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Seagate Personal Cloud: o NAS cheio de funções

Novo NAS da Seagate para usuários domésticos suporta BitTorrent Sync, Plex e até WordPress.
Versão com capacidade de 3 TB tem preço sugerido de 1.299 reais no Brasil.

Paulo Higa Por

Como você armazena e compartilha seus arquivos pessoais? Com o barateamento dos serviços de nuvem, eu tenho deixado boa parte dos meus dados no Dropbox. Mas, em muitos casos, é mais conveniente ter as informações fisicamente do nosso lado, sem depender da conexão à internet, nem sempre confiável. É por isso que existem os NAS, como o Seagate Personal Cloud, lançado recentemente no Brasil.

O Personal Cloud chega mais de um ano após a Seagate lançar o Central, um NAS notoriamente voltado para o mercado doméstico: é extremamente simples de usar, não exige nenhuma configuração complicada e tem design compacto e discreto, para ser ligado e esquecido no canto. A nova geração do NAS da Seagate segue pelo mesmo caminho, mas ganhou belíssimos upgrades — por dentro e por fora.

Vale a pena? Usei o Personal Cloud durante um mês e você confere minhas impressões logo abaixo.

Antes de começar

Ao abrir a caixa do Personal Cloud, encontramos apenas três itens: uma fonte de alimentação, um cabo RJ–45 e o NAS propriamente dito. Depois de ligar o dispositivo, bastam alguns minutos para o NAS surgir no Windows Explorer ou no Finder do OS X. Por padrão, apenas uma pasta pública está disponível, com um atalho para a página de configuração inicial, que é bastante intuitiva e está em português.

A versão que testei tem generosos 5 TB de armazenamento, mas a Seagate trouxe oficialmente ao país apenas o Personal Cloud de 3 TB, com preço sugerido de R$ 1.299. Também há versões com dois HDs internos, que podem ser usados em conjunto para aumentar o espaço (RAID 0) ou para duplicar as informações, melhorando a segurança (RAID 1), mas elas ainda não estão disponíveis no Brasil.

Design

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O Personal Cloud é aquele produto para comprar, instalar e esquecer que existe. Ele tem um design discreto e pode passar despercebido entre os eletrônicos da casa. As laterais são de plástico preto fosco, enquanto o topo é revestido com um acabamento black piano. A carcaça é composta por vários detalhes triangulares, até nas saídas de ventilação.

Na traseira, temos o botão liga/desliga, uma porta USB e uma Gigabit Ethernet. Uma grata surpresa é que a Seagate também colocou uma porta USB 3.0 de fácil acesso na lateral direita. Dessa forma, você pode deixar a traseira para uma mídia “permanente” (como um HD externo para expandir a capacidade do NAS) e a lateral para conectar um pendrive, por exemplo. Conexão é o que não falta aqui.

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Um detalhe que notei durante essas semanas de uso foi que a versão testada do Personal Cloud tem um HD que emite um barulho acima da média quando é ativado. Como o produto fica ligado 24 horas por dia, ele pode incomodar os usuários durante a noite, quando o ambiente está silencioso — não acredito ser suficiente para acordar alguém, mas não deixa de ser chato.

Software

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A página de administração do Personal Cloud é uma das mais bacanas que já tive contato. Certamente é bem mais simples que a do DSM (DiskStation Manager) da Synology, por exemplo, mas estamos falando de um NAS significativamente mais barato. Em relação ao WD My Cloud e Seagate Central, dois NAS da mesma categoria disponíveis no Brasil, a diferença é notável.

O software do Personal Cloud é uma grande evolução em relação ao Seagate Central

Logo de cara, vemos uma tela com os apps instalados no Personal Cloud, principal diferença em relação ao modelo anterior. Em vez de se limitar aos recursos padrões do NAS, é possível instalar softwares como BitTorrent Sync (para sincronizar arquivos de maneira prática entre computadores), Plex Media Server (um servidor de mídia quase mágico) e até rodar um blog baseado em WordPress.

Mesmo as funcionalidades nativas não decepcionam. O Download Manager tem um recurso que considero essencial num NAS: a possibilidade de fazer downloads, inclusive com suporte a torrent. Assim, em vez de deixar o computador ligado baixando um arquivo pesado, você pode manter apenas o NAS, que gasta menos energia e está ligado o tempo todo.

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Já o Backup Manager, além de permitir que você faça uma cópia de segurança do NAS e mostrar um tutorial de como fazer backup automático dos PCs e Macs da sua rede, tem suporte a serviços de armazenamento na nuvem (Google Drive e Dropbox). Isso é unir o melhor dos dois mundos: você pode manter seus arquivos na nuvem, facilmente compartilháveis na internet, e tem uma cópia local, acessível rapidamente.

