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Trazendo a namorada para o mundo gamer

Nosso colunista conta algumas táticas para que a sua companheira (seja namorada, esposa, noiva ou amizade colorida) se interesse pelos jogos.

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Ainda existe (especialmente no Brasil, pelo que percebo) um sentimento generalizado de que videogame é coisa “de criança” ou, pior ainda, coisa “de nerd”. E enquanto na internet se identificar como nerd é não apenas aceitável como até encorajado, no mundo real o termo ainda é um estigma.

E isso é particularmente verdade em relação às garotas. As meninas, falando de forma geral, não são o público-alvo dos videogames. É por isso que observa-se uma curiosa disparidade: enquanto mulheres compõem aproximadamente 50% da população, a fatia de garotas gamers é uma porcentagem bem menor.

Existe um motivo pelo qual o fenômeno da menina gamer ganhou tanta tração na interwebs nos últimos anos: porque é (ou era) bastante incomum para uma menina admitir que curte videogames. Aliás, parece-me que o fenômeno está atingindo massa crítica, ao ponto de que já existe uma má vontade em relação às garotas gamers estereotípicas. Este artigo do GamesRadar esmiúça os mais frequentes clichês das garotas que gostam (ou alegam gostar) de videogames.

Este é um  dilema enfrentado por uma multidão de gamers: atrair as parceiras pro seu hobby. Se você já tem a sorte, como é o meu caso, de ter uma parceira que joga videogame tanto quanto você, o texto não é pra você.  Por outro lado, sinta-se à vontade pra compartilhar suas experiências nos comentários!

Minha mulher jogou 73 horas em Zelda: Twilight Princess. São poucos os games com multiplayer online aos quais eu dediquei tantas horas.

Creio que o primeiro passo pra atrair a parceira pro mundo gamer é reconhecer que nem todo estilo será apropriado. Por mais que você tente, há alguns jogos que a maioria das garotas simplesmente não vai curtir.

Sei que corro um pequeno risco de ser tachado de machista, mas creio que é um fato indiscutível que alguns estilos de games simplesmente não atraem a natureza feminina. Estou generalizando, evidentemente, mas quantas garotas você conhece que jogam Halo ou Gears of War, por exemplo? Você há de concordar comigo que as meninas que se amarram em games como shooters são um nicho microscópico. É um subgrupo ínfimo dentro de um grupo que já é relativamente pequeno.

Minha mulher, por exemplo, é um completo desastre jogando jogos de tiro. Ao ouvir os primeiros tiros ela se desespera, se atrapalha com os direcionais, sai esbarrando em todas as paredes e/ou caminhando olhando diretamente para cima ou diretamente para baixo, atirando a esmo e gritando desesperada “eu não sei o que é pra fazer! Vou morrer!” enquanto olha pra mim com aflição.

Tentei por algum tempo convencê-la a dominar os controles dos shooters online para que ela jogasse ao meu lado. Foi infrutífero; não bastasse o gameplay exigir dela algo que ela simplesmente não consegue dar, o enredo agressivo desse tipo de game não parece apetecer as sensibilidades femininas.

Então, é preciso escolher bem suas batalhas. Se sua garota não suporta violência ou acha automobilismo tão emocionante quanto observar tinta secar, insistir que ela jogue Halo ou sequer te assista jogando Gran Turismo servirá apenas como remédio contra insônia.

É necessário então apelar pro conteúdo que ela tem mais chances de se identificar. No caso da minha mulher, por exemplo, isso acabou sendo jogos de aventura fantasiosa ou medieval. Como você viu na foto acima, a menina gastou mais tempo jogando Twilight Princess do que boa parte de nós aqui gastamos em qualquer outro jogo.

Qualquer jogo com foco em história acaba sendo uma excelente opção, aliás. E é melhor ainda se a história tiver traços emotivos: minha mulher pode não gostar de shooters, mas pode ter certeza que ela prestou atenção naquela cena de Gears of War 2 (sim, você sabe a qual eu me refiro).

