Quando a Fitbit comprou a Pebble, as estimativas eram de que o valor da transação não teria passado de US$ 40 milhões. Isso já era um triste fim para uma empresa que desenvolveu bons smartwatches e se antecipou a gigantes da tecnologia, que entrariam depois no mercado. Acontece que a compra foi ainda mais barata que o esperado: US$ 23 milhões.

O valor foi confirmado no relatório financeiro da Fitbit divulgado nesta quarta-feira (22) e considera apenas as propriedades intelectuais da Pebble — as dívidas não foram assumidas pela nova dona. O documento também informa que a Fitbit pagou US$ 15 milhões pela Vector, que desenvolvia smartwatches de luxo com bateria de até 30 dias e também teve seus produtos descontinuados.

US$ 23 milhões não parece muita coisa quando pensamos nas boas campanhas da Pebble no Kickstarter. Só o Pebble Time, por exemplo, arrecadou US$ 20,3 milhões. O crowdfunding mais recente, para lançar os novos Pebble 2, Pebble Time 2 e Pebble Core (os dois últimos nem chegaram ao mercado), atingiu US$ 12,8 milhões. Ainda assim, a Pebble enfrentava dificuldades para pagar sua operação.

Fãs do Pebble levaram um balde de água fria com informações divulgadas recentemente pelo Wareable: segundo uma fonte, a Fitbit tem “zero interesse” em desenvolver um relógio ao estilo do Pebble ou Vector. Os planos internos seriam de lançar um concorrente do Apple Watch, com tela AMOLED sensível ao toque, suporte a pagamentos e foco em fitness (e talvez uma bateria medíocre).

Nem a própria Fitbit, que é líder no mercado de wearables e vem comprando todo mundo, anda muito bem. A empresa demitiu recentemente 110 pessoas, 6% de sua força de trabalho, e teve prejuízo de US$ 102,8 milhões em 2016.

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Paulo Higa

Paulo Higa

Ex-editor executivo

Paulo Higa é jornalista com MBA em Gestão pela FGV e uma década de experiência na cobertura de tecnologia. No Tecnoblog, atuou como editor-executivo e head de operações entre 2012 e 2023. Viajou para mais de 10 países para acompanhar eventos da indústria e já publicou 400 reviews de celulares, TVs e computadores. Foi coapresentador do Tecnocast e usa a desculpa de ser maratonista para testar wearables que ainda nem chegaram ao Brasil.