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Distribuição digital: o futuro é incerto e o fim está sempre perto

Hideo Kojima lamenta a incerteza que ronda o futuro das obras que adquirimos digitalmente e nos faz pensar em como a distribuição digital pode ser perigosa

10/08/2021 às 11:23

Discorrer sobre as qualidades da distribuição digital é algo muito fácil, com o modelo tendo facilitado bastante a tarefa de obtermos os mais variados conteúdos. Porém, por mais vantajosa que ela possa ser quando comparada a algo que alguns já consideram ultrapassado, muitas pessoas ainda preferem ter as versões físicas de seus filmes, jogos ou músicas e para boa parte delas o motivo é simples: uma suposta garantia de que o conteúdo estará sempre disponível.

Distribuição digital e a incerteza com o futuro

Crédito: Reprodução/Sigmund/Unsplash

Peguemos como exemplo os filmes. Além de estarem espalhados pelos muitos serviços de streaming que invadiram o mercado nos últimos anos, em alguns casos os catálogos desses sistemas de assinatura são rotativos. Sendo assim, quem garante que aquele longa-metragem que tanto gosto ainda estará disponível na plataforma que pago mensalmente quando eu tiver vontade de assisti-lo?

No caso dos jogos o problema é ainda maior, com muitos perdendo suas porções online com o passar do tempo ou pelos mais variados motivos, simplesmente deixando de ser vendidos pelas empresas que os controlam. É verdade que em boa parte das vezes isso acontece com títulos antigos e que não despertam tanto interesse, mas novamente a pergunta a ser feita é: até quando terei acesso a algo que adquiri digitalmente?

É por isso que a falta de segurança em relação ao futuro das mídias digitais incomoda tanto uma parte dos consumidores, mesmo sabendo que não precisarmos mais sair de casa, ir até uma locadora para escolher um filme e depois ter a obrigação de refazer o caminho para devolvê-lo — sem falar em ter que rebobinar a fita, sob risco de pagar uma multa.

Entre as pessoas que tem se preocupado com o assunto está o game designer Hideo Kojima. Fã de cinema e um apaixonado por comprar CDs, o criador da série Metal Gear utilizou sua conta no Twitter para afirmar que sempre que lembra que esta forma de consumir músicas está desaparecendo, ele corre para garantir algum álbum. Depois o japonês elaborou sua opinião, lamentando justamente como a distribuição digital pode fazer com que percamos acesso a muitas coisas.

Eventualmente, mesmo os dados digitais não serão mais propriedades dos indivíduos por suas próprias iniciativas. Sempre que ocorrer uma grande mudança ou acidente no mundo, em um país, em um governo, em uma ideia, em uma tendência, o acesso a eles poderá ser repentinamente interrompido.

Nós não seremos capazes de acessar livremente os filmes, livros e músicas que amamos. Eu poderei ser um sem-nada. É disto que tenho medo, isso não é ganância.

Tal previsão pode parecer muito sombria, mas se pensarmos na quantidade de coisas que adquirimos apenas digitalmente, acredito que este seja um temor que deveria assombrar mais pessoas. Um exemplo disso pôde ser visto no Reino Unido, onde durante 2020 dois terços dos jogos vendidos por lá aconteceu de maneira digital, o que representa um aumento de 74% em relação ao ano anterior. Já em países como a Polônia, Alemanha, França e Países Baixos, o aumento ficou na casa de 50%.

Mesmo levando em consideração a maneira como a pandemia afetou o mundo e acelerou esta migração, o crescimento da distribuição digital de games é algo que já vinha sendo registrado e se há 15 anos poderia ser considerado algo próximo da insanidade dizer que as vendas físicas se tornariam a minoria, parece estar cada vez mais difícil encontrar quem prefira investir em jogos distribuídos desta maneira.

Crédito: Reprodução/Kevin Bidwell/Pexels

Contudo, ainda é cedo para decretarmos a morte dos jogos físicos. Ao colocarmos na mesma conta os consoles e acessórios vendidos na Terra da Rainha durante o ano passado, a estimativa é de que aquele mercado tenha movimentado algo em torno de £ 2,1 bilhões, o que significa 28% a mais que 2019. Ao todo, mais de 18 milhões de jogos foram vendidos fisicamente durante o período, um aumento de 2%.

Conforme defendem alguns da própria indústria, chegará o dia em que não teremos mais a opção de comprar um jogo, um filme ou músicas fisicamente, com a distribuição digital enfim assumindo o controle do mercado. Até lá, sempre que possível darei preferência em adquirir meus jogos com caixinha, pois além de assim haver menos chance deles um dia eles pararem de funcionar, ainda posso exibí-los numa estante. Mesmo assim admito, a praticidade de não precisar levantar do sofá nem para trocar o disco é uma maravilha!

Fonte: Videogames Chronicle

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