Uber limita uso de ferramentas como Claude Code para cortar custos com IA

Uber definiu limite mensal de US$ 1.500 por funcionário e por ferramenta de IA para desenvolvimento. Medida visa prevenir gastos exorbitantes com inteligência artificial.

Emerson Alecrim
Resumo
  • Uber estabeleceu um limite mensal de US$ 1.500 por funcionário e por ferramenta de IA (como Claude Code e Cursor);
  • medida visa conter despesas após diretor de tecnologia revelar que orçamento de 2026 da Uber para IA esgotou em quatro meses;
  • controle de uso é feito via painel interno, mas desenvolvedores poderão exceder teto se obtiverem autorização prévia.

Os custos com ferramentas de inteligência artificial estão alcançando níveis perigosos para muitas organizações. Tanto que algumas delas decidiram pisar no freio. É o caso da Uber que, recentemente, estabeleceu um limite mensal de uso de ferramentas como o Claude Code por seus funcionários.

É o que aponta a Bloomberg. De acordo com o veículo, a nova regra determina que cada funcionário gaste até US$ 1.500 por mês para cada ferramenta de programação baseada em IA que utiliza. O valor, que corresponde a R$ 7.630 na conversão atual, foi confirmado pela Uber ao site.

A limitação vale para ferramentas como Claude Code e Cursor. Pelo menos o limite mensal de US$ 1.500 foi definido individualmente para cada ferramenta de IA, de modo que o orçamento de uma não afeta o da outra. De todo modo, o limite pode ser extrapolado pelos desenvolvedores da Uber, desde que haja justificativa e autorização prévia para isso.

O controle do uso das ferramentas é feito por um painel interno ao qual cada funcionário afetado pela decisão tem acesso.

Uber fala em incentivar “uso responsável” da IA

Como já ficou claro, esta é uma medida de contenção de gastos. A execução de recursos de inteligência artificial gera muitos custos com processamento, a tal ponto que, se os resultados não compensarem o que é gasto com isso, a alternativa mais óbvia acaba sendo justamente a de aplicar uma política de moderação de uso. Nesse sentido, a Uber deu a seguinte declaração à Bloomberg:

Acreditamos que esta [limitação] é uma maneira bastante direta de incentivar, de forma responsável, a adoção e a experimentação de IA ética em larga escala em toda a empresa.

Algum movimento de controle de gastos já era esperado, afinal, em abril, o diretor de tecnologia da companhia, Praveen Neppalli Naga, reconheceu que a Uber esgotou todo o orçamento de 2026 para IA em apenas quatro meses.

Mas este está longe de ser um problema exclusivo da Uber. Um movimento ligeiramente semelhante envolve o GitHub. Em 1º de junho de 2026, a plataforma adotou um modelo de créditos para a sua ferramenta de programação baseada em IA, o Copilot. Na prática, isso significa que os usuários passaram a pagar pela quantidade de vezes que usam a ferramenta.

Eis o efeito: muitos desenvolvedores que usam o GitHub Copilot ficaram furiosos com a nova forma de cobrança, pois eles viram seus gastos com a ferramenta dispararem de uma hora para a outra.

Relacionados

Escrito por

Emerson Alecrim

Emerson Alecrim

Repórter

Emerson Alecrim cobre tecnologia desde 2001 e entrou para o Tecnoblog em 2013, se especializando na cobertura de temas como hardware, sistemas operacionais e negócios. Formado em ciência da computação, seguiu carreira em comunicação, sempre mantendo a tecnologia como base. Em 2022, foi reconhecido no Prêmio ESET de Segurança em Informação. Foi reconhecido nas edições 2023, 2024 e 2025 do Prêmio Especialistas, em eletroeletrônicos. Participa do Tecnocast, já passou pelo TechTudo e mantém o site Infowester.