Disney registra patente de blockchain para combater piratas de filmes

Em nova patente, Disney descreve sistema em blockchain que previne vazamento de conteúdo antes do lançamento

Bruno Ignacio
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• Atualizado há 2 anos e 6 meses
Disney+. (Imagem: Reprodução/Disney)
Disney+ (Imagem: Reprodução/Disney)

A Disney, uma das maiores produtoras de conteúdo do mundo, registrou uma nova patente para um sistema antipirataria que dificultaria a interceptação de filmes antes deles chegarem aos cinemas. Chamado de “Configuração em Blockchain para a Entrega Segura de Conteúdo”, o projeto visa ajudar a resolver um dos maiores problemas da distribuição de produções originais na internet.

Como uma empresa de entretenimento, a pirataria é um dos maiores obstáculos que a Disney enfrenta hoje em dia. Muitas vezes, filmes e séries vazam na internet e são distribuídos em sites não licenciados logo após (e às vezes até mesmo antes) de seus lançamentos oficiais.

Por isso, a Disney vem trabalhando sem parar para combater a pirataria de seu conteúdo em coalizão com a Alliance for Creativity in Entertainment (ACE). Até hoje, a empresa já ajudou a derrubar inúmeros sites e plataformas de pirataria para garantir a exclusividade dos lançamentos de seus filmes nos cinemas e no seu serviço de streaming Disney +.

Patente previne vazamentos antes do lançamento

No entanto, a gigante do entretenimento está tentando evitar o problema, além de combatê-lo diariamente. Uma patente recente propõe um sistema de distribuição de mídia baseado em blockchain que visa prevenir vazamentos e pirataria de conteúdo ainda não lançado.

Intitulada “Configuração de Blockchain para a Entrega Segura de Conteúdo”, a patente se concentra nas produções para cinemas justamente porque o processo é mais vulnerável, permitindo que pessoas com as conexões certas possam fazer cópias durante ou após a entrega do conteúdo finalizado.

Mesmo já existindo vários mecanismos de segurança em vigor para evitar a ocorrência de vazamentos, a Disney acredita que isso não é o suficiente. Os cinemas têm que seguir regras estritas, por exemplo, e todos os filmes têm marca d’água, mas a pirataria continua.

Blockchain evita pirataria antes de ela acontecer

“Alguns mecanismos de segurança costumam ser reativos, e não preventivos. Por exemplo, as configurações de marca d’água a inserem no conteúdo para rastrear a pirataria após o vazamento já ter ocorrido. Com isso, os processos atuais não previnem adequadamente a divulgação não autorizada”, explicou a empresa no descritivo da patente.

A Disney argumenta que, ao implementar um sistema seguro baseado em blockchain, o processo de distribuição pode ser controlado de forma mais rígida, impossibilitando a exibição de um filme antes de ser lançado. “Em contraste com os mecanismos anteriores, o blockchain verifica se o conteúdo é recebido no destino pretendido antes de permitir sua reprodução”, diz a patente.

Além dessa funcionalidade base, o sistema também pode ser configurado para outros recursos antipirataria. Por exemplo, ele pode rastrear o número de vezes que um filme é reproduzido para evitar que atores mal-intencionados o exibam com mais frequência do que deveriam, identificando vazamentos no processo.

“A configuração do blockchain tem um mecanismo de auditoria automatizado que rastreia a reprodução do conteúdo no destino para garantir que a quantidade de reproduções seja registrada com precisão. Portanto, a pirataria pelo destinatário pretendido, na forma de uma maior quantidade de reproduções reais do que reproduções relatadas, é evitada. ‘

Trata-se de uma patente, portanto o sistema ainda não está em desenvolvimento e a Disney sequer tem a obrigação de dar sequência à ideia. O projeto também não resolveria todo o problema de pirataria, mas sim evitaria vazamentos antes de lançamentos oficiais. Porém, uma vez que o conteúdo chega aos cinemas ou a plataformas de streaming, é muito mais difícil controlar sua cópia e reprodução por terceiros.

Com informações: TorrentFreak

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Bruno Ignacio

Bruno Ignacio

Ex-autor

Bruno Ignacio é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Cobre tecnologia desde 2018 e se especializou na cobertura de criptomoedas e blockchain, após fazer um curso no MIT sobre o assunto. Passou pelo jornal japonês The Asahi Shimbun, onde cobriu política, economia e grandes eventos na América Latina. No Tecnoblog, foi autor entre 2021 e 2022. Já escreveu para o Portal do Bitcoin e nas horas vagas está maratonando Star Wars ou jogando Genshin Impact.

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