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The Stanley Parable satiriza a falsa liberdade de escolha em videogames

Em uma sátira divertida e inteligente, The Stanley Parable critica as estruturas de escolhas nos jogos e mostra como o livre arbítrio pode ser uma grande ilusão

Murilo Tunholi

Por

Especial
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Videogames se vendem como mídias interativas nas quais o jogador controla os resultados de acordo com suas escolhas. The Stanley Parable é um jogo independente que satiriza essa ideia para mostrar que livre arbítrio é, na verdade, uma grande ilusão. Essa crítica é feita de forma inteligente e cômica, te fazendo pensar e rir ao mesmo tempo. Nas linhas a seguir, compartilho minha experiência com o título da Galactic Cafe.

The Stanley Parable (Imagem: Divulgação/Galactic Cafe)

Antes de tudo, vale explicar que The Stanley Parable é um jogo popular, lançado em 2013 no Steam, então é difícil conhecer alguém que nunca tenha ouvido falar dele nos últimos oito anos. Resolvi revisitar esse indie por causa de uma conquista bem peculiar chamada “Go outside”, cujo objetivo é não abrir o game por cinco anos. Agora, em 2021, posso finalmente dizer que estou mais um passo próximo de platinar essa aventura.

O fim nunca é o fim em The Stanley Parable

The Stanley Parable (Imagem: Divulgação/Galactic Cafe)

Sem mais delongas, vamos ao jogo. The Stanley Parable é um game totalmente narrativo — ou seja, não há combates, armas ou inimigos tentando te matar (ou será que tem?). No enredo, você assume o papel de Stanley, o funcionário número 427 de uma empresa qualquer. Sua função no escritório é simples: ficar apertando botões e obedecendo ordens sem questionar, e ele é feliz com isso.

A rotina de Stanley no trabalho faz uma alusão ao ato de jogar videogames — apertar botões enquanto obedece as regras dos jogos para chegar em um resultado recompensador. Em certo ponto, isso também pode ser visto como um analogia ao mundo real. Nós somos pressionados pela sociedade a seguir um roteiro de vida. Precisamos estudar, fazer faculdade, arranjar um emprego, ter filhos… Tudo isso sem questionar o sistema.

Em um belo dia, Stanley deixa de receber ordens de seus superiores e fica confuso, como se não tivesse mais propósito na vida. Ele levanta da cadeira para buscar ajuda de colegas da empresa, mas percebe que todos sumiram do nada. É aí que entra o verdadeiro protagonista da parábola — o narrador —, que guia Stanley em sua jornada por essa suposta liberdade recém obtida.

Esse narrador aparece como uma voz do além que diz o que Stanley deve fazer para voltar à vida normal. Porém, você pode escolher obedecer as ordens ou ser teimoso e seguir o seu próprio caminho. Dependendo das suas escolhas, o jogo pode terminar em um dos 18 finais disponíveis, sendo que nem todos são bons. Não há um caminho certo para terminar a história, e muitas vezes o fim pode ser só mais um começo.

Em The Stanley Parable, o jogo é quem joga você

The Stanley Parable (Imagem: Divulgação/Galactic Cafe)

A grande sacada é, por haver tantas possibilidades de escolha, parece que é você quem está no controle da história. Na verdade, é o contrário. O narrador é quem controla você. Independente do caminho que você faça, o narrador vai encontrar uma forma de questionar as suas decisões e te alertar sobre as possíveis consequências delas.

The Stanley Parable, de forma proposital, faz isso para criticar os videogames recentes, os quais são narrativas lineares, mas oferecem escolhas aos jogadores para criar uma falsa ilusão de livre arbítrio. Você não tem poder de decidir nada, e sua única tarefa é seguir um script com início, meio e fim. Se você tem interesse em entender como funciona a criação de narrativas para games, esse jogo é mais que obrigatório.

Por mais que toda essa viagem pareça muito complicada, cada final de The Stanley Parable dura menos de uma hora. Em apenas um dia, dá para terminar os 18 caminhos sem muitos problemas, ainda mais se você usar um guia para não acabar caindo no mesmo loop duas vezes. Além disso, o narrador não poupa no humor e no sarcasmo na hora de falar com Stanley, então a história fica bem mais leve.

Na parte de gameplay, não tem muito mistério. Só é possível andar, se agachar e interagir com objetos. Como o foco é na narrativa, então tudo bem. Os gráficos também não são impressionantes para o padrão de hoje, visto que o jogo é desenvolvido no motor gráfico Source, da Valve, usado também em Half-Life, Portal, entre outros títulos clássicos. The Stanley Parable está disponível apenas para PC no Steam e na Epic Games Store.

The Stanley Parable: Ultra Deluxe chega em 2022

The Stanley Parable: Ultra Deluxe (Imagem: Divulgação/Crows Crows Crows)

Vale mencionar que, no início de 2022, o jogo será relançado pelo estúdio Crows Crows Crows, com caminhos e finais inéditos para a história, além de gráficos atualizados para a nova geração e disponibilidade para computadores e consoles. The Stanley Parable: Ultra Deluxe será um novo jogo, mas o lema continuará sendo o mesmo: “o fim nunca será o fim”.