Às vezes, romper aquela implicância inicial com os games é meio caminho andado. Se pra isso é preciso uma cena que te fará fingir que está com um cisco no olho, que seja.

No caso de muitas meninas, algo que acaba sendo o portal de entrada para os games são simuladores de vida como The Sims.  Eu sei que isso talvez soe machista de novo, mas talvez seja o fato de que The Sims é uma extensão evoluída do hábito tipicamente feminino de “brincar de casinha”.

Afinal, enquanto eu explodia caixas de sapato com granadas imaginárias que saiam da mão dos meus Comandos em Ação, minha irmã brincava de família com o Ken e a Barbie (ou qualquer que fosse a versão genérica dos mesmos com as quais ela brincava). Como são um reflexo de suas brincadeiras infantis, é natural que as meninas acabem orbitando ao redor desse tipo de jogo. Isso talvez explique minha própria predileção por games violentos, aliás.

Outro fator que muito facilitou a conversão de minha companheira ao hobby gamer é a competitividade.  Minha mulher é bastante competitiva, o que faz com que ela veja o convite pra um game como uma oportunidade pra me vencer.

Descobri isso jogando Burnout Takedown no meu antigo PS2; a menina foi atraída pelos gráficos do jogo, me assistia jogando, e decidiu me desafiar pra uma partida.

Meus muitos meses estraçalhando os carros fictícios de Burnout (a série, infelizmente, nunca teve carros licenciados) me colocava na posição de destruir a menina, mas peguei leve. Poucas coisas desinteressam um novato em qualquer coisa tão rápido quanto ser completamente obliterado pelos experts. Não há competição se você destrói o oponente com facilidade.

Alimentada pelo orgulho de ter me vencido naquelas primeiras rodadas, ela acabou pegando gosto pela coisa. E o resto é história.

Pra mim, esse foi o segredo de trazer minha menina pro mundo gamer: uma combinação de games que a atraem (e às vezes você encontra pretendentes improváveis, como foi o caso do Burnout), ou que promovam uma saudável sensação de competição.

Que jogos você usou pra trazer sua parceira pro mundo gamer?

Comentários

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Thiago Dell

A galera comentando toda ingênua sem saber que estava sendo guiada por um corno...

Carol Lima
Eu costumava jogar PS2 com meu irmão. E agora meu namorado me viciou em Warface.
Samuel Desconsi

Um joguinho que todos falam mal, mas que se tornou meu aliado e cara, passamos horas jogando é o tal de Minecraft.

Da pra jogar em Rede, tem um mundo aberto e pode construir o que quiser, no inicio ela curtiu o modo criativo, mas depois que jogamos no modo survival, ela curtiu por ter adicionado um objetivo, meio idiota, de sobreviver.

Conseguimos pegar cavalo, lobo, construimos um castelo, quando vamos jogar, passamos mais ou menos o dia inteiro jogando. Ela não curte muito jogos por não conhecer, mas minecraft ela curtiu muito, mostrou pras amigas, pras irmãs, enfim. Vale a diversão.

