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Qual é o problema do Bitcoin e por que as pessoas estão preocupadas com a mudança

Disputa interna poderia dividir o Bitcoin, criando instabilidade no mercado

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2 anos atrás

Uma grande mudança no Bitcoin acontecerá em breve, mas ninguém tem plena certeza do resultado. Na melhor das hipóteses, a criptomoeda será aprimorada e aumentará sua capacidade de transações. Se tudo der errado, o Bitcoin poderá ser dividido em duas ou mais moedas diferentes — um acontecimento sem precedentes que iniciaria um período turbulento no mercado de US$ 44 bilhões.

É por isso que a cotação da moeda variou tanto nas últimas semanas: o Bitcoin chegou a US$ 2.000 em maio, seguiu em ritmo acelerado para atingir quase US$ 3.000 em junho e depois iniciou sua fase de instabilidades, até bater US$ 1.900 em 16 de julho. Nesta quinta-feira (20), um importante passo foi dado para evitar consequências ruins, o que fez a moeda valorizar mais de 20% no dia.

Mas como chegamos até aqui? Calma que a gente explica.

Qual é o problema do Bitcoin em discussão

Quando você faz uma transação em bitcoins, ela precisa ser verificada e registrada entre milhares de computadores da rede. Isso gasta bastante poder de processamento, por isso, os donos das máquinas (os mineradores) ganham dinheiro com essa tarefa. Basicamente, quem paga taxas mais altas tem sua transação processada primeiro.

E o registro de todas as transações é feito na blockchain. É aqui que mora o problema: cada bloco tem um limite de 1 MB, o que permite registrar cerca de 2 mil transações. Mas um bloco só é liberado a cada 10 minutos. Fazendo as contas, isso significa que o Bitcoin só consegue processar 7 transações por segundo.

Sete transações por segundo é algo irrisório quando comparamos com sistemas mais usados, como a rede da Visa, que aguenta até 56 mil transações por segundo. Devido à limitação do Bitcoin, é necessário pagar taxas mais altas para conseguir ter sua transação processada em um tempo aceitável, e isso tem ficado muito caro (o valor passou de alguns centavos para uma média de US$ 5; nem o seu banco cobra tudo isso).

Como querem corrigir esse problema

Uma das mudanças em implantação no Bitcoin é o SegWit (Segregated Witness). É algo bem complexo (você pode se aprofundar aqui), mas o que você precisa entender é: ele aumenta a capacidade de transações e ainda conserta um problema conhecido como maleabilidade — quando um integrante mal intencionado na rede modifica sua transação, fazendo com que ela não seja executada.

O SegWit é um soft fork do Bitcoin, ou seja, não cria problemas de compatibilidade com os sistemas atuais. Ainda assim, para ser adotado de maneira segura, foi definido que ele deveria ter a aprovação de 95% da rede de mineradores. Na verdade, isso é uma regra padrão para qualquer alteração retrocompatível no Bitcoin: por segurança, se não há consenso, não há mudança.

Então por que não adotaram logo?

Nem todo mundo gostou do SegWit, porque ele também diminuiria a influência dos mineradores na rede, que investiram montanhas de dinheiro para minerar bitcoins. Além disso, a mudança corrige um bug que estava sendo explorado por alguns para lucrar. Por isso, esse grupo contra o SegWit viu na regra dos 95% uma oportunidade de barrar a atualização.

Em resposta, a comunidade do Bitcoin decidiu propor uma atualização forçada que não dependesse da boa vontade dos mineradores. Ela é conhecida como BIP 148 e determina que, a partir de 1º de agosto de 2017, blocos sem a sinalização do SegWit serão rejeitados. Em tese, isso “incentivaria” a adoção do SegWit pela maioria.

Eis o problema: se a comunidade adotasse o BIP 148 nessa data e a maioria dos mineradores não, isso faria o Bitcoin se dividir em duas redes; uma com o BIP 148 e a outra sem. Não é possível saber exatamente as consequências disso, mas é algo que provavelmente criaria uma instabilidade na rede, com transações canceladas e uma grande variação no preço da moeda.

E por que as pessoas ficaram menos preocupadas agora?

Porque houve um acordo (BIP 91) entre os mineradores, durante o evento Consensus 2017, para aprovar o SegWit com 80% de sinalização. Ou seja, em vez de estabelecer uma data de ativação como o BIP 148, ele confia na aprovação por meio do poder de processamento da rede.

Se a marca de 80% fosse atingida até o dia 1º de agosto, o BIP 148 seria substituído e nada aconteceria nessa data. Pois bem: o BIP 91 ganhou rápido apoio dos mineradores e ultrapassou os 80% na noite do dia 20 de julho. A possibilidade de algo ruim acontecer com o Bitcoin, portanto, foi bastante afastada.

Algo ainda pode dar errado?

Sim. Mais de 80% do poder de processamento da rede sinalizou a intenção de suportar o SegWit, mas o SegWit ainda não foi ativado. Se a maioria dos mineradores voltar atrás, eles poderão continuar minerando blocos sem SegWit e, como fazem parte da maioria, forçar uma moeda sem SegWit. Os blocos com SegWit seriam forçados a pular fora da moeda, criando a divisão.

Ainda assim, o fato do Bitcoin ter subido 24% no dia da aprovação do BIP 91 indica que o mercado já afastou a possibilidade de qualquer coisa grave acontecer nos próximos dias.

Com informações: Bitcoin Magazine, (2), CoinDesk, (2), (3).

Aviso de transparência: o autor possui ou já possuiu BTC, ETH e outras criptomoedas.

Tecnocast 071 – Vale a pena investir em bitcoin?

Não é por acaso que tanta gente vem falando sobre Bitcoin. A criptomoeda já chegou a valorizar mais de 10.000% em apenas um ano e bateu recordes históricos em 2017: um único bitcoin passou a valer mais de dez mil reais. E muita gente acredita que o Bitcoin não apenas continuará essa subida exponencial, como um dia poderá substituir a moeda que nós temos.

Calma! Será que vale a pena investir em bitcoins? O que é minerar? O Bitcoin será a moeda corrente mundial? Como uma blockchain vive, se alimenta e se reproduz? Dá o play que a gente conta tudo!

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