Um jogo de gatinhos está testando os limites do Ethereum

Até agora, CryptoKitties já movimentou US$ 3,1 milhões de dólares

Jean Prado
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• Atualizado há 2 meses
O gato Genesis foi vendido por US$ 117 mil.

Como já explicamos, a tecnologia de blockchain pode ir muito além do bitcoin. Com blockchain você pode, por exemplo, comprar e vender gatinhos virtuais. Por que não? É o que o jogo CryptoKitties, chegou para provar — e já deu trabalho para o Ethereum.

De forma bem simplificada, o jogo funciona como Pokémon, mas sem a parte de captura: é possível criar gatos e originar novas raças, que têm características diferentes e podem ser, ou não, raras. A partir daí quem manda é a lei da oferta e da procura: quanto vale um gatinho branco com as pontas roxas?

Dentro da blockchain, os gatos são comercializados em ether (ETH), que agora vale US$ 450. Você já aprendeu que, uma vez escrita na blockchain, uma informação não pode ser alterada. Ou seja, se você compra um gato, ele é seu para sempre (a não ser que o CEO do CryptoKitties diga o contrário).

Simples e divertido, o jogo já movimentou US$ 3,1 milhões de dólares e está testando os limites do Ethereum. Cerca de 15% do tráfego do blockchain é feito dentro do CryptoKitties, e em uma velocidade que trouxe lentidão para a rede. O problema é tão grave que o jogo precisou dobrar a taxa que é cobrada para criar os gatinhos:

🚨🚨🚨🚨 Due to network congestion, we are increasing the birthing fee from 0.001 ETH to 0.002 ETH. This will ensure your kittens are born on time! The extra is needed to incentivize miners to add birthing txs to the chain. Long-term solution will be explored very soon! 🚨🚨🚨🚨

— CryptoKitties (@CryptoKitties) December 3, 2017

Como aponta o TechCrunch, esse caso levanta uma séria questão sobre o Ethereum: se um jogo de comprar e vender gatos virtuais que ainda não saiu da nossa bolha já deixou a rede instável, o que acontece quando o blockchain for usado no mundo real, como para firmar contratos inteligentes?

Esse problema de escalabilidade também já aconteceu com o bitcoin. No caso do BTC e sua blockchain, cada bloco só consegue processar cerca de 7 transações por segundo, algo irrisório quando comparado com a rede da Visa, por exemplo, que processa 56 mil transações por segundo.

O criador do Ethereum, Vitalik Buterin, já reconheceu que a escalabilidade é o problema número um da criptomoeda e detalhou algumas possíveis soluções, que estão sendo estudadas. Mas as alterações são a longo prazo.

Com informações: Mashable.

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