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TV OLED LG CX: refinando o que deu certo — Review

A LG CX é a nova TV OLED de entrada da fabricante sul-coreana, que traz imagem excepcional e nVidia G-Sync, mas cobra um preço por isso

18/08/2020 às 15:00

A LG CX é o mais novo modelo de TV "de entrada" com tecnologia OLED a ser lançado no Brasil. Sucessora da C9 lançada em 2019, ela chega em versões de 55, 65 e 77 polegadas e faz parte da sub-linha intermediária da categoria, mas que acabou se tornando o modelo mais acessível de 2020, dada a ausência da BX no mercado brasileiro.

LG CX

Em comum com sua antecessora, a CX traz resolução 4K em até 120 Hz, alta definição de cores, preto perfeito e suporte a Apple AirPlay 2, bem como as assistentes Amazon Alexa e Google Assistente; nas novidades, melhorias nos recursos de IA e a adição do nVidia G-Sync, para atrair os gamers. Tudo isso tem um preço, de R$ 8.399 a R$ 39.999 no varejo.

Afinal, a LG CX vale o que custa? Eu testei o modelo de 55 polegadas por 3 semanas e conto o que achei dela a seguir.

Nota de transparência

Em seus 16 anos de história, o Meio Bit sempre publicou análises opinativas com o intuito de ajudar os leitores a tomarem sua própria decisão de compra, seja de um gadget, um game ou um serviço/software/app. Nós sempre fomos francos em nossas opiniões e destacamos pontos positivos e negativos dos produtos de igual maneira, não importando a natureza dos mesmos, como forma de manter a integridade e transparência do site.

Dessa forma, ninguém externo à redação do Meio Bit teve acesso a este texto de forma antecipada, bem como não houve qualquer tipo de interferência ou direcionamento da LG, ou de terceiros, em relação ao seu conteúdo.

O aparelho foi fornecido pela LG em caráter de doação; ele será usado em conteúdos futuros e não será devolvido à empresa.

Design, conexões e controle remoto

Depois de montada (o que dado o peso e o display, é tarefa para mais de uma pessoa; nem tente fazê-lo sozinho), a LG CX impressiona pela espessura da tela extremamente fina, mais do que os mais compactos celulares. Na parte inferior há a óbvia carcaça, que acomoda os alto-falantes, conexões e circuitos, mas no conjunto da obra, o design geral é bem elegante.

A base da CX é um pé bastante largo e sólido, com efeito de aço escovado que complementa o ar requintado da TV, que sob todos os aspectos, é um produto premium.

LG CX

Na parte das conexões, a LG não economizou: concentradas do lado esquerdo da tela (do lado direito, se olharmos pela traseira), há ao todo 4 portas HDMI 2.1, que suportam 4K a até 120 Hz, um padrão prometido para o PS5 e o Xbox Series X, respectivamente os próximos consoles de mesa da Sony e Microsoft.

É interessante notar que mesmo hoje é difícil encontrar TVs com uma única porta HDMI 2.1, ms ao menos desde a linha 2019, a LG faz questão que todas as TVs OLED tenham portas no padrão mais alto.

LG CX

Há também 3 portas USB 2.0, uma porta RF coaxial para antena, uma Ethernet, uma saída de áudio digital e um curioso plug P2, voltado à saída de vídeo composto, usada com um adaptador fornecido pela fabricante.

É curioso que assim como a Samsung, a LG prefira manter compatibilidade com uma conexão RCA mais antiga ao invés do vídeo componente, mas pelo menos há opções.

Ainda na parte das conexões, a LG CX traz novamente suporte a Wi-Fi 802.11ac de 5 GHz, o que elimina oscilações na hora de consumir conteúdos em 4K via streaming, além de Bluetooth 5.0, permitindo a conexão de fones de ouvido, teclados e outros acessórios.

Controle remoto Smart Magic / LG CX

Já o controle Smart Magic continua confiável. Embora bem maior do que o fornecido por outras empresas (principalmente por manter o teclado numérico), ele traz uma série de funções e pode ser usado como um mouse, de modo a controlar um cursor na tela, uma das particularidades do webOS.

Ele conta com teclas dedicadas aos apps da Netflix e do Amazon Prime Video, sendo que este último também aciona a assistente Alexa, quando pressionado por mais de 2 segundos; para usar a Google Assistente, segure o botão de microfone padrão.

Usar a função de mouse parece complicado no início e exige certa coordenação motora, mas uma vez que você se acostuma, fica difícil usar o Smart Magic de outra forma.

Tela e qualidade de imagem

O display é um OLED de 55 polegadas, com resolução de 3.840 x 2.160 pixels e taxa de atualização de até 120 Hz (mesmo em 4K). Como esperado de uma tela do tipo, a definição de cores é muito alta, o preto perfeito é impecável e o brilho é forte, embora há uma ressalva a ser feita aqui.