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O App Manager é uma espécie de loja de aplicativos do Personal Cloud. Por enquanto, apenas sete estão disponíveis, mas acredito que eles cobrem todas as necessidades de um usuário doméstico:

  • BitTorrent Sync: se você precisa manter seus arquivos sincronizados entre dois ou mais computadores, mas não quer enviá-los para a nuvem, a melhor maneira de fazer isso é com o BitTorrent Sync. O único ponto “negativo” é que pelo menos um computador com os arquivos deve estar ligado à internet (logo, faz todo sentido instalá-lo num NAS).
  • ElephantDrive: pouco conhecido no Brasil, é um serviço de armazenamento na nuvem, como Dropbox e Google Drive, mas com foco em NASes. Custa caro: o plano grátis oferece 2 GB e a assinatura de US$ 9,95 por mês tem apenas 100 GB de espaço.
  • Plex Media Server: provavelmente, o melhor servidor de mídia do mercado. Organiza automaticamente seus filmes e séries, baixando legendas, descrições e capinhas automaticamente, permitindo assisti-los em qualquer dispositivo compatível.
Tem Plex Media Server, tem BitTorrent Sync, tem Dropbox e tem mais um monte de coisas
  • Sdrive: ferramenta da própria Seagate para acessar seu Personal Cloud de qualquer lugar, mesmo fora de casa, sem precisar configurar nada.
  • Seagate Media: cataloga todas as fotos, músicas, vídeos e documentos armazenados no Personal Cloud e permite que você reproduza os arquivos no iOS, Android e Windows.
  • WordPress: conhecido sistema de gerenciamento de conteúdo em PHP e MySQL que está por trás de diversos sites, inclusive seu blog preferido de tecnologia.
  • ownCloud: você pode criar seu próprio Dropbox ou Google Drive; o NAS se torna o servidor dos seus arquivos. Os dados podem ser acessados pelo cliente de sincronização desktop (Windows, OS X e Linux) ou por apps móveis (Android e iOS).

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Aplicativos móveis

No iOS e Android, o conteúdo do Personal Cloud pode ser acessado por meio do aplicativo Seagate Media. Nenhuma configuração é necessária: assim que o app é aberto pela primeira vez, ele procura por dispositivos compatíveis na rede. Depois que o NAS for localizado, é possível acessá-lo mesmo quando você estiver fora de casa, em uma rede 3G.

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Os arquivos armazenados no Personal Cloud são exibidos de forma categorizada no Seagate Media: você pode optar por visualizar apenas vídeos, fotos, músicas ou documentos. As músicas são separadas por álbum, artista, gênero ou lista de reprodução, então é fácil encontrá-las no meio da bagunça.

Particularmente interessante é o recurso de envio automático de fotos do smartphone para o Personal Cloud, um recurso que também está presente nos apps do Dropbox, Google Drive e OneDrive. A única diferença é que as imagens são enviados para a sua própria nuvem. Backup nunca é demais, afinal.

Desempenho

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O Personal Cloud consegue atingir taxas de transferência bastante satisfatórias. Para fazer o teste, armazenei um arquivo não comprimível de 5 GB na memória RAM do computador de origem (para assegurar que não haveria nenhum gargalo) e o copiei por meio do Robocopy, ferramenta nativa do Windows, através de uma rede de 1 Gb/s.

Nesse teste, o Personal Cloud atingiu 51,44 MB/s de leitura e 44,15 MB/s de escrita. São velocidades mais que suficientes para fazer streaming de vídeos em alta definição para múltiplas máquinas ao mesmo tempo e ocupar a metade da capacidade de uma rede gigabit. Embora os números sejam menores que os do WD My Cloud, o Personal Cloud cumpre bem o papel de um NAS doméstico.

Os apps de terceiros, no entanto, foram um pouco decepcionantes. O hardware simples do Personal Cloud, composto por um processador Marvell Armada 370 de 1,2 GHz e 512 MB de RAM, é insuficiente para rodar de maneira satisfatória o WordPress, e o envio de arquivos para o ownCloud é por vezes um processo demorado. Felizmente, o Plex funciona de maneira satisfatória — embora não tenha suporte a transcodificação em tempo real, como é de se esperar num dispositivo desse porte.

Conclusão

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Vale a pena comprar um Personal Cloud? Se você está procurando um NAS para compartilhar terabytes de arquivos na rede doméstica, estamos falando de uma das melhores opções no segmento de baixo custo (que no Brasil não é tão baixo assim).

É difícil considerar um NAS atraente do ponto de vista do custo-benefício. Por ser um produto de nicho, o preço de R$ 1.299 pelo Personal Cloud de 3 TB no Brasil é desproporcionalmente alto em relação a um HD externo. Nos Estados Unidos, a diferença de preço é bem menor, o que incentiva a compra por pessoas “normais”: é possível encontrar o dispositivo por US$ 163 (3 TB), US$ 200 (4 TB) e US$ 238 (5 TB).

