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Para a Stayfilm, um filme vale mais do que mil palavras

Visitamos a startup paulistana que pode se tornar o Instagram só de vídeos

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6 anos atrás

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Há umas duas semanas, recebemos o convite para a festa de lançamento de uma rede social que na verdade já havia sido lançada, a Stayfilm. Com ela, é possível criar vídeos de cerca de três minutos a partir das fotos das suas redes sociais ou das que tiveram o upload feito pelo usuário. Mas essa é uma definição muito simplória para o serviço.

Na semana passada, fui até o escritório da startup, na zona Norte de São Paulo, para comer um pão de queijo e bater um papo com os seus criadores, os publicitários Douglas e Daniel Almeida.

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A sala, próxima ao metrô Santana, tem bem a cara de uma startup que, de repente, ficou grande: quatro bancadas de computadores acomodam, apertadinho, o pessoal que cuida da criação de novos layouts, do site e das redes sociais da Stayfilm. Em uma sala ao lado, outra bancada fica em frente a monitores que mostram como andam os acessos ao site, lembrando uma pequena bolsa de valores.

O CEO Douglas diz que há cerca de 40 funcionários atualmente, mas umas 70 pessoas já passaram pela empresa desde seu início, há dois anos.

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A ideia do Stayfilm veio daquela necessidade mórbida que todos tempos de mostrar as fotos da viagem para pessoas que claramente não querem vê-las. Douglas contou de duas situações dessas em que percebeu que havia uma oportunidade de negócio nisso: a primeira, quando foi convidado a ver as milhares de fotos das férias de um amigo no Caribe e, em certo ponto, foi ele próprio passando as imagens para superar o tédio. A segunda, quando foi mostrar as fotos da sua lua de mel para outro colega; ele fez um slideshow no Macbook e colocou uma música de fundo para ficar menos monótono, mas, ainda assim, o amigo deu uma bela pescada de sono enquanto as fotos eram exibidas. “Na hora, levantei e chamei ele para tomar uma cerveja, mas fiquei com isso na cabeça”, conta.

Assim, é fácil explicar qual a missão da Stayfilm no mundo: ajudar a contar histórias. Por isso, eles preferem falar que a rede social produz filmes, não vídeos. Para ajudar a entender, Douglas me perguntou qual a minha viagem “mais irada” e quantas pessoas tinham visto todas as fotos. Respondi que foi aos Estados Unidos e só a minha mãe; confessei que havia disponibilizado bem poucas no Facebook, porque não vejo muita graça em ver fotos de viagens dos outros. Ele concordou: “só de ver as fotos, é difícil saber como foi incrível a viagem. A gente ajuda a contar essa história”.

Topei o desafio e é este o resultado (como o embed ainda não funciona, ao clicar na imagem você será enviado ao site):

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O Stayfilm seleciona nas redes sociais habilitadas as fotos de acordo com as tags escolhidas – no meu exemplo, “USA”. Também dá para fazer o upload, caso queira inserir fotos que não estão na web. Então, é só dar um título, escolher um tema – há seis disponíveis, cada um com diversos layouts possíveis, que são escolhidos pelo próprio sistema – e aguardar alguns minutinhos para que o filme seja feito.

Para selecionar as fotos que irão compor o filme, a rede utiliza um algoritmo que se baseia na semântica: “analisamos distanciamento de palavras, gênero, plural, entre outros. É bastante semelhante a sistemas de recomendação e algoritmos de busca”, explicam os criadores.

O mecanismo ainda não é perfeito e, às vezes, escolhe fotos que não deveriam estar ali (no vídeo que fiz, tem uma foto de uma amiga na minha formatura, cuja legenda é “só por mim ela usa vestido”  – daí a confusão do sistema). “Um cara nos contou que queria um vídeo de fotos com a namorada e, por causa das tags, surgiu uma com a ex”, comentam. Outro exemplo é para separar as fotos da sua viagem a Natal e da festa de fim de ano.

Nesses casos, dá para pedir para o sistema refazer, e isso já é levado como um aprendizado para que ele conheça melhor seus gostos e faça filmes mais adequados da próxima vez. Em breve, garantem os criadores, será possível substituir imagens depois que o filme estiver pronto. Enquanto isso, se quiser evitar o sorteio, é melhor fazer o upload da sua própria seleção.

Mural da Stayfilm: a TV era o primeiro logotipo da startup

Mural da Stayfilm: a TV ali no meio era o primeiro logotipo da startup

A Stayfilm foi lançada oficialmente no final de outubro. De lá para cá, atingiu a marca de mais de mil usuários novos por dia e passou os 40 mil filmes produzidos. A brincadeira é de gente grande: a startup tem um investimento de 3 milhões de reais de parceiros diversos, utiliza o banco de dados Cassandra, criado pelo Facebook, e já se expandiu para os EUA – 20% dos vídeos vêm de lá – e para a Europa.

Fiquei curiosa quanto ao conteúdo produzido ao redor do mundo e perguntei se eles viam diferenças nos vídeos feitos fora do país. “Bastante” foi a resposta. Segundo os criadores da Stayfilm, os americanos têm usado com maestria por causa das fotos selecionadas, que rendem filmes bem legais. Eles citaram o exemplo de turmas de faculdade, que escolhem fotos mais animadas e diferentes que a clássica de todo mundo se abraçando igual um time de futebol, mais comum por aqui.

Mas também tem gente fazendo coisas interessantes aqui no Brasil; um exemplo citado por eles é o de uma moça que cria vídeos bem legais mostrando as pessoas nas janelas dos ônibus (não consegui achar esse perfil; se alguém souber, avise nos comentário para linkarmos). Eles acreditam que há um grande potencial para que ela conquiste a mesma pegada artística que o Instagram, que é uma plataforma bem propícia para expor seu talento fotográfico.

O crescimento rápido do Stayfilm anima os seus criadores para que isso ocorra. Eles afirmam que já há várias empresas criando contas “organicamente”, além de outros grandes nomes interessados em firmar parcerias nos próximos meses. Do jeito que as coisas andam para a Stayfilm, tem boas chances de ser a primeira grande rede social brasileira – acho que só o We Heart It atraiu tanta gente em todo o mundo. Com tanto amor por redes sociais (e conhecimento de como elas funcionam) neste país, está mais que na hora de criarmos as que possam que possam competir de igual para igual com as estrangeiras.

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