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Vale a pena jogar: Returnal (PS5)

Returnal chega ao PS5 como um dos primeiros grandes exclusivos que se destacam por jogabilidade, tecnologia e beleza

Felipe Vinha Por
Returnal é um dos novos exclusivos do PS5 (Imagem: Divulgação/Sony)

Returnal é um dos novos exclusivos do PS5 (Imagem: Divulgação/Sony)

Existem certas tendências no mundo dos games que, quando dão certo, rendem vários outros jogos no mesmo estilo – alguns ruins, alguns muito bons. Returnal, título exclusivo do PS5 e produzido pelo estúdio Housemarque, faz parte do segundo exemplo. Uma espécie de “roguelike infinito”, a aventura conta com ideias interessantes, que renovam o que vimos em outros exemplos recentes e premiados.

Em sua natureza principal, Returnal é simplesmente um jogo de tiro em terceira pessoa, com bastante ação. Mas bastam poucos minutos de jogatina para descobrir seu verdadeiro objetivo e a forma como o jogo vai se apresentar ao usuário ao longo de suas horas e mais horas de partidas. E já adianto: se você gostou do recente Hades, vai se sentir em casa por aqui.

A inspiração é clara. Hades não inventou o gênero de roguelike e nem mesmo foi o primeiro game a trazer fases de geração processual, mas é um exemplo recente o suficiente de sucesso para justificar que outros títulos saiam em sua esteira. Em Returnal temos uma experiência parecida, mas com bastante personalidade e elementos que vão te surpreender e expandir este “gênero”, se é que posso classificar assim.

A história de Selene

Em Returnal começamos a história acompanhando tudo sob a ótica de Selene, uma astronauta que tem a missão de explorar o desconhecido planeta Atropos. Selene viaja em sua nave e pousa no local após ter relatos de que outros membros de sua equipe desapareceram por lá, mas os problemas começam já na aterrisagem.

Selene perde sua arma a lida com o desconhecido. Ela logo é confrontada com ambientes alienígenas e com elementos exóticos que não são familiares… Mas ao mesmo tempo são. Mais adiante, o primeiro choque: a personagem encontra um corpo de outro astronauta e passa a usar sua arma, mas o corpo é… O dela!

Selene é nossa protagonista (Imagem: Felipe Vinha/Tecnoblog)

Selene é nossa protagonista (Imagem: Felipe Vinha/Tecnoblog)

A partir daí Returnal nos mostra do que se trata, mesclando elementos de jogabilidade com sua história. Selene está presa em um loop temporal, assim como o jogador. A aflição que a personagem passa é a aflição que o jogador terá ao tentar sobreviver e prolongar este loop, para poder descobrir segredos e saber o que é tudo que o envolve.

Returnal faz uso inteligente de narrativa indireta. Não sabemos de todos os fatos no início e não há qualquer resumo. Você descobre tudo no tato e, aos poucos, o passado e futuro de Selene vai se desenrolando na frente de seus olhos. O mais interessante é que este é um game que nem precisava de algo assim, pois ele se garante bastante na jogabilidade, mas, já que tem, vale reforçar que é um enredo cuidadosamente e especialmente bem narrado.

O roguelike infinito

Mas, como falei de jogabilidade, vamos lá detalhar este ponto. O que vemos aqui é um game no estilo roguelike, mas com geração de fases aleatórias. Da mesma forma que aconteceu com tantos outros no passado, como Dead Cells, Rogue Legacy e o mais recente sucesso, Hades.

Como disse, não é algo novo. Mas, ao mesmo tempo, é recompensador ver como um tipo de jogo que já é tão bem explorado segue um caminho único sem precisar reinventar a roda. Returnal é mais ou menos nessa pegada. A aventura te apresenta naturalmente o seu estilo “morrer e renascer”, sem se preocupar em explicar muito as mecânicas e deixando pra você se virar com as consequências.

