesma identidade visual, o design do Galaxy Win 2 é enjoativo e pouco inspirado. Mas, particularmente, acho ele mais visualmente mais agradável que o Moto E, por exemplo. A moldura prateada, mesmo que seja apenas de plástico pintado, funciona bem para um smartphone dessa faixa de preço, e a espessura menor (8,8 mm) ajuda na pegada.

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Com tela de 4,5 polegadas, alcançar todos os cantos do display é uma tarefa simples. A tampa traseira com toque levemente emborrachado colabora para evitar que o aparelho escorregue das mãos. Ao removê-la, temos acesso aos dois slots de operadoras (Micro-SIM), entrada para cartão de memória e bateria de 2.000 mAh. No modelo com TV digital, há uma antena retrátil no canto inferior direito do aparelho; falarei mais sobre isso adiante.

O visor possui painel TFT LCD e resolução de 800×480 pixels. É possível jogar e assistir a filmes sem problemas, mas textos com fontes menores expõem a baixa definição da tela, de 207 ppi — a Samsung poderia ter caprichado mais nesse ponto. O contraste agrada, o ângulo de visão é satisfatório e as cores possuem boa saturação. O nível de brilho não é muito alto, mas é suficiente para conseguir visualizar o conteúdo da tela em ambientes abertos ou com um pouco de luz solar.

Software e multimídia

Com Android 4.4.4 KitKat, o Galaxy Win 2 roda a amada e odiada interface TouchWiz, que modifica significativamente o visual e comportamento do sistema operacional concebido originalmente pelo Google. Ícones, menus, botões, fontes e cores foram todos alterados, e os aplicativos-chave do aparelho, como Telefone e Mensagem, possuem o design característico da Samsung.

A TouchWiz mudou no último ano e adotou um visual mais flat, que combina melhor com os aplicativos do Android, mas ainda não vai agradar os que preferem a interface encontrada nos Nexus e nos smartphones da Motorola.

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Além dos apps essenciais do Android, o Galaxy Win 2 traz algumas ferramentas adicionais, como um aplicativo de notas, um gerenciador de arquivos e um gravador de voz. Ele também possui de fábrica o Evernote, a loja de apps da Samsung e joguinhos de demonstração da Gameloft, que só funcionam por 240 segundos e servem apenas para desperdiçar a memória interna do aparelho — eles não podem ser desinstalados, apenas desativados, infelizmente.

Em vez de incluir seu próprio player de música, a Samsung optou por deixar apenas o Play Música, do Google, que faz o serviço muito bem. O som, que sai do alto-falante traseiro, tem volume alto e não distorce facilmente.

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Merece destaque o recurso de TV digital, disponível no modelo mais caro. Diferentemente da maioria dos smartphones com o recurso, que suportam apenas o padrão 1Seg (320×240 pixels), o aparelho da Samsung é capaz de sintonizar canais em alta definição. A diferença na qualidade da imagem é absurda; outras fabricantes bem que poderiam adotar a tecnologia.

Além de oferecer ótima qualidade de imagem, o Galaxy Win 2 possui uma antena retrátil embutida. Isso significa que não é necessário conectar nenhum rabicho na entrada de fone de ouvido para sintonizar os canais, o que é uma praticidade a mais. Na região da Avenida Paulista, o smartphone foi rápido em encontrar 21 canais digitais, sendo 15 em HD.

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Câmera

Na teoria, a câmera de 5 megapixels e a faixa de preço de 700 reais afastam grandes expectativas sobre a qualidade das fotos. Na prática, as más esperanças se confirmam. A câmera do Galaxy Win 2 foi uma constante fonte de frustrações durante os dias de teste. Estranhamente, a Samsung colocou uma lente de abertura bem pequena para os padrões atuais (f/2,6).

A abertura limitada da lente faz com que o Galaxy Win 2 tire fotos com exposições mais longas que o normal, o que gera fotos borradas com frequência. Por algum motivo, o software também tem sérios problemas em focar no ponto certo na primeira vez. A câmera do Galaxy Win 2 é aquela que faz o usuário tirar múltiplas fotos para verificar se alguma fica boa.

Mesmo em ambientes iluminados, a câmera não captura imagens boas. O baixo alcance dinâmico do sensor faz com que pontos de luz fiquem estourados, e às vezes há uma sensação de falta de saturação. Em ambientes internos e durante a noite, é difícil fugir de ruídos e borrões. Dá para fazer registros rápidos e compartilhá-los em redes sociais, mas não mais do que isso.

f/2,6, ISO 250, 1/15s. Bastante ruído em áreas de sombra.

f/2,6, ISO 250, 1/15s. Bastante ruído em áreas de sombra.

f/2,6, ISO 200, 1/24s. Em condições ideais, as fotos são boas para um aparelho básico, embora não impressionem na definição.

f/2,6, ISO 200, 1/24s. Em condições ideais, as fotos são boas para um aparelho básico, embora não impressionem na definição.

f/2,6, ISO 200, 1/24s. Algoritmo de pós-processamento gera um efeito "aquarela" na imagem, removendo detalhes.

f/2,6, ISO 200, 1/24s. Algoritmo de pós-processamento gera um efeito “aquarela” na imagem, removendo detalhes.

f/2,6, ISO 320, 1/13s. Baixa definição nas bordas mostra a qualidade inferior da lente. É como se ela estivesse sempre "suja".

f/2,6, ISO 320, 1/13s. Baixa definição nas bordas mostra a qualidade inferior da lente. É como se ela estivesse sempre “suja”.

f/2,6, ISO 640, 1/8s. Sensor pequeno, ISO alto, velocidade baixa: foto borrada e cheia de ruídos à noite.

f/2,6, ISO 640, 1/8s. Sensor pequeno, ISO alto, velocidade baixa: foto borrada e cheia de ruídos à noite.