Devido a própria natureza da tela (mais sobre isso a seguir), a LG CX conta com seu circuito ABL (Limitador Automático de Brilho) para evitar que a imagem fique clara demais, o que acelera o desgaste dos LEDs orgânicos, e ele por padrão é bem, bem agressivo.

Dessa forma, muitas cenas podem ficar escuras demais nas configurações padrão, mas isso pode ser ajustado manualmente.

LG CX

No geral, o resultado mesmo em imagens mais complexas, como paisagens noturnas é excelente, com uma riqueza de detalhes que um display LED LCD (VA) não é capaz de entregar.

A LG CX suporta tanto HDR10 e HDR10+, ambos de código aberto, quanto o proprietário Dolby Vision (algo também presente nos modelos de 2019) e HLG, voltado para conteúdos ao vivo.

A uniformidade de preto é absolutamente perfeita (afinal, no OLED ele é entregue pelos LEDs desligados), bem como o cinza, também bastante sólido, e o ângulo de visão é amplo, mantendo as cores mesmo vendo a tela de lado.

LG CX

No entanto, as novidades da LG CX são voltadas mais ao público gamer, inclusive à Glorious PC Gamer Master Race, que prefere jogar em monitores. Conforme prometido pela fabricante, todos os seus modelos OLED de 2020 trazem suporte ao nVidia G-Sync de fábrica, bem como são elegíveis a receberem o FreeSync da AMD, via atualização de software.

Ambas tecnologias, sendo uma proprietária e a outra de código aberto, oferecem recursos de sincronização entre a tela e o PC, de modo a evitar a quebra de frames e entregar uma experiência gamer fluída. Há também suporte a HGiG, ou HDR voltado para games, que entrega resultados muito bons.

Ainda que boa parte dos PC gamers prefira um monitor de 144 Hz, a combinação entre G-Sync, uma taxa de atualização de 120 Hz, um tempo de resposta de apenas 1 ms e suporte a chroma sampling de 4:4:4 no Modo PC, fazem da CX um produto muito interessante para quem joga no computador.

LG CX

Os gamers de console também tem outros benefícios comuns a todos, como o baixíssimo input lag no Modo Jogo (o único que suporta 4K a 120 fps de forma adequada), que chegou a marcar nos testes 7 ms em 1080p a 60 Hz e 13,5 ms em 4K a 60 fps, números muito bons.

Qualidade de som

Por se tratar de um produto premium, a LG procura caprichar também no áudio, algo que nem sempre a concorrência faz. Aqui, temos um conjunto de alto-falantes que entregam som em 2.2 canais, com potência de 40 W.

Sim, é o mesmo conjunto presente na B9 (tá virando rotina...).

Como resultado, a LG CX possui um som alto e nítido no modo padrão, mas uma vez que você ative o modo Som IA Pro, a TV usa recursos de inteligência artificial para identificar o conteúdo e realçar o áudio, dependendo do contexto.

Para um conjunto integrado o som da LG CX é acima da média, mas isso só significa que ele oscila entre o mínimo aceitável e o razoavelmente interessante. Para quem deseja maior intensidade e definição de agudos e graves, é sempre recomendado adquirir um soundbar ou um conjunto de Home Theater.

Software, apps e extras

O software da LG CX é o webOS 5.0, um sistema que evoluiu bastante ao longo dos anos, oferecendo recursos de ajustes finos a até um painel de controle baseado em IA, com sistemas que permitem controlar equipamentos da Internet das Coisas, com suporte a Apple HomeKit e Amazon Alexa.

Na hora de conectar os gadgets, ela reconheceu de cara o PS4 Pro e o Xbox One X, e diferente das TVs da Samsung, não criou caso para liberar o sinal do Raspberry Pi.

Na parte dos serviços e apps, há desde os suspeitos habituais como Netflix, Amazon Prime Video, Globoplay, Fox, Spotify, Deezer, HBO Go e cia. ltda, como o da Apple TV+, que vem pré-instalado de fábrica. O suporte a AirPlay 2 também está presente, e você pode espelhar conteúdos do seu iGadget; para usuários Android, a CX conta com o bom e velho Miracast.

Curiosamente, o webOS possui um app da Twitch funcional, no melhor estilo "mais ou menos": por algum motivo inexplicável, ele não oferece... login de usuário.

Com Google Assistente e Alexa pré-instaladas, basta uma configuração rápida para usar ambas assistentes virtuais para uma miríade de funções, desde conseguir informações do tempo a fazer compras na Amazon, tudo do conforto do seu sofá.

Talvez, e isso é uma preferência pessoal, o webOS se apresente como um software um pouco mais complexo que o Samsung Tizen, que é bastante enxuto e direto ao ponto, mas ambos sistemas são muito bons e melhores do que tínhamos antes deles (céus, ninguém merece o LG NetCast).

