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Motorola Moto Tab G70: tablet "repeteco" direto ao ponto — Review

Tablet intermediário Moto Tab G70 é a versão Motorola do Lenovo Tab P11 Plus, com tela 2K de 11" e preço não tão salgado

07/06/2022 às 10:40

O Motorola Moto Tab G70 é um tablet intermediário para quem procura o uso básico de um produto de sua categoria: assistir filmes e séries, ler, jogar e ocasionalmente, usar apps de produtividade. A Samsung vem nadando praticamente sozinha nesse setor de dispositivos Android nos últimos anos, no que seus produtos são mais caros. Este, por sua vez, é uma opção mais acessível.

Curiosamente, o Moto Tab G70 é a versão Motorola de um produto já lançado antes pela matriz Lenovo, o Tab P11 Plus. Ambos produtos são idênticos em tudo, da apresentação ao hardware interno.

Motorola Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Motorola Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Como já existe um review completo deste produto no Tecnoblog, aqui irei apontar os prós e contras do Moto Tab G70 após duas semanas de testes. Claro, tudo o que for dito dele vale para o Lenovo Tab P11 Plus também.

Nota de transparência

Desde 2004, o Meio Bit publica análises opinativas com o intuito de ajudar os leitores a tomarem sua própria decisão de compra, seja de um gadget, um game ou um serviço/software/app. Nós somos francos em nossas opiniões e destacamos pontos positivos e negativos de igual maneira, não importando a natureza dos produtos, de modo a manter a integridade e transparência do site.

Ninguém externo à redação do Meio Bit teve acesso a este review de forma antecipada, bem como não houve nenhum tipo de interferência, pagamento ou direcionamento da Motorola, ou de terceiros, em relação ao seu conteúdo.

O Moto Tab G70 foi fornecido pela Motorola como empréstimo e será devolvido à empresa após os testes.

O Bom

Design: As linhas gerais do Moto Tab G70 lembram bastante o que a Apple faz com a linha iPad Air, sem curvas nas laterais. É uma apresentação bem sóbria e séria, ainda que a cor verde metalizada da traseira, em dois tons diferentes, chame bastante atenção.

A parte superior, de tom mais forte, oferece uma sensação de toque similar a borracha (não é), e no geral, a pegada é bem sólida.

Motorola Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Motorola Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Os botões de Volume ficam dispostos na lateral direita superior, e o Liga/Desliga no topo à direita, similar ao de um iPad. Na lateral esquerda, você encontra os conectores POGO para usar teclados físicos e/ou Smart Docks.

Na parte inferior direita, há a gaveta para o cartão microSD, visto que esta é a versão apenas Wi-Fi do tablet. No modelo com 4G/LTE, há também o slot para um cartão SIM.

No geral, o Moto Tab G70 é um tablet que possui uma boa apresentação geral, ele não parece ser um produto barato, ainda que fique em uma faixa de preço de entrada (para os padrões atuais do mercado).

Motorola Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Motorola Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Tela: Aqui o Moto Tab G70 surpreende. Embora equipado com um display de 11 polegadas LCD IPS, o componente integrado é de alta qualidade, apresentando resolução de 2.000 x 1.200 pixels (proporção 5:3) e brilho de 400 nits, que entregam uma boa qualidade de imagem.

Para um produto intermediário, faz sentido não encarecê-lo com uma tela OLED, mas ao menos aqui, a Motorola não usou um display qualquer, provavelmente por entender que o componente é o cartão de visitas de qualquer tablet que se preze.

Mesmo sem preto perfeito, as cores são vivas e as bordas, de apenas 8 mm, permitem um maior aproveitamento do espaço.

Motorola Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Motorola Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Alguns podem até reclamar da taxa de atualização de 60 Hz, mas de novo, o foco estava em oferecer um tablet acessível, mas bom. É possível assistir filmes e séries com conforto, e jogar sem problemas, o que nos leva à...

Performance: O processador equipado no Moto Tab G70 é um MT6785 Helio G90T, octa-core de 12 nanômetros da MediaTek. Em outros tempos, a menção a esses dois últimos elementos arrepiaria os cabelos (não é um problema para mim) de qualquer um, mas aqui, o SoC tem um desempenho bem decente.

Junto aos 4 GB de RAM LPDDR4, o tablet não apresentou problemas na hora de executar apps dos mais diversos, de produtividade (G Suite, Office) a entretenimento (Prime Video, HBO Max), e mesmo alguns jogos, ainda que hajam algumas ressalvas.

