Bruce Willis pode voltar a atuar graças a uma tecnologia de deepfake

Rumores de que Bruce Willis vendeu direitos de imagem a uma empresa de deepfakes foi desmentido, mas ator já trabalhou com a tecnologia

Emerson Alecrim
Por
• Atualizado há 1 ano e 7 meses
Deepfake de Bruce Willis em comercial russo (imagem: reprodução/YouTube)

Bruce Willis é um dos grandes nomes de Hollywood, mas, neste ano, teve que se afastar de sua carreira. Motivo: o ator sofre de afasia, distúrbio que prejudica habilidades cognitivas, incluindo a fala. Porém, há uma chance de ele voltar às telas, com a ajuda da tecnologia. Mais precisamente, por meio da controversa moda dos deepfakes.

Para quem está por fora do assunto, deepfake é uma técnica que usa aprendizagem profunda para manipular declarações e expressões de uma pessoa em vídeos.

Do ponto de vista tecnológico, a ideia é fascinante. O problema é que deepfakes vêm sendo usados para atribuir falas falsas a políticos, atores e outras personalidades. Via de regra, essas ações visam distorcer fatos, gerar constrangimento ou causar conflitos.

Mas o caso de Bruce Willis mostra que a tecnologia de deepfake pode ser usada para fins mais nobres.

A afasia é uma condição que compromete a linguagem falada, logo, o ator tem dificuldades para se expressar. Isso o impede de continuar exercendo a profissão que o tornou tão famoso.

Neste ponto, você já deve ter entendido como os deepfakes podem ser úteis. A inteligência artificial pode usar as imagens do ator para criar cenas em que ele aparece falando. É como se Willis tivesse um gêmeo virtual.

No meio da semana, o jornal The Telegraph relatou que Bruce Willis vendeu os seus direitos de imagem para a Deepcake, empresa americana especializada justamente em “deepfakes do bem”.

Mais tarde, a parceria entre ambas as partes foi desmentida. De todo modo, o ator e a empresa já trabalharam em conjunto usando justamente deepfakes.

Bruce Willis já teve experiência com deepfake

No ano passado, o ator… melhor, dizendo, um deepfake do ator participou de uma série de comerciais veiculados na Rússia. O vídeo abaixo é um exemplo. Ali, Willis aparece falando russo. O realismo é tão grande que é difícil acreditar que o ator nunca esteve ali de verdade.

Os deepfakes do ator nos vídeos russos foram gerados graças a uma parceria entre Willis e a Deepcake. Isso significa que o novo acordo, se verdadeiro, valeria somente para comerciais? Talvez. De todo modo, a tecnologia não é novidade para as grandes produções da TV ou cinema.

Ator “ressuscitado”

Com autorização da família, um deepfake “ressuscitou” James Dean para o filme Finding Jack, previsto para chegar às telas em 2023. O ator faleceu em 1955.

Algo semelhante aconteceu em Rogue One, mas não exatamente com um deepfake. No filme, o rosto da Princesa Leia, interpretada originalmente por Carrie Fisher, foi reconstruído por meio de CGI (computação gráfica).

Só que o resultado não foi muito convincente, tanto que, no YouTube, é possível encontrar vídeos (como este) mostrando a cena em que ela aparece sendo refeita via deepfake.

Mas, lembre-se: a técnica ainda é usada, majoritariamente, para fins maliciosos. Por isso, saber identificar um deepfake continua sendo importante.

Atualização em 2 de outubro, às 10:15: à BBC, um assessor de Bruce Willis negou as vendas de direitos de imagens do ator à Deepcake. Um representante da empresa confirmou que não há um acordo nesse sentido. Oficialmente, ambas as partes trabalharam juntas apenas nos comerciais exibidos nas Rússia.

Receba mais sobre Deepfake na sua caixa de entrada

* ao se inscrever você aceita a nossa política de privacidade
Newsletter
Emerson Alecrim

Emerson Alecrim

Repórter

Emerson Alecrim cobre tecnologia desde 2001 e entrou para o Tecnoblog em 2013, se especializando na cobertura de temas como hardware, sistemas operacionais e negócios. Formado em ciência da computação, seguiu carreira em comunicação, sempre mantendo a tecnologia como base. Em 2022, foi reconhecido no Prêmio ESET de Segurança em Informação. Em 2023, foi reconhecido no Prêmio Especialistas, em eletroeletrônicos. Participa do Tecnocast, já passou pelo TechTudo e mantém o site Infowester.

Canal Exclusivo

Relacionados