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Qual é o problema do Bitcoin e por que as pessoas estão preocupadas com a mudança

Disputa interna poderia dividir o Bitcoin, criando instabilidade no mercado

Paulo Higa Por

Uma grande mudança no Bitcoin acontecerá em breve, mas ninguém tem plena certeza do resultado. Na melhor das hipóteses, a criptomoeda será aprimorada e aumentará sua capacidade de transações. Se tudo der errado, o Bitcoin poderá ser dividido em duas ou mais moedas diferentes — um acontecimento sem precedentes que iniciaria um período turbulento no mercado de US$ 44 bilhões.

É por isso que a cotação da moeda variou tanto nas últimas semanas: o Bitcoin chegou a US$ 2.000 em maio, seguiu em ritmo acelerado para atingir quase US$ 3.000 em junho e depois iniciou sua fase de instabilidades, até bater US$ 1.900 em 16 de julho. Nesta quinta-feira (20), um importante passo foi dado para evitar consequências ruins, o que fez a moeda valorizar mais de 20% no dia.

Mas como chegamos até aqui? Calma que a gente explica.

Qual é o problema do Bitcoin em discussão

Quando você faz uma transação em bitcoins, ela precisa ser verificada e registrada entre milhares de computadores da rede. Isso gasta bastante poder de processamento, por isso, os donos das máquinas (os mineradores) ganham dinheiro com essa tarefa. Basicamente, quem paga taxas mais altas tem sua transação processada primeiro.

E o registro de todas as transações é feito na blockchain. É aqui que mora o problema: cada bloco tem um limite de 1 MB, o que permite registrar cerca de 2 mil transações. Mas um bloco só é liberado a cada 10 minutos. Fazendo as contas, isso significa que o Bitcoin só consegue processar 7 transações por segundo.

Sete transações por segundo é algo irrisório quando comparamos com sistemas mais usados, como a rede da Visa, que aguenta até 56 mil transações por segundo. Devido à limitação do Bitcoin, é necessário pagar taxas mais altas para conseguir ter sua transação processada em um tempo aceitável, e isso tem ficado muito caro (o valor passou de alguns centavos para uma média de US$ 5; nem o seu banco cobra tudo isso).

Como querem corrigir esse problema

Uma das mudanças em implantação no Bitcoin é o SegWit (Segregated Witness). É algo bem complexo (você pode se aprofundar aqui), mas o que você precisa entender é: ele aumenta a capacidade de transações e ainda conserta um problema conhecido como maleabilidade — quando um integrante mal intencionado na rede modifica sua transação, fazendo com que ela não seja executada.

O SegWit é um soft fork do Bitcoin, ou seja, não cria problemas de compatibilidade com os sistemas atuais. Ainda assim, para ser adotado de maneira segura, foi definido que ele deveria ter a aprovação de 95% da rede de mineradores. Na verdade, isso é uma regra padrão para qualquer alteração retrocompatível no Bitcoin: por segurança, se não há consenso, não há mudança.

Então por que não adotaram logo?

Nem todo mundo gostou do SegWit, porque ele também diminuiria a influência dos mineradores na rede, que investiram montanhas de dinheiro para minerar bitcoins. Além disso, a mudança corrige um bug que estava sendo explorado por alguns para lucrar. Por isso, esse grupo contra o SegWit viu na regra dos 95% uma oportunidade de barrar a atualização.

Em resposta, a comunidade do Bitcoin decidiu propor uma atualização forçada que não dependesse da boa vontade dos mineradores. Ela é conhecida como BIP 148 e determina que, a partir de 1º de agosto de 2017, blocos sem a sinalização do SegWit serão rejeitados. Em tese, isso “incentivaria” a adoção do SegWit pela maioria.

Eis o problema: se a comunidade adotasse o BIP 148 nessa data e a maioria dos mineradores não, isso faria o Bitcoin se dividir em duas redes; uma com o BIP 148 e a outra sem. Não é possível saber exatamente as consequências disso, mas é algo que provavelmente criaria uma instabilidade na rede, com transações canceladas e uma grande variação no preço da moeda.

E por que as pessoas ficaram menos preocupadas agora?

Porque houve um acordo (BIP 91) entre os mineradores, durante o evento Consensus 2017, para aprovar o SegWit com 80% de sinalização. Ou seja, em vez de estabelecer uma data de ativação como o BIP 148, ele confia na aprovação por meio do poder de processamento da rede.

Se a marca de 80% fosse atingida até o dia 1º de agosto, o BIP 148 seria substituído e nada aconteceria nessa data. Pois bem: o BIP 91 ganhou rápido apoio dos mineradores e ultrapassou os 80% na noite do dia 20 de julho. A possibilidade de algo ruim acontecer com o Bitcoin, portanto, foi bastante afastada.

Algo ainda pode dar errado?

Sim. Mais de 80% do poder de processamento da rede sinalizou a intenção de suportar o SegWit, mas o SegWit ainda não foi ativado. Se a maioria dos mineradores voltar atrás, eles poderão continuar minerando blocos sem SegWit e, como fazem parte da maioria, forçar uma moeda sem SegWit. Os blocos com SegWit seriam forçados a pular fora da moeda, criando a divisão.

Ainda assim, o fato do Bitcoin ter subido 24% no dia da aprovação do BIP 91 indica que o mercado já afastou a possibilidade de qualquer coisa grave acontecer nos próximos dias.

Com informações: Bitcoin Magazine, (2), CoinDesk, (2), (3).

Aviso de transparência: o autor possui ou já possuiu BTC, ETH e outras criptomoedas.

Tecnocast 071 – Vale a pena investir em bitcoin?

