Tecnologias de proteção de direitos autorais são uma das maiores polêmicas do HTML5. Elas são importantes para que possamos ouvir músicas no Spotify ou assistir aos vídeos da Netflix no navegador sem a necessidade de plugins de terceiros, como Flash ou Silverlight, por exemplo. Os principais browsers já adotaram o DRM ao longo dos últimos anos, e ele acaba de ser publicado como um padrão.

Mais especificamente, a W3C (World Wide Web Consortium), organização que define os padrões da web, publicou como recomendação as especificações das Encrypted Media Extensions (EME), ou Extensões de Mídia Criptografada, em tradução oficial, que permitem implantar tecnologias de proteção de conteúdo diretamente no navegador.

A votação não foi unânime, nem de longe. Naturalmente, empresas como Netflix, Google e Apple apoiaram o padrão, enquanto organizações como a Free Software Foundation rejeitaram a ideia. Em 2014, a Mozilla decidiu implantar DRM para vídeos no Firefox mesmo sendo contra — se não aderisse, os usuários passariam a ter dificuldades para acessar conteúdo protegido, o que faria o Firefox perder adeptos.

DRM (Imagem por EFF)

As EMEs, sozinhas, não são uma tecnologia de DRM. Elas precisam dos chamados Content Decryption Modules (CDM), que gerenciam os direitos autorais e a criptografia. A W3C explica: “Apesar das EMEs deixarem os usuários terem mais controle sobre como interagem com conteúdo protegido, as EMEs não criam nem tornam mandatório o Gerenciamento de Direitos Digitais (DRM)”.

É aí que mora a polêmica: os CDMs são tecnologias proprietárias, o que dificulta a adoção por softwares de código aberto (como o Firefox). De qualquer forma, no final das contas, as EMEs foram aprovadas por 58,4% dos membros da W3C, contra 30,8% de votos contra e 10,8% de abstenções, como informa o Ars Technica.

Segundo a W3C, as EMEs “melhoram a acessibilidade do vídeo online criptografado, em contraste com os mecanismos existentes, operando a um nível em que não interferem com a transmissão ou o controle das informações de acessibilidade”, e os “navegadores têm a opção de não implementá-las; nesse caso, o browser terá total capacidade de suportar conteúdo não criptografado”.

Na prática, muda para quem é usuário do Chrome, Internet Explorer, Edge, Safari ou Firefox: esses navegadores já implantaram EME nos últimos anos, e é por isso que você já consegue acessar vários serviços de mídia sem precisar de plugins de terceiros.

Comentários

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Deealt Noubeza ( ͡° ͜ʖ ͡°)

vai dar merda... DRM sempre deu merda.
https://uploads.disquscdn.c...

Deealt Noubeza ( ͡° ͜ʖ ͡°)

tem termos o modelo copyright DMCA que é usado no "mundo" sempre foi um lixo, até o modelo de propriedade intelectual é tão ruim quanto o CR.

mas dá dinheiro, então dane-se.

Anayran Pinheiro

Vitória bem acirrada, mostra como muitos não aceitam o modelo de DRM vigente. Porém o real problema é como o modelo de Copyright está implantado nos EUA, e isso impacta diretamente neste tipo de discussão.

Molinex

Sim, mas aí não daria pra fazer negócios... $$$
Durante um bom tempo netflix, spotfy, rodavam quase que exclusivamente no chrome, e até hoje, tem restrições para usar esses serviços em outros navegadores. Isso me cheira a dinheiro envolvido na parada...

Alberto Prado

Pior que se fosse aberto e universal, talvez seria até melhor pra eles, pois muito provavelmente seria mais eficiente.

Jacques

E o melhor, tenho fontes que já tem ferramentas capazes de REMOVER qualquer criptografia da netflix, inclusive dos videos em 4k HDR.

DRM só serve pra atrapalhar o consumidor legal, vide a restrição de resolução pra browsers diferentes.

Renan

Como foi o desempenho do DRM contra jogos piratas? Não funcionou. VAMO USA TAMEM

Molinex

CDMs aprovados e tudo continua da mesma forma...
Eu inocentemente achando que teriamos um padrão aberto universal, e qualquer um poderia usar a tecnologia, mas não...
Continua tudo como sempre foi...

Antonio Araújo

Como se adiantasse né. Sai uma serie exclusiva Netlfix, mesmo dia aparece em site de Torrent qualquer.