jhonny
boa, no meu caso a minha namorada queria que eu jogasse crime craft porem eu não gostava de shooters em 3ª pessoa, dai ela tirou a roupa da personagem e me levou pela fraquesa da carne ^_^,
jhonny
hum... me admira ela ter aquentado jogar zelda não o fato dela ter ficado só 70h, tanto eu quanto a minha namorada curtimos jogos de RPG e Terror (eu tb curto shooters), o que me fez gostar dela é o fato dela jogar final fantasy e o que fez ela gostar de mim é o fato deu detestar o jogo zelda (ele sempre achou os jogadores de zelda e os nintendistas um pouco "fraquinhos" e muito enjoativos) quanto a horas de jogo bem eu tenho 301h no final fantasy XIII (13) e ela tem 250h no final fantasy xii (12) OBS: ela tb curte jogos de tiro mas só COD e Crimecraft, atualmente ela joga Batlefield 3 mas só curtiu os graficos. cof cof "doida" cof cof
Erick
Eu consegui convencer minha esposa a jogar Left 4 Dead comigo, mas ela ficava meio perdida nos controles no momento mais tenso. Mas era bacana por causa das mecânicas de ajuda que o jogo oferece!
Meel
Sempre gostei de jogosde tiro. Desde criança era uma briga com a minha mãe, indo pra Lan House esperando horas na fila pra jogar Counter Strike, no meio de um monte de mlk! :P Acho que comecei a gostar de games de tanto que meus irmãos tentavam NÃO me deixar jogar. Mas o tipo que mais gosto são realmente esses que envolvem uma história como você citou. Me apaixonei por Heavy Rain *-* e gosto também dos que me dão medo! Um tipo que não gosto muito é de luta :( gosto um pouco de marvel vs capcom, e de street fighter... e só. Mas atualmente... ...tô indo atrás do meu prestige 15 no COD! hahaha Bjks! PS: Difícil é meu namorado jogar comigo u.u
Anny
Uma coisa que eu vou ter de comentar: Ainda em extensão a "brincar de casinha", não é só The Sims que causa esse efeito. Ele só é o jogo mais facilmente percebido pelas meninas, que atrai pela capacidade de montar os personagens com milhões de customizações, além das casas (convenhamos que a parte mais legal do The Sims é criar a casa). Uma sugestão é puxar as meninas para MMOs, porque vocês não tem noção de como é legal montar e construir um personagem, build de skills, equips e tudo mais. Acho que o que mais motiva a upar é justamente ter esse planejamento de como você quer que o char seja e correr atrás para alcançar. É tipo um brincar de boneca++ Fica aí a dica pra quem quiser puxar a namorada pra qualquer MMO e não sabe como.
Renan
Ainda bem que minha namorada já é adepta. Jogamos Resident, GTA, Motral Kombat, entre outros. Parabéns pelo post
Renan de Araújo
Eu e minha namorada jogamos World of Warcraft juntos e ela tem um ps3 e eu também e aqui e alí a gente joga Uncharted 2, 3 e Assassin's Creed Brotherhood :)
@ErickXavier
O jogo que eu estou usando para trazer minha namorada aos games online é o Champions Online baixado gratuitamente na Steam... Ela criou a versão dela do "V" (de Vingança, saca?) E está felicíssima evoluindo o personagem ^^ Mas antes disso, já fiz ela começar a 'carreira gamística' dela jogando The Sims 3, que joga sempre que não tem nada pra fazer, ou simplesmente 'quando está a fim'... Ela mesma já se diz uma viciada em TS3 ^^
Deborah
Ta, e o inverso? Como faz pra convencer o namorado a jogar c a gente? ;D
Felipe F.
O próximo artigo deveria ser: "Como convencer sua namorada a ler o Tecnoblog" ;)
Fernando Has
Eu sempre joguei World of Warcraft, disputa o tempo com minha esposa, ora ela ora WOW. Hoje em dia continuo disputando o tempo entre ela o jogo, mas os papeis inverteram. Hoje ela é quem joga, ela que me ajuda em quests, e etc. Mas estou curtinho, estou querendo comprar outro Note, assim jogaremos juntos.
Marcio Neves Machado
Minha noiva curte alguns jogos, principalmente jogos de luta estilo Street Fighter e King of Fighters... mas a forma como ela joga é totalmente caótica: ela sai apertando qualquer botão, fazendo qualquer coisa maluca com o direcional, sem se preocupar com estratégia, defesa ou combos. E seja o que Deus quiser! Fora esses eu também a viciei em alguns jogos casuais da Popcap, como a série Peggles e os jogos da SpinTop (também distribuídos pela Popcap) :) No mais ela até curte ME VER jogando alguma coisa (como o Dead Space, que tentei jogar usando meu notebook na casa dela, mas o lag do computador estava me fazendo morrer demais no jogo, aí abandonei), mas ELA jogar mesmo é muito difícil
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