Foram testados 3 games diferentes, de gêneros distintos. O de corrida Asphalt 9: Legends, geralmente um software de benchmark por si só, rodou bem no modo de gráficos padrão, ainda que alguns momentos de lentidão pudessem ser notados.

Motorola Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Motorola Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Outro game rodado foi o popular JRPG de mundo aberto/gacha game Genshin Impact. Este apresentou uma compreensível perda de qualidade gráfica, mas manteve a taxa de quadros estável; por mais que a apresentação não fosse estelar, é perfeitamente jogável.

Por fim, o shoot'em up Azur Lane rodou sem nenhum tipo de lentidão, mesmo em momentos com muitos elementos (tiros) na tela ao mesmo tempo. Por ser um título 2D, era de se esperar que ele seria o que menos exigiria do hardware.

A menos que você vá rodar Crysis, o Moto Tab G70 é um bom produto para assistir conteúdo e jogar, incluindo aqui via streaming, graças a serviços como os jogos da nuvem do Xbox Game Pass, seja com controles de toque ou usando controles Bluetooth. Por fim, o kit acompanha uma capa dobrável, que permite usar o tablet em modo stand, liberando as mãos.

Som: Outro ponto de destaque, o Moto Tab G70 possui 4 alto-falantes e suporte a Dolby Atmos, algo totalmente atípico em um produto mais acessível. A qualidade sonora está bem acima da média aqui, embora hajam distorções em volumes mais altos.

Motorola Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Motorola Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Quem busca qualidade sonora em primeiro lugar vai preferir usá-lo com fones de ouvido ou caixas de som Bluetooth, mas o som padrão definitivamente não faz feio.

O Mau

Biometria: A câmera selfie do tablet possui recursos de reconhecimento facial que, na prática, são apenas um gimmick. A cada 10 tentativas de desbloquear o aparelho, o Moto Tab G70 só acertou 4.

Na minha opinião, a Motorola deveria ter adicionado um leitor de digitais, que seria muito mais útil. E preciso.

Espaço interno: 64 GB de espaço em um tablet é muito pouco, ponto. Por ser um item usado mais como uma ferramenta de consumo de mídia e lazer, os fabricantes deveriam se atentar que um produto do tipo pede pelo menos 128 GB.

A Motorola, assim como outras empresas, joga com o mínimo possível e dessa forma, perfis de usuários diferentes terão experiências distintas. Uma pessoa que só usa um tablet para ver filmes pode não se incomodar, mas quem joga títulos mobile (que andam cada vez maiores) precisam ser bem seletivos sobre o que instalar.

Motorola Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Motorola Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Bateria: Não chega a ser um ponto fraco, mas os 7.700 mAh poderiam fazer mais. Em meus testes, eu tirei o Moto Tab G70 da tomada às 8:00 e rodei 2 horas de streaming de vídeo, 2 horas de streaming de áudio, 1 hora de navegação via Edge, 30 minutos de G Suite e 1 hora de jogos, Asphalt 9: Legends e Azur Lane (30 minutos cada), sempre com o brilho no máximo.]

Por volta das 21:00, a bateria marcava 37%, no que eu esperava pelo menos 45%. Não é ruim, mas podia ser melhor.

O Feio

Atualizações do Android: mais uma vez novamente again, a companhia não deu atenção ao pós-venda. O Moto Tab G70 sai da caixa rodando Android 11, e a Motorola garantiu um update para o Android 12. E é isso, a mesma política da linha Moto G.

O fato que o produto já vem de fábrica com uma versão anterior do sistema operacional do Google, e só terá acesso à lançada em 2021, mais uma vez mostra que a Motorola/Lenovo não tem interesse em garantir updates de sistema a seus produtos, mesmo os de ponta, vide o rolo com o Edge+ e a gambiarra Moto G100, um celular premium, mas por ser da linha Moto G, ficou com um update apenas. O G10, nem isso.

No mais, o Moto Tab G70 terá acesso a 2 anos de atualizações de segurança, mas em comparação ao que a Samsung vem fazendo, é muito pouco. Coloque a Apple na mistura e a Motorola toma uma surra ainda maior no pós-venda.

Claro, sempre há a possibilidade de usar forks do Android para estender a vida útil de um aparelho, mas como neste caso o SoC é da MediaTek, não conte muito com isso (a declaração é de 2018, mas a posição da empresa não mudou desde então).