Personal Cloud entrega desempenho e praticidade, mas cobra seu preço no Brasil

O grande ponto positivo do NAS doméstico da Seagate certamente é o software. Eu fiquei bastante impressionado com a evolução desde o Seagate Central, que não tinha muitos recursos além de deixar arquivos na rede e servir mídia por DLNA. O Personal Cloud possui uma interface web muito mais trabalhada e repleta de recursos. Só a presença nativa do Plex já é uma bela vantagem em relação ao antigo Seagate Central ou WD My Cloud.

Está disposto a pagar mais para ter as comodidades do Personal Cloud? Tem como comprá-lo por um preço menos proibitivo, trazendo de fora? Se alguma das respostas for positiva, o NAS doméstico da Seagate é uma ótima opção para ocupar um lugar ao lado do seu roteador.

Comentários

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Os mais notáveis

Comentários com a maior pontuação

Junior

Alguém aí sabe qual atualmente estaria valendo mais a pena entre as 3 opções abaixo

WD EX2 Ultra 2
Seagate Personal Cloud
D-Link Share center 2

Iremar Gomes Domingos
vc é o bixão mesmo hein rapaz kkkk
Matheus Torquato
Eu tenho um desse e foi a pior aquisição que já fiz. Uso Macbook e o aplicativo para o Mac desse personal cloud é um lixo. Nada funciona. A sincronização com o Dropbox sempre dá erro, o acesso remoto em redes externas não funciona. Muito ruim, pelo menos para o Macbook. E não, não é questão de configuração.
Edson da Silva Correa
ola boa tarde queria saber se posso conectar ele a um computador pelo usb ?
Rafael Hobbs
Você consegue fazer o backup/sinc do Personal Cloud no Amazon Cloud Drive? Ou só Google Drive e Dropbox?
luciana camara
Olá Paulo. Vc poderia me informar se o acesso remoto vida Internet é para escrita e leitura ou somente leitura? Vc chegou a fazer um teste de envio de arquivos via Internet? Obrigada e excelente artigo!
Hely Francelino
O maior defeito desse equipamento é ele não disponibilizar ao usuario um meio alternativo de acesso aos dados armazenados no caso de uma possível falha em seu acesso convencional. A única forma que a fabricante disponibiliza é um serviço que custa basicamente o valor de outro diapositivo. Eu não compraria algo assim sem ter uma segunda maneira de ae fazer as coisas sem precisar pagar mais por isso.
Christofer Freitas
Paulo, boa tarde! Como funciona esse acesso remoto por esse Sdrive? Eu acionaria o App e imediatamente ele já acessaria o scloud lá dentro da minha casa? Simples assim?!
Geriel
Dá pra rodar stream de vídeo em quantas máquinas simultaneamente?
João Paulo
Qual é o modelo desse personal cloud?
Caio Everton
Não é bem assim. Dados da Backblaze, empresa de soluções em nuvem, mostram que os Seagate têm taxa de mortalidade maior. Teve até um artigo recente mostrando um modelo (o de 3tb interno e externo) que deu problemas fora do normal. Tá tudo documentado lá, então não é só experiência pessoal. Estatisticamente a Seagate se sai pior, pelo menos em um estudo. Queria que mais empresas de nuvem fizessem relatórios tão detalhados como a Backblaze e divulgasse ao público. Talvez confirmassem ou rebatessem os dados dela, ajudando a ter uma imagem mais geral.
Yan Minari

O preço de uma time capsule... que é limitada em funções, mas é um puta de um roteador ac dual band.

Yan Gabriel Minário
O preço de uma time capsule... que é limitada em funções, mas é um puta de um roteador ac dual band.
Eduardo Rigler
Realmente, discos SAS tendem a durar mais, mas o grande "x" dos problemas com HD's na maioria dos casos é o liga/desliga diário. Cientificamente falando, um disco funcionando 24/7 sempre vai durar mais tempo que um que funciona das 8 às 18h, não importando a interface.
Antonio Francisco de Souza
Realmente depende de fatores (diria até dinâmicos hehehe). Há muito tempo me deparei com um monte de Maxtor dando pau em menos de um ano... Eram todos do mesmo lote. Me deu uma raiva daquelas do Maxtor, mas depois me acalmei e olhando direito descobri que tinha um padrão no tempo e no lote. Depois que foram trocados na garantia, o novo lote durou mais de 6 a 7 anos. Enfim, nem foi por dar problema assim, mas porque os computadores já estavam muito defasados. Onde eu trabalho temos Samsung, WD, Seagate e Maxtor. Para quem tem servidor que fica ligado 24x7x30, aconselho comprar HDs SAS especiais. São bem mais caros (HD SAS 300GB 6Gbs 15K os últimos que comprei foi 1050 reais cada), mas trabalham por anos a fio sem dar problema algum. E claro, usar espelhamento.
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