Não é por acaso que tanta gente vem falando sobre Bitcoin. A criptomoeda já chegou a valorizar mais de 10.000% em apenas um ano e bateu recordes históricos em 2017: um único bitcoin passou a valer mais de dez mil reais. E muita gente acredita que o Bitcoin não apenas continuará essa subida exponencial, como um dia poderá substituir a moeda que nós temos.

Calma! Será que vale a pena investir em bitcoins? O que é minerar? O Bitcoin será a moeda corrente mundial? Como uma blockchain vive, se alimenta e se reproduz? Dá o play que a gente conta tudo!

Comentários

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Comentários com a maior pontuação

Fagner Ribeiro
Algo me diz que cryptomoeda será a deepweb do mercado financeiro. Será o paraíso para a lavagem de dinheiro. Adeus Suíça. Adeus Ilhas Cayman.
Felipe Cotta
Dinheiro não existe, é só um titulo que o estado garante que vale em alguma coisa, seja metal precioso ou outra moeda
DeadPool
Não sei o que aconteceu ou o que ta acontecendo,mais se da para trocar isso por dinheiro vou começar a prestar serviço na deep huehuehue
Gaius Baltar
O grande problema do bitcoin como moeda é a sua instabilidade. Não dá para confiar em uma moeda extremamente instável. Já como commoditie é muito bom pois permite transações com mais valias constantes.
Wendel Rocha
Um belo resumo de toda a problemática. Camps torcer pelo segwit.
Highlander
Qualquer governo sempre vai imprimir a sua moeda. Parte porque precisa repor o que é perdido e parte para dar suporte ao aumento da riqueza criada. Pense assim: as sociedades criam riqueza continuamente, mas se não tiver dinheiro suficiente para essa riqueza circular ela fica "presa" com o seu criador e não adianta de nada. Se os governos não criassem moeda nova a base circulante seria a mesma desde a invenção da moeda em questão? A quantidade de dólar circulante deveria ser a mesma que circulava em 1900? Mesmo com toda riqueza nova criada desde então? Pense um pouco e você verá que dizer que o governo criar moeda é ruim não tem sentido nenhum. O que é ruim é os governos criarem moeda A MAIS do que o necessário para repor o que é perdido e para circular a nova riqueza criada.
🧙‍♂️ Mago Erudito® ᴾᴿᴱᴹᴵᵁᴹ

No futuro nada existirá e tudo vai começar no t+0

Mago Erudito®
No futuro nada existirá e tudo vai começar no t+0
Marcos Guilherme
Obrigado farei.
Hugo Moraes
Vamos brincar de encher essa conta de bitcoins estou precisando de doação , 1EPA8boELqCDfFnz72GF8aaVeo5hr6Dj7N
Ligeiro
"É a evolução natural do dinheiro". Discurso egocêntrico este. Talvez o futuro não tenha dinheiro ou formas monetárias. Vai saber.
Ligeiro
Desde o início da criação das criptomoedas sempre tendi a ser contra, pois sentia que dentro do discurso de "liberdade economica", escondia alguma forma de disfarce para algo pior. Pense sobre.
Ligeiro
Nisso entra em um dilema: o Estado brasileiro é feito "por amigos", ou seja, por influência de grupos econômicos interessados. Lembremos que o ministro da agricultura é também o maior do mercado agricultor também, e há muitas reclamações e acusações em cima dele. Se o Estado é feito pela população, quem deveria ir atrás de fazer o Estado "do jeito que quer" é a própria população. Isso é política. Desde muito tempo o Brasil é desinteressado em política, confunde política com o dito "caudilhismo", a "política para amigos". Regras são criadas seja para proteção de grupos (como os de transporte ou advogados por exemplo) ou para proteção de interesses (empresariais ou sindicais). Brasileiro não sabe discutir (nem eu, admito). Ainda preferimos uma imposição do que um consenso. É difícil. Nisso, por isso que a cultura brasileira ainda tolera o "bandido bom é bandido morto" e demais discursos extremos, seja da direita ou esquerda. Enfim, o papo é logo e se dilui, mas acho que tu entendeu onde quero chegar.
Ligeiro
Que eu saiba, o lastro pode mudar conforme a necessidade econômica. O lastro da moeda brasileira, salvo engano, é o Produto Interno Bruto. Não entendo de economia, mas pelo que sei, a produção ou capacidade produtiva do país é que define o quanto de moeda o país pode imprimir. Voltemos ao ponto onde falo sobre "quem reclama do Estado não deveria usar nada do Estado". Salvo engano, no Brasil, muitos equipamentos e serviços são ofertados de forma livre, pagos pelos impostos (a parcela de dízimo que a população paga ao Estado ao efetuar alguma coisa que pode receber taxa, no caso brasileiro, as movimentações de compra e venda). Se o cara se diz "anarcocapitalista" ou "liberal odiador do estado", penso eu que para ser um cara puritano, ele deveria pagar tudo em Bitcoin ou em outra moeda aceita pelo cara que ele precisa de algo, desde que não seja uma moeda oriunda de um governo, ou seja, grande parte das moedas existentes. Sem ser bitcoins, ele pode trocar por "multiplus", "pontos no similes", inventar uma moeda própria, etc 8v. Se quer acabar com o Estado, basta não depender dele. Não estou ensinuando que você é anarcocapitalista, mas sim provocando você na discussão quando fala que "é contra o Estado".
Adriano
Haver regras nunca foi o problema. O que de fato há, é o excesso de regras limitantes, regulatórias e ineficientes criadas para ser o que são e que permitem a interferência do Estado sem necessidade e sem justa causa, criando exatamente o desequilíbrio que o Estado discursa combater.
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