Toda vez que morre, Selene volta (Imagem: Felipe Vinha/Tecnoblog)

Toda vez que morre, Selene volta (Imagem: Felipe Vinha/Tecnoblog)

É assim mesmo que seguimos: em Returnal, toda vez que Selene morre, ela volta do início. Apenas o primeiro cenário é igual sempre. Ao atravessar uma porta vemos fases totalmente diferente do que estavam antes. O planeta é vivo? Não sabemos enquanto não desbravamos a história, mas na jogabilidade isso funciona que é uma delícia. A personagem mantém equipamentos e melhorias na habilidade, mas retorna quando morre ou se o jogador desligar o console enquanto joga, por exemplo.

Da forma como é apresentado, Returnal é quase natural em relação ao controle nas mãos do jogador. O game se esforça bastante para surpreender e isso acontece logo que as primeiras criaturas surgem pela frente da personagem, atirando projéteis como em um game “Shoot ‘em up” – o que, aliás, faz referência direta a produções anteriores da própria Housemarque.

Jogabilidade de Returnal surpreende (Imagem: Felipe Vinha/Tecnoblog)

Jogabilidade de Returnal surpreende (Imagem: Felipe Vinha/Tecnoblog)

E os controles são realmente naturais. É um jogo de tiro em terceira pessoa básico, com botão de pular, correr, andar, atirar e mirar. Mas isso não diminui em nada o charme que o estilo do game apresenta e nem fica limitado à proposta básica.

Mas saiba que Returnal vai além de meros combates e exploração. O jogo tem a narrativa intricada com a personagem principal e fatos que vão se desenrolando e controlando o que o jogador vê. Tudo isso acompanhado de registros na nave de Selene, que te dão uma ideia de quantos inimigos matamos, quanto tempo temos, entre outros dados interessantes.

O fator PS5

Podemos dizer que Returnal é um dos primeiros grandes exclusivos do PS5. Gosto sempre de lembrar que o console foi lançado em novembro de 2020 com apenas dois exclusivos: Demon’s Souls Remake e o Astro’s Playroom. Sendo que um deles era remake de outro game que já existe no PS3!

Returnal se destaca ainda mais no PS5 (Imagem: Felipe Vinha/Tecnoblog)

Returnal se destaca ainda mais no PS5 (Imagem: Felipe Vinha/Tecnoblog)

Agora, quase seis meses depois, vemos o console começar a receber as primeiras grandes promessas. Da mesma forma que a Housemarque fez com o PS4, com seu Resogun, é possível que Returnal tenha potencial para mostrar do que o videogame é capaz – isso por conta de inovações gráficas, de som, mas também de controles!

Returnal faz muito bom uso dos gatilhos adaptáveis do DualSense do PS5 e a própria vibração inteligente do joystick também entra em cena de maneira cabível. Não é nem necessário destacar tanto os gráficos, já que as imagens desta análise falam por si só. O jogo tem ray tracing, gráficos em 4K, 60 frames por segundo e tudo que um título de nova geração precisa ter.

Visualmente incrível, Returnal tem tudo para se destacar (Imagem: Felipe Vinha/Tecnoblog)

Visualmente incrível, Returnal tem tudo para se destacar (Imagem: Felipe Vinha/Tecnoblog)

Para além disso, é possível destacar ainda o incremento do SSD, o armazenamento do PS5. Ele faz a diferença em jogos como esse, onde a ação é parte da jogabilidade. Abrir portas correndo com Selene e ver o cenário surgindo de maneira instantânea vai te surpreender em todas as vezes que isso se repetir. Returnal passa uma sensação de rapidez, urgência e agilidade. E isso é graças à tecnologia do console.

Vale a pena?

É sempre uma tarefa muito difícil recomendar jogos de nova geração, por se tratarem de consoles caros e de jogos mais ainda – vale lembrar que Returnal custa US$ 70, ou seja, US$ 10 a mais que o preço padrão dos games de PS4 e derivados. Ainda assim, há jogos que parecem que foram feitos para mostrar do que determinado console é capaz e justificar seu investimento, Returnal se encaixa aqui. Se você quer um jogo que dure, tenha fator de “rejogabilidade” extrema e elementos de exploração interessantes, este pode ser seu investimento para o mês de maio com o PS5. No Brasil, o preço sugerido oficial é de R$ 350, mas ele pode ser encontrado em promoções que variam entre R$ 290 e R$ 300, vale avisar.

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