Hardware e bateria

O Galaxy Win 2 vendido no Brasil tem processador quad-core Snapdragon 410 de 1,2 GHz, com os novos núcleos ARM Cortex-A53 de 64 bits, acompanhado da GPU Adreno 306, mesmo conjunto do Moto E de 2ª geração com 4G. Há 1 GB de RAM, 8 GB de armazenamento interno, entrada para microSD de até 64 GB e suporte a 4G. Para energizar tudo isso, a Samsung colocou uma bateria de 2.000 mAh.

O desempenho é muito inconstante. Em alguns momentos, o Galaxy Win 2 funciona bem, exibindo as animações do sistema com fluidez e executando os apps com agilidade. Mas basta uma sessão um pouco mais intensa para o aparelho começar a engasgar. Depois de três ou quatro abas abertas no Chrome, player de música, email, Facebook e Twitter abertos, o smartphone fica lento, recarregando o launcher de aplicativos e demorando cinco segundos para responder a um comando.

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É um problema que não deveria acontecer com um hardware desse nível. Fora o problema da lentidão, o Android do Galaxy Win 2 tem um comportamento serial killer, que começa a matar apps sem piedade para tentar liberar memória. O problema é que esse comportamento muitas vezes fecha apps importantes em segundo plano — em quatro ocasiões, meu player de podcast (Pocket Casts) foi finalizado enquanto reproduzia áudio.

Já a bateria está dentro do que considero suficiente para a maioria das pessoas. Em todos os dias, foi possível chegar em casa com pelo menos 30% de carga restante. Num dia de testes, tirei o Galaxy Win 2 da tomada às 8h10, ouvi música por streaming no 4G por 2h e naveguei na web por 1h30min (entre emails, sites e redes sociais). O brilho permaneceu no máximo e a tela ficou ligada por exatamente 1h41min. Às 20h40, o aparelho apontava 35% de carga restante.

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Conclusão

Vale a pena comprar um Galaxy Win 2? Depende. No Brasil, o aparelho foi lançado em duas versões: Galaxy Win 2 Duos (R$ 729) e Galaxy Win 2 Duos TV (R$ 779). Por esses preços sugeridos da Samsung, não acredito que o aparelho seja uma compra tão boa — opções como Moto G e Zenfone 5 são mais interessantes e oferecem câmeras e telas significativamente superiores.

Com as promoções do varejo, o Galaxy Win 2 Duos TV pode ser encontrado por cerca de 600 reais. Particularmente, acredito que smartphones um nível acima, como os dois modelos supracitados, são o mínimo para se obter uma boa experiência de uso, mas o Galaxy Win 2 já oferece um conjunto atraente para os menos exigentes.

Entre o Galaxy Win 2 e seu principal concorrente, o Moto E, é preciso decidir o que importa para você. Nesse caso, minha escolha seria o Moto E: você perderia a TV digital em alta definição e o design fino e leve, mas em compensação teria um desempenho melhor (ainda que com alguns engasgos), um sistema mais atualizado, uma tela superior e uma autonomia de bateria maior. Além disso, pelo valor do Galaxy Win 2 mais básico (R$ 729), é possível adquirir o Moto E mais completo, que vem com 16 GB de armazenamento.

Especificações técnicas

  • Bateria: 2.000 mAh.
  • Câmera: 5 megapixels (traseira) e 2 megapixels (frontal).
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11n, GPS, Bluetooth 4.0, USB 2.0, TV digital (opcional).
  • Dimensões: 131 x 68,1 x 8,8 mm.
  • GPU: Adreno 306.
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 64 GB.
  • Memória interna: 8 GB.
  • Memória RAM: 1 GB.
  • Peso: 130 gramas.
  • Plataforma: Android 4.4.4 (KitKat).
  • Processador: quad-core Snapdragon 410 de 1,2 GHz.
  • Sensores: acelerômetro, proximidade.
  • Tela: TFT LCD de 4,5 polegadas com resolução de 800×480 pixels.
Paulo Higa

Editor-executivo

Paulo Higa é jornalista, com MBA em Gestão pela FGV e uma década de experiência na cobertura de tecnologia. Trabalha no Tecnoblog desde 2012, viajou para mais de 10 países para acompanhar eventos da indústria e já publicou 400 reviews de celulares, TVs e computadores. É coapresentador do Tecnocast e usa a desculpa de ser maratonista para testar wearables que ainda nem chegaram ao Brasil.

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