Provedores de IPTV pirata são alvo de extorsão por hackers

Serviço que oferece lista de IPTV pirata é invadido; hacker ameaça vazar dados de usuários e pede US$ 70 mil em bitcoin

Lucas Braga
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• Atualizado há 2 anos e 5 meses
IPTV pirata
Usuários de IPTV pirata correm risco de vazamento de dados após ataque hacker (Imagem: Mohamed Hassan/Pixabay)

As listas de IPTV pirata normalmente funcionam de forma discreta: é importante que os dados do mantenedor do provedor e dos clientes estejam seguros, uma vez que toda a operação é ilegal. No entanto, prestadores desse tipo de serviço estão sendo alvos de hackers que ameaçam extorsão para não vazar as informações ao público.

Hacker pediu US$ 70 mil para não vazar dados de clientes

Normalmente os provedores de IPTV pirata são procurados pela polícia e outros órgãos oficiais, mas um grupo de hackers pediu 70 mil dólares em bitcoins para a lista PrimeStreams em 2019 pelo silêncio das informações. Estima-se que o invasor também atacou pelo menos outros 50 serviços de menor porte.

Moderadores de um fórum online sobre IPTV suspeitam que os ataques estão ligados à plataforma WHMCS Smarters, que vende softwares completos para criação de serviços de TV por assinatura via internet. No entanto, a companhia informou ao TorrentFreak que o hacker não está envolvido com a empresa.

O grande problema de ataques como esses é que não há como recorrer: por operar de forma ilegal, o provedor de IPTV não pode procurar a polícia; ao mesmo tempo, o pagamento do montante solicitado pelo invasor não garante que os dados dos clientes sejam preservados pelo hacker.

Vale lembrar que nem todo IPTV é ilegal e existem serviços legítimos disponíveis no Brasil, prestado inclusive por operadoras como Claro, DirecTV, Vivo e Oi. O mesmo vale para TV Box, uma vez que existem modelos certificados de grandes fabricantes como Xiaomi, Elsys e Roku.

Provedores de IPTV são alvos da Polícia no Brasil

No Brasil, provedores de IPTV são alvos de operações de órgãos oficiais. A Operação 404, deflagrada pelo Ministério da Justiça em conjunto com a Polícia Civil, bloqueou ou removeu mais de 300 serviços de TV pirata pela internet que atendiam cerca de 26 milhões de pessoas.

Fiscalizações da Receita e Anatel apreenderam 70 mil TV Box (Imagem: Divulgação/Receita Federal)

Fiscalizações da Receita e Anatel apreenderam 70 mil TV Box (Imagem: Divulgação/Receita Federal)

Outras operações também fecharam o cerco contra a pirataria: a Anatel e a Receita Federal fizeram diversas fiscalizações durante o ano de 2020 que resultaram no confisco de dispositivos ilegais e não-homologados. Apenas entre agosto e setembro mais de 70 mil TV Box foram apreendidas no Porto de Santos.

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Lucas Braga

Lucas Braga

Repórter especializado em telecom

Lucas Braga é analista de sistemas que flerta seriamente com o jornalismo de tecnologia. Com mais de 10 anos de experiência na cobertura de telecomunicações, lida com assuntos que envolvem as principais operadoras do Brasil e entidades regulatórias. Seu gosto por viagens o tornou especialista em acumular milhas aéreas.

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