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Para a Apple, o notch é hoje tão importante quanto a maçã

Com os novos MacBooks Pro com chips M1 Pro e Max, Apple deixa claro que o notch é uma opção de design e identidade visual

19/10/2021 às 11:30

Quando a Apple introduziu o notch no iPhone X em 2017, ele foi uma decisão de design para apresentar um smartphone que fosse o mais próximo do design sem bordas que estava se tornando o padrão entre os aparelhos Android. O recorte superior abrigava a câmera e sensores do Face ID, recurso de identificação que substituiria (não completamente, depois se percebeu) o Touch ID.

Passado o momento inicial em que os concorrentes tiraram sarro e depois copiaram o design, muitas outras companhias adotaram outras soluções para acomodar a câmera e sensores frontais, com a Apple livre para implementar o notch como uma identidade visual, cimentada agora com a chegada do recorte aos novos MacBooks Pro de 14 e 16 polegadas.

A Apple decidiu que o notch é importante para diferenciar o MacBook Pro de outros laptops (Crédito: Divulgação/Apple)

A Apple decidiu que o notch é importante para diferenciar o MacBook Pro de outros laptops (Crédito: Divulgação/Apple)

A Apple não foi a primeira a investir em um design quase sem bordas em celulares, mas foi ela quem deu o primeiro passo para tentar minimizá-las ao máximo. Na época, a existência do notch era justificada porque ninguém tinha conseguido desenvolver recursos para permitir o correto funcionamento da câmera frontal com espaços limitados. Como consequência todo mundo imitou a maçã, mesmo quem inicialmente fez chacota do recurso.

Com o tempo, fabricantes de aparelhos Android começaram a adotar outras soluções. Algumas implementam hoje recortes mínimos na forma de spots recortados, e sensores miniaturizados ou sob a tela, enquanto outras preferem a abordagem totalmente sem bordas, colocando o sensor sob a tela, embora esta opção nem sempre seja elegante.

Todo mundo pensou que a Apple se livraria do notch com o tempo, por razões bem óbvias. Ele é feio, enorme e desnecessário, e ocupa uma parte considerável da tela do iPhone, mas até dá para argumentar a seu favor devido a presença necessária dos sensores para o Face ID, herdados do Kinect.

Pode-se dizer que a Apple não quer prejudicar a experiência do seu sistema de detecção de rostos com um furo na tela ou com sensores por baixo do display, mas com outras empresas apresentando bom resultados finais fazendo tudo isso, e a não só recusa de Cupertino em remodelá-lo (no máximo ele ficou ligeiramente menor), ficou evidente que o recorte é uma decisão de design.

O notch é hoje um elemento essencial para que um observador possa facilmente identificar um iPhone quando visto de frente, tanto quanto a maçã é na parte de trás.

No iPhone, o notch abriga a câmera e sensores do Face ID; nos novos MacBooks Pro, só a câmera (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

No iPhone, o notch abriga a câmera e sensores do Face ID; nos novos MacBooks Pro, só a câmera (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

O notch nunca foi incluído na linha iPad, com os modelos Pro pulando direto para um design com bordas mais finas, hoje também adotado pelas linhas mini e Air (só o iPad padrão mantém o botão Home e bordas largas). Isso não quer dizer que estes não estejam imunes à sua inclusão no futuro, visto o que a Apple fez com os novos MacBooks Pro.

Os modelos de 14 e 16 polegadas trazem displays mini-LED e processadores Apple M1 Pro e M1 Max estado-da-arte, mas o que está chamando a atenção de primeira é a presença do notch. Mais ainda pelo fato de que diferente do que acontece com o iPhone e iPad, os novos Macs não possuem o recurso de Face ID. O recorte acomoda a câmera, que agora é Full HD e possui uma abertura maior, e nada mais.

Dá para entender o raciocínio da Apple nesse quesito, se aceitarmos que o notch é uma decisão estética como uma afirmação de identidade. O mercado de laptops hoje apresenta modelos de diversos fabricantes, algumas um pouco mais caras-de-pau do que outras, que copiam sem cerimônia o visual dos MacBooks. Olhando de frente e estando a uma distância considerável, não dá para dizer qual é qual.

A maçã reluzente por si só é um identificador poderoso, mas que só está visível para quem vê o MacBook Pro de costas. Nesse sentido, a inclusão do notch permite à Apple que seu produto se destaque na multidão, independente de qual seja o ângulo de quem o está vendo de fora, mesmo que o recorte não tenha nenhum uso prático. Para Cupertino, garantir que seus produtos possam se destacar entre o mar de mesmice é o mais importante.

Não obstante, a Apple ainda está agarrada ao design clássico dos MacBooks, de certa forma. Aplicações em modo de tela cheia ocultam o notch e a barra de menus, fazendo com que a borda preta da tela se some à da tampa do laptop, e apresente a mesma espessura e formato da presente nos modelos antigos.

No mais, a tela em si não foi prejudicada. Elas possuem proporções 14:9 e resoluções Retina XDR de 3.024 x 1.964 (14") e 3.456 x 2.234 pixels (16"), com tecnologia mini-LED, a mesma de display empregada no iPad Pro lançado em 2021, e que a maçã e outras fabricantes deverão adotar como opções de maior definição em telas para produtos diversos, frente aos tradicionais LCD e LED.

No modo de tela cheia, o notch some e a borda superior se torna igual a vista em MacBooks anteriores (Crédito: Divulgação/Apple)

No modo de tela cheia, o notch some e a borda superior se torna igual a vista em MacBooks anteriores (Crédito: Divulgação/Apple)

É evidente que os novos MacBooks Pro serão os laptops a serem batidos em performance pelo próximo ano, e muito provavelmente serão os mais potentes voltados a profissionais que o dinheiro pode pagar (e é muita grana, acredite), mas é fato que a adição do notch não acrescenta em nada para o produto, e para alguns será uma adição grotesca à tela.

A questão é que a Apple julgou ser mais importante, em detrimento do que os usuários queriam, definir o notch como uma marca para identificação tão importante e forte quanto é o seu logo oficial, o tipo de elemento que qualquer um olha de longe e conclui "é um MacBook".

Isso, claro, até os concorrentes decidirem imitar a maçã outra vez e em breve termos uma inundação de laptops com notch no mercado, mas assim como aconteceu com os smartphones Android, isso não deve durar, deixando os MacBooks sozinhos com a "franja". E é muito provável que seja isso o que a Apple tem em mente.

Fonte: The Next Web

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