Depois que o Megaupload foi fechado, Kim Dotcom criou o Mega, mas não ficou muito tempo no negócio por motivos até hoje pouco claros. Mas ele não desiste. O excêntrico empresário aposta agora no K.im, outro serviço de armazenamento de dados, só que descentralizado e “amigável” aos direitos autorais.

Mesmo nos dias atuais, é estranho o copyright fazer parte do discurso de Kim Dotcom. Vale lembrar que uma das razões que levaram o FBI a encerrar as operações do Megaupload foi o fato de o serviço facilitar enormemente o compartilhamento de filmes, séries e outros materiais protegidos.

Era uma mina de ouro. O Megaupload e serviços similares tinham modalidades gratuitas, mas as pagas não eram caras e ofereciam várias vantagens, como downloads simultâneos e mais velocidade, razão pela qual possuíam muitos adeptos. A indústria do entretenimento ficou furiosa, afinal, não ganhava nada com esses downloads.

A nova empreitada promete ser bem diferente. O K.im não será exatamente um serviço de armazenamento, mas uma espécie de gerenciador: os arquivos serão distribuídos entre vários serviços online, como Dropbox, Google Drive, Storj e até sites de torrents.

Os usuários controlarão os downloads a partir desses serviços e definirão valores por eles: o material baixado só poderá ser desbloqueado via aplicativo ou extensão do K.im, que checará se o usuário que fez o download realizou o pagamento.

K.im

Não está claro se os pagamentos poderão ser feitos via modalidades convencionais, como PayPal e cartão de crédito, mas sabe-se que o K.im terá plena integração com o Bitcache, outra ideia de Kim Dotcom: basicamente, o serviço está sendo criado para permitir compra e venda de conteúdo com bitcoins.

O que impedirá alguém de usar o K.im para distribuir conteúdo protegido por copyright e, ainda por cima, ganhar dinheiro com isso? De acordo com Dotcom, os detentores dos direitos poderão reivindicar o conteúdo a qualquer momento e, assim, receber a receita gerada com a sua distribuição.

Mas há vários pontos que tornam essa proposta duvidosa. Para começar, o K.im poderá, de alguma forma, ferir os termos de uso dos serviços de armazenamento externos. Além disso, os usuários não serão identificados, mesmo quando um conteúdo for reivindicado, o que pode fazer o K.im ter problemas com a lei (o que também levanta a suspeita de que métodos de pagamento tradicionais não serão suportados).

Outra possível fonte de problema: aparentemente, o serviço terá um programa de afiliados que recompensará os participantes mesmo quando o conteúdo indicado por eles for reivindicado.

Por fim, a pergunta mais importante: o que levará um usuário acostumado a baixar conteúdo de graça (via BitTorrent, por exemplo) a pagar pelo download? Para Dotcom, a principal razão para a existência da pirataria é a falta de disponibilidade de conteúdo, por isso, ele acredita que muita gente estará disposta a pagar se encontrar aquilo que deseja consumir.

Vai demorar um pouco para sabermos se o K.im dará certo ou se não passará de mais um projeto utópico de Kim Dotcom: por enquanto, o serviço é um “beta” fechado, disponível apenas via convite. A abertura ao público está prevista para a metade de 2018.

Com informações: TorrentFreak

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Emerson Alecrim

Emerson Alecrim

Repórter

Emerson Alecrim cobre tecnologia desde 2001 e entrou para o Tecnoblog em 2013, se especializando na cobertura de temas como hardware, sistemas operacionais e negócios. Formado em ciência da computação, seguiu carreira em comunicação, sempre mantendo a tecnologia como base. Em 2022, foi reconhecido no Prêmio ESET de Segurança em Informação. Em 2023, foi reconhecido no Prêmio Especialistas, em eletroeletrônicos. Participa do Tecnocast, já passou pelo TechTudo e mantém o site Infowester.

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