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Jogos mobile atraem cada vez mais hackers e cheaters

Com os jogos mobile cada vez maiores, melhores e mais lucrativos, cresce também o número de hackers e cheaters na plataforma

9 semanas atrás

Foi-se o tempo em que jogos mobile se resumiam a puzzles e títulos como Angry Birds. Na última década, a evolução exponencial dos smartphones e tablets permitiu a estúdios grandes ou independentes criarem títulos de altíssima qualidade, e dos mais diversos gêneros, como FPS, JRPG, MOBA, jogos de luta, RTS, corrida e por aí vai. Bastando ter um iPhone ou um Android decente, a adoção pelo público foi massiva.

Em 2020, os games mobile tiveram uma receita total de US$ 85 bilhões, um montante maior que o de PC (US$ 40 bilhões) e consoles (US$ 33 bilhões) juntos. Claro que todo esse público e grana fluindo atraem a atenção de gente mal intencionada, e a quantidade de hackers e cheaters em jogos móveis vem aumentando muito nos últimos tempos.

Genshin Impact (Crédito: Divulgação/miHoYo)

Genshin Impact (Crédito: Divulgação/miHoYo)

A onda de ataques de hackers e de espertinhos tentando conseguir vantagens não é uma coisa nova. No PC, que é Terra de Ninguém desde sempre, estúdios e desenvolvedores têm que cortar um dobrado apenas para manter as defesas de seus jogos em dia com os exploits descobertos, ainda mais em tempos onde o cross-play, que reúne jogadores nos computadores, consoles e celulares em uma mesma sessão, vem se tornando cada vez mais comum.

Entre novembro de 2017 e março de 2019, a indústria como um todo computou um total de 12 bilhões de ataques, dois terços deles concentrados em estúdios dos Estados Unidos, por conta dos jogos mais populares, como Fortnite e League of Legends, entre outros. Os objetivos principais visam invadir contas de usuário para adquirir conteúdos raros, como skins de personagens, para vendê-los por valores altos no mercado cinza.

As desenvolvedoras se viram como podem. Algumas adotam medidas próprias, como ferramentas de proteção contra trapaças, mais comumente vistas no PC, ou contratam serviços de terceiros, como a Denuvo, cujo software anti-cheat (que não é a ferramenta de proteção contra pirataria, que todo mundo odeia por derrubar a performance dos jogos) vai chegar aos consoles em breve.

Quando o mercado de games mobile começou a evoluir e oferecer uma gama enorme de jogos com ótima jogabilidade, bons roteiros, qualidade técnica e orçamentos que não devem em nada a lançamentos para PC e/ou consoles (alguns inclusive são multiplataforma, como Fortnite e Genshin Impact, entre outros), ele atraiu a atenção do público por três motivos.

League of Legends: Wild Rift (Crédito: Divulgação/Riot Games)

League of Legends: Wild Rift (Crédito: Divulgação/Riot Games)

Primeiro, não era mais preciso adquirir um PS4 ou um computador potente para jogar um game verdadeiramente bem feito, e celulares Android intermediários, que rodam a maioria dos títulos, são razoavelmente acessíveis, financeiramente falando, e servem para muito mais coisas do que apenas jogar. Até fazer ligações, dizem.

Segundo, a questão da mobilidade permite aos donos de celulares e tablets jogar onde quiserem, o que indiretamente matou o mercado de consoles portáteis. O Switch é um híbrido única e simplesmente porque a Nintendo se recusa a abandonar o segmento que ela mesma criou, com o Game Boy.

Terceiro, os jogos mobile são muito mais baratos do que os de consoles e PC, geralmente girando entre US$ 1 e US$ 5, salvo exceções como os títulos da Square Enix, que sempre cobrou caro por seus games. Há de se levar em conta também a estratégia dos jogos freemium, gratuitos que oferecem microtransações de diversas formas, o que inclui a variante dos gacha games, estes verdadeiras máquinas de fazer dinheiro. O recurso deu tão certo que até jogos AAA o usam, como Destiny 2.

Com o público jogando e gastando dinheiro, era evidente que os hackers logo voltariam suas atenções para a jogatina mobile. Diversos sites e fóruns, sejam na Deep Web ou fechados ao público comum, costumam compartilhar ferramentas ilegais que exploram as características de um jogo, de modo a burlar o sistema e conceder vantagens.

Jogos de FPS, como Call of Duty: Mobile, Garena Free Fire e PUBG Mobile, entre outros, sofrem com os usuários de uma ferramenta chamada "Chicken Drumstick", que acessa o código e concede vantagens como mira automática, correr mais rápido, modo invisível, ver através de paredes, modo invencível (imune a dano) e etc. Fortnite, por sua vez, é constantemente atacado por hackers que tentam invadir contas e roubar skins raras para vender, o que acontece também em outros jogos.

Call of Duty: Mobile (Crédito: Divulgação/TiMi Studios/Activision)

Call of Duty: Mobile (Crédito: Divulgação/TiMi Studios/Activision)

Jogos freemium também costumam sofrer com outra ferramenta infame, conhecida como "geradora de recursos". Este exploit, que pode ser um app ou um site específico, se conecta à conta de um usuário em um jogo para conceder uma quantidade exorbitante de moedas premium. Esta só pode ser conseguida com dinheiro real, e é usada para adquirir itens, personagens, armas e etc, ou usada para comprar recursos necessários dos pulls/girar a "roleta" nos games que usam mecânicas de gacha.

O combate aos hackers e cheaters é um jogo de gato e rato necessário e sem fim, porque o público jogador não perdoa um título que não faz por onde sanitizar seu ambiente, principalmente de espertinhos que prejudicam a experiência geral. É comum relatos de uso de aimbots e outras tramoias em jogos mobile, principalmente pelos mesmos poderem ser rodados no PC através de emuladores de Android, e em resposta, as desenvolvedoras descem o Banhammer com força.

Call of Duty: Mobile por exemplo já acumula mais de 350 mil contas banidas; Free Fire, mais de 1,2 milhão; PUBG Mobile é o campeão, com o jogo banindo uma média constante superior a 1 milhão de contas por semana.

O mercado mobile deve superar os US$ 100 bilhões em receita bruta em 2023, deixando o PC e os consoles para trás, mas é importante que desenvolvedores e estúdios, grandes, pequenos ou independentes, tenham em mente que a segurança dos dados dos usuários e a solidez do código devem ser características implementadas por design, de forma a garantir ambientes livres de hackers e cheaters, ou pelo menos, mais difíceis de serem invadidos, até para que o público continue consumindo seus jogos e investindo seu dinheiro em diversão de qualidade, e claro, segura.

Fonte: VentureBeat

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