E o burn-in, hein?

Hora de falar do bode na sala: o efeito burn-in é um problema a que todas as telas OLED estão sujeitas, por usarem LEDs orgânicos que se deterioram com o tempo, e quanto a isso, não há muito o que fazer.

Se o usuário usa a TV para exibir imagens estáticas por muito tempo (como fixa-la num bar e mantê-la no canal de esportes, com logos e placares fixos, ou no canal de notícias, com as barras de texto), com o tempo essas imagens "queimarão" o display, dada a permanência prolongada dos pixels, e essas manchas não saem nunca mais.

Os fabricantes inclusive consideram burn-in um caso de mau uso, não coberto pela garantia.

Por outro lado, a LG está ciente do problema e inclui em suas TVs OLED uma série de salvaguardas, desde o ABL conservador a um ciclo de atualização de pixels com a TV desligada, que funciona como uma limpeza; há também um protetor de tela, que entra em ação após alguns minutos de imagem estática.

Nessas 3 semanas, não foi notada nenhuma formação de "fantasmas" ou de persistência de imagem (que é diferente de burn-in, é bom lembrar), logo, não dá para avaliar esse fator em um review, apenas a longo prazo.

Assim, voltaremos a dar uma olhada na tela da LG CX daqui a um ano; enquanto isso, se você tiver uma TV OLED e passou por algo do tipo, deixe sua impressão nos comentários.

Conclusão

A LG CX é sem dúvidas uma TV excelente, com ótima qualidade de imagem e uma série de recursos extras, com a adição de elementos que a tornam mais atraentes ao público gamer, incluindo os que jogam no PC.

Por outro lado, ela não recebeu tantas atualizações quando comparada aos modelos de 2019, mesmo a B9, que era o modelo de entrada. Se você não joga, não notará tanta diferença entre uma e outra.

Se dá para citar uma diferença cabal entre a CX e a B9, é o suporte; o pé largo da nova TV ocupa bem menos espaço do que o da antiga, em forma de arco.

Na melhor das hipóteses, a LG CX é um polimento no que era muito bom na geração passada, com o incremento de recursos para atrair um público diferente. Mesmo assim, a diferença de preço entre uma B9 e esta é mínima (considerando modelos OLED), logo, é preferível fechar com a nova.

O grande, enorme, paquidérmico problema da LG CX, bem como de todas as TVs OLED, é de fato o burn-in: assim como foi no tempo das TVs de plasma, comprar um modelo do tipo é investir em um produto arriscado, que entregará uma excelente qualidade de imagem, mas que corre o risco de ficar marcada pelo tempo, literalmente.

Isso posto, sempre leve em consideração como você pretende usar uma TV, antes de fechar com um modelo OLED.

TV OLED LG CX — Ficha Técnica

  • Modelo: OLED55CXPSA;
  • Tipo do painel: OLED (WRGB);
  • Tamanho do painel: 55 polegadas;
  • Resolução: 3.840 x 2.160 pixels;
  • Taxa de atualização: 120 Hz;
  • Tempo de resposta: 1 ms;
  • Tecnologias de imagem suportadas: HDR10, HDR10+, HLG, HGiG, Dolby Vision, nVidia G-Sync e AMD FreeSync;
  • Som: 2.2 canais e 40 W, com suporte a Dolby Atmos;
  • Conexões: Apple AirPlay 2, DLNA, Bluetooth 5.0, Wi-Fi 802.11b/g/n/ac e Wi-Fi Direct;
  • Entradas de vídeo: 4 HDMI 2.1 (VRR, ALLM, eARC, HDMI-CEC), 1 RF coaxial, 1 P2 para vídeo composto (acompanha adaptador);
  • Saídas de áudio: 1 óptica digital;
  • Outras portas: 3 USB 2.0 e 1 Ethernet;
  • Consumo de energia: 347 W (médio), menos de 1 W (stand-by);
  • Sistema operacional: webOS 5.0;
  • Dimensões: 122,8 x 73,8 x 25,1 cm (com base), 122,8 x 70,6 x 4,7 cm (sem base);
  • Peso: 23 kg (com base), 18,9 kg (sem base).

Pontos fortes:

  • Qualidade de imagem, cores e preto perfeito impecáveis;
  • Som acima da média em TVs;
  • Suporte a nVidia G-Sync e AMD FreeSync, ponto para os PC gamers;
  • 4K a 120 Hz nas quatro portas HDMI 2.1, pronta para PS5 e Xbox Series X.

Pontos fracos:

  • Poucas novidades se comparada à linha 2019 (exceto para os gamers);
  • O ABL é um pouquinho agressivo;
  • O burn-in deve sempre ser levado em conta.

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