O Resto

Câmeras: Tablets não são o melhor gadget para ser usado como aparelho fotográfico. No geral, a câmera principal serve mais para clicar e escanear documentos, e a selfie para chamadas de vídeo. Assim, o kit no Moto Tab G70 é bem básico.

A principal, com 13 megapixels, captura fotos com definição OK e filma em 1080p, o mesmo valendo para a selfie, de 11 MP.

Foto tirada com a câmera principal do Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Foto tirada com a câmera selfie do Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Não dá para exigir mais do que isso de um tablet intermediário, até porque, de novo, eles não são o aparelho mais confortável e ergonômico para tirar fotos e gravar vídeos.

Software: O Android 11, com a interface My UX da Motorola, não é muito diferente do visto em celulares da empresa, com duas diferenças. A primeira (abaixo) é o Google Entertainment Space, uma espécie de hub acessível por um ícone à esquerda, na tela inicial.

Ele concentra apps de streaming de áudio e vídeo, games e livros, e funciona mais como uma central de sugestões, algo que alguns podem achar útil.

Motorola Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

O outro é o Google Kids Space, que uma vez ativado, transforma o Moto Tab G70 em um dispositivo voltado para uso por crianças, restringindo o acesso apenas a apps e conteúdos infantis , com opções de monitoramento e controle de pais, que podem desbloquear o modo padrão do tablet.

No mais, não há muito o que inventar em termos de software, e a Motorola não o faz.

Conclusão

O Motorola Moto Tab G70 é um tablet intermediário, que fica entre as opções de ponta como os iPads e a linha Galaxy Tab S8, e os mais simples, porém impossíveis de serem usados. Este concorre diretamente com o Galaxy Tab A8 (2021) da Samsung, que possui preço semelhante e também roda Android 11.

A versão apenas Wi-Fi, testada neste review, tem preço sugerido oficial de R$ 1.799, seguido por alguns varejistas. No entanto, seu "gêmeo" Lenovo Tab P11 Plus pode ser encontrado por R$ 1.549, no que são o mesmo produto. Eles só diferem na cor da traseira, verde no primeiro e cinza no segundo.

Motorola Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Se você encontrar uma promoção em que um estiver com um preço menor do que o outro, pegue o mais em conta e você terá a exata mesma experiência. No mais, o Motorola Tab G70 e o Lenovo Tab P11 Plus são um tablet acessível, que não sacrifica a performance e experiência de uso.

Pelo contrário, há recursos e desempenho que não devem nada a modelos mais caros.

Motorola Moto Tab G70 — Ficha Técnica

  • Tela: IPS LCD de 11 polegadas, proporção 5:3, taxa de atualização de 60 Hz, brilho de 400 nits e resolução de 2.000 x 1.200 pixels (212 ppi);
  • Processador: MediaTek MT6785 Helio G90T (12 nm), octa-core com 2 núcleos Cortex-A76 de 2,05 GHz e 6 Cortex-A55 de 2 GHz;
  • GPU: Mali-G76 MC4;
  • Memória RAM: 4 GB;
  • Armazenamento interno: 64 GB;
  • Armazenamento externo: Expansível via microSD de até 1 TB;
  • Câmera traseira: 26 mm (Wide) de 13 megapixels, abertura f/2,2, autofoco e Flash LED, grava em 1080p a 30 quadros por segundo (fps);
  • Câmera selfie: 8 megapixels, abertura f/2,0, grava vídeos em 1080p a 30 fps;
  • Sensores: Proximidade, acelerômetro, giroscópio;
  • Conectividade: Wi-Fi 802.11ac (Wi-Fi 5), Bluetooth 5.2, AD2P, BLE, A-GPS, GLONASS;
  • Bateria: 7.700 mAh, com suporte a carregamento rápido de 20 W;
  • Portas: USB Type-C 2.0 e conectores POGO para teclados/smart docks;
  • Sistema operacional: Android 11 com interface My UX;
  • Dimensões: 258,4 x 163 x 7,5 mm;
  • Peso: 490 g;
  • Cor: Verde.

Pontos fortes:

  • Bem construído;
  • Tela de qualidade, mesmo sendo LCD;
  • Som excepcional para um tablet.

Pontos fracos:

  • De novo, só uma atualização do Android;
  • Tablets precisam de mais de 64 GB de espaço;
  • Reconhecimento facial erra mais do que acerta, logo...
  • ...um leitor de digitais seria mais útil.

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