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Produção de discos de vinil está sendo modernizada para dar conta da demanda

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Engana-se quem pensa que, hoje em dia, disco de vinil é coisa de sebo ou loja de produtos antigos. Apesar de ter perdido espaço para os CDs a partir da década de 80 e para a música digital desde os anos 2000, o Long Play (LP) voltou com força ao mercado internacional, com vários artistas lançando e relançando seus trabalhos no formato, e registrando crescimento considerável nas vendas — enquanto formatos mais populares, como o CD, enfrentam quedas nos números.

Mas a tecnologia para a fabricação dos discos ainda não evoluiu o suficiente para acompanhar a recente alta na demanda pelos bolachões, e os fãs de discos de vinil têm que aguardar meses por um novo LP. Apesar de ser rápido, o processo atual ainda é mecânico e “analógico”, o que exige bastante tempo e recursos. Mas, segundo a fabricante canadense Viryl Technologies, a espera tende a diminuir com a chegada de um novo sistema de prensas de discos.

A companhia criou o WarmTone, uma máquina que utiliza técnicas de engenharias modernas para produzir, de maneira confiável, os discos de vinil, e que facilita tarefas mais complicadas, como a troca dos discos “carimbos” (a cópia negativa utilizada para prensar os discos), e moderniza outras, como a aplicação de um sistema de corte/empilhamento que agiliza a produção em larga escala.

Além disso, o sistema WarmTone conta vários tipos de sensores que verificam tudo, desde a temperatura até a pressão, o que permite às fábricas agirem rápido caso algo dê errado. A interface de controle também é moderna, com telas sensíveis ao toque para controle diretamente no equipamento. Também é possível checar o status do maquinário pelo computador ou pelo smartphone.

Segundo o Engadget, há apenas uma máquina WarmTone operando em Dallas, nos Estados Unidos. A segunda está prevista para ficar pronta neste mês para a canadense Microforum. Apesar dos discos ainda levarem algum tempo para ficarem prontos (cerca de 8 a 10 semanas), a Microforum espera atingir uma produção de 24 mil discos por dia após automatizar completamente sua linha de produção com seis máquinas WarmTone.

No Brasil, a procura pelos discos de vinil também tem acompanhado a tendência de crescimento do mercado. No ano passado, a segunda maior fábrica de discos de vinil começou a ser instalada na zona oeste de São Paulo, com capacidade de produção prevista para 140 mil discos por mês.

A chegada de técnicas e máquinas mais modernas à produção dos discos de vinil talvez ainda não acabe com o tempo de espera pelos LPs, mas, pelo menos, mostra a recuperação de um mercado importante para a indústria da música — e que, até alguns anos atrás, estava “esquecido” nos sebos e nas feiras de garagem.