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Kindle Oasis (2017): o melhor e-reader cobra seu preço

Segunda geração do e-reader mais caro da Amazon chega com tela maior, proteção contra água e design de alumínio, por R$ 1.149

Paulo Higa Por

A Amazon nunca escondeu que o Kindle Oasis é um produto de nicho, daqueles que vendem poucas unidades para um público bastante específico. Mesmo não sendo tão popular quanto o Kindle Paperwhite, ele ganhou uma segunda geração, trazendo uma tela de 7 polegadas, acabamento de alumínio e proteção contra água, mantendo o formato característico do antecessor.

Será que vale a pena gastar R$ 1.149 no leitor de ebooks mais completo da Amazon? Eu passei as últimas semanas terminando meus livros e conto tudo nos próximos minutos.

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O que é isso?

Quatro modelos de Kindle são vendidos no Brasil, custando entre R$ 299 e R$ 1.149. A diferença entre eles é menor que a sugerida pela discrepância entre os preços.

O Kindle começa com uma tela e-ink de 6 polegadas, bateria que dura semanas e espaço para centenas ou milhares de livros. Acima, temos o Paperwhite, que adiciona a iluminação embutida e permite ler no escuro. Depois, o Voyage traz um acabamento de vidro, brilho automático e botões sensíveis à pressão para trocar de página. Por fim, o Oasis se destaca pela lombada na traseira, que melhora a ergonomia.

Em relação à geração anterior, o novo Kindle Oasis ganhou uma tela maior (7 polegadas, contra 6 no antecessor), mantendo a definição de 300 pixels por polegada; um acabamento superior, com alumínio em vez de plástico; o dobro de armazenamento para livros (8 GB); iluminação que se ajusta automaticamente (existia no Voyage, mas não no primeiro Oasis); proteção contra água (IPX8); e uma bateria integrada maior.

O que é legal?

A experiência de leitura do Kindle Oasis é melhor que nos outros modelos por causa da ergonomia. Embora ele pareça ser mais pesado que o antecessor (de fato, aumentou de 131 para 194 gramas), o peso fica concentrado na parte espessa do e-reader. O centro de gravidade deslocado para a palma da minha mão causa a impressão de que ele ainda é bem mais leve que o Kindle Paperwhite, por exemplo.

Eu também relevo o aumento de peso porque o aumento de bateria, pela minha experiência, foi bastante significativo. Na primeira geração, boa parte da carga vinha da bateria presente na capa — sem ela, a autonomia era suficiente para ler um livro grande (cerca de 300 páginas), mas bem menor que a dos outros Kindles. Agora, a bateria está inteira no e-reader: em duas semanas, eu não consegui gastar nem 50% da carga.

Os botões físicos para alternar entre páginas também permitiram que eu lesse por horas a fio, deitado na cama, sem sentir desconforto. Como eles ficam posicionados justamente no lugar onde você segura o e-reader, eu nunca preciso deslocar minha mão — exceto para marcar um trecho ou consultar o dicionário. É um design bem pensado para um dispositivo que precisa ser segurado por muito tempo.

A Amazon não divulga claramente as especificações de hardware do produto, mas é nítido que houve melhorias. Acessar a definição de um verbete no dicionário, por exemplo, agora é uma tarefa quase instantânea. E a troca de páginas se tornou absurdamente rápida, mesmo em comparação com o primeiro Kindle Oasis — foi a primeira coisa que notei quando abri um ebook pela primeira vez.

Por fim, o software continua sendo um ponto forte do Kindle. O ecossistema é bem integrado (um ebook é recebido segundos depois da compra; um artigo da web pode ser rapidamente enviado ao dispositivo; tudo fica sincronizado na nuvem), a experiência é fluida e os recursos se tornam tão úteis que às vezes dá preguiça de ler no papel, sem poder fazer marcações ou ter um dicionário de outro idioma a um toque de distância.

O que não é legal?

O Kindle nunca foi um bom dispositivo para ler PDFs, e pouca coisa mudou na segunda geração do Oasis. Um conteúdo formatado para um papel A4 não fica muito legível quando espremido na tela de 7 polegadas (embora fique melhor que no antecessor). É necessário dar zoom, mas isso esbarra na limitação do e-ink, que possui uma taxa de atualização bem menor que um LCD ou OLED.

É uma pena, já que isso restringe as possibilidades de utilização. Livros normalmente têm versão adaptada para o Kindle, mas isso nem sempre é verdade para artigos científicos ou mesmo livros técnicos. Eu tive que lidar com incontáveis PDFs na faculdade (que acabavam sendo lidos no iPad). Um recurso que extraísse o texto do PDF e o apresentasse em uma fonte maior, como o do Saraiva Lev, cairia muito bem.

O aumento de tela no Kindle Oasis também me faz lembrar de outra questão: por que ele cresceu de 6 para apenas 7 polegadas? A sensação é que falta na linha atual um produto como o Kindle DX, que tinha 9,7 polegadas, especialmente para o público mais ávido por quadrinhos (ou simplesmente para quem prefere ler em uma tela maior). De quebra, isso ainda resolveria o problema do PDF.

Além disso, é frustrante que o novo Kindle Oasis chegue capado ao país, sem a opção de 3G gratuito (que existe no Paperwhite) e com opção única de 8 GB de memória (também é vendida a versão de 32 GB nos Estados Unidos). O ecossistema limitado da Amazon no Brasil também limita o e-reader: um dos maiores atrativos do novo modelo é a integração com o serviço de audiolivros Audible, que não é oferecido por aqui.

Vale a pena?

A pergunta “vale a pena” é muito complicada quando se trata de qualquer Kindle que não seja o Paperwhite: o modelo “intermediário” da Amazon continua sendo um campeão imbatível em custo-benefício.

Falando do produto, o Kindle Oasis é muito bom. Ele é, de longe, o melhor Kindle que a Amazon já lançou: tem o design mais ergonômico e bem acabado; tem a melhor tela entre qualquer e-reader que já testei; tem o melhor desempenho da família (é visivelmente mais rápido que o antecessor); e ainda por cima é à prova d’água. A Amazon fez um produto quase sem defeitos. Ponto.

Mas a questão mais importante a ser respondida também é muito pessoal: vale a pena gastar R$ 1.149 em um dispositivo para ler livros? Ele é 700 reais mais caro que o Kindle Paperwhite, mas ele é 700 reais melhor que o Kindle Paperwhite? Para mim, não, não vale a pena.

A partir do Kindle Paperwhite, qualquer Kindle cumpre muito bem o que um Kindle deve fazer: ler livros (o Kindle de R$ 299 também atinge o requisito, mas o fato de não ter iluminação embutida impede leituras no escuro, como em uma viagem de ônibus ou avião, o que o torna bem menos interessante). No Brasil, onde o Audible não existe, a única possibilidade aberta com o novo Kindle Oasis é ler um livro na banheira.

Se você toma banho em uma banheira, provavelmente dinheiro não será um problema na hora de comprar um Kindle. Nesse caso, vá de Oasis. Para todo o resto, ainda não é interessante gastar tanto no melhor e-reader do mercado.

Comentários

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Eduardo Costa
Por isso comprei um Kobo Aura One que tem 8''... =D Já passou da hora da Amazon investir num kindle PW DX com backlight e tela de pelo menos 8 polegadas, mas poderia ser 9.7 como o modelo antigo, acho que tão comendo mosca...
Eduardo Costa
Recomendo usar o briss pra diminuir um pouco o sofrimento com pdfs. Ele permite que vc recorte as bordas do pdf, deixando somente o miolo que importa. Assim, quando abrir no e-reader, as letras ficarão um pouco maiores, não é A solução excelente, mas é alguma coisa. O programa é gratuito, leve, rápido, muito fácil e intuitivo de usar, não aumenta o tamanho do pdf gerado e melhora consideravelmente a leitura no e-readers. Estou usando até antes de ler no ipad agora pra ficar com uma fonte maior e cansar menos a vista.
Eduardo Costa
Concordo em parte, tenho um paperwhite e comprei há uns 6 meses um Kobo Aura One no ebay por 700 reais, melhor investimento que fiz, primeiro porque a receita passou sem tributar hehehe... Adoro meu paperwhite, mas depois que recebi meu Aura One, ele está numa gaveta encostado e só ligo de vez em nunca pra dar uma carga na bateria. No geral, só a tela de 8 polegadas (bem melhor para pdf do que a de 6 do pw), a opção de amarelar a tela (melhor pra ler a noite que a luz azul) e, principalmente, a possibