CEO do Twitter, Jack Dorsey deixa cargo e explica motivos para saída

Cocriador da plataforma, Jack Dorsey explica que saída como CEO é para "distanciar o Twitter de seus fundadores e sua fundação"

Pedro Knoth
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Após 16 anos dentro do Twitter, plataforma da qual é cofundador e CEO, Jack Dorsey resolveu deixar a companhia na tarde desta segunda-feira (29). Em um e-mail compartilhado em sua própria página na rede social, Dorsey explica que resolveu abandonar o cargo de CEO por entender que o Twitter “pode se sair melhor” caso a empresa se distancie de seus fundadores.

Jack Dorsey em audiência do Senado dos EUA (Imagem: Reprodução)
Jack Dorsey deixa Twitter por decisão própria e afirma que quer plataforma “distante dos fundadores (Imagem: Reprodução)

Jack Dorsey quer Twitter “distante dos fundadores”

Para justificar sua saída do cargo, Jack Dorsey afirma que liderar o Twitter como CEO e cofundador ultimamente tem se tornado “severamente limitante” e “um único ponto de fracasso”. O executivo, que ajudou a fundar a rede social em 2006, conta que “trabalhou duro para que a companhia se distanciasse de sua fundação e de seus fundadores”.

Além de deixar a posição de CEO, Dorsey também pretende deixar o conselho administrativo da plataforma. Ao explicar os motivos que o levaram a não permanecer no quadro de executivos, ele diz que quer dar espaço para o Twitter crescer longe da influência de seu fundador.

Parag Agrawal, diretor de tecnologia da plataforma, será o novo CEO, enquanto Bret Taylor, fundador da API do Google Maps e chefe de finanças da Salesforce, deve presidir o conselho administrativo.

Dorsey deve se manter no comando do conselho até maio de 2022, quando seu mandato como presidente do Twitter termina. Até lá, ele afirma que vai ajudar o novo CEO e o novo chefe do quadro administrativo na transição de cargos.

Quem é Parag Agrawal, novo CEO do Twitter

Tanto o conselho administrativo quanto Jack Dorsey apontaram o chefe de tecnologia como sucessor para a vaga de CEO, mas o fundador do Twitter diz que confia em Agrawal porque ele “entende a companhia e sabe profundamente de quais são suas necessidades”.

Agrawal está na plataforma há quase uma década, e é responsável pelas ferramentas de aprendizado de máquina e inteligência artificial. É dele o projeto que torna a linha do tempo de usuários mais “relevante” por meio de IA.

Já Bret Taylor assumiu uma vaga no conselho do Twitter em julho de 2016 a pedido de Jack Dorsey, depois do fundador reassumir o posto de CEO em 2015. Ao justificar sua decisão para colocá-lo na liderança do quadro administrativo da rede, Dorsey diz que Brat “conhece muito de empreendedorismo, tecnologia, assumir riscos, companhias de grande escala e produto”.

Jack Dorsey conta que foi sua a decisão de deixar Twitter

Por fim, Dorsey escreve:

Eu gostaria que todos vocês soubessem que essa foi minha decisão e eu a assumo. Foi uma medida dura, claro. Eu tenho muito amor por essa plataforma e essa companhia… e também por todos vocês. Estou muito triste… mas mesmo assim muito feliz. Não são muitas as empresas que conseguem chegar a esse nível. E não são muitos fundadores que escolhem suas companhias sobre o próprio ego. Sei que vamos provar que essa é a atitude correta.

O primeiro tweet da história foi feito por Jack Dorsey. O famoso “just setting up my twttr” tem hoje 172 mil likes, mas carrega um tom melancólico. Dos grandes fundadores de big techs, como Facebook, Microsoft, Amazon e Twitter, apenas Mark Zuckerberg atua simultaneamente como CEO e cofundador.

Por também ser dono de outra companhia de capital aberto, a fintech Square, Dorsey enfrentou uma disputa pelo controle da companhia em 2020, quando a empresa Elliot Management, acionista do conselho, tentou substituí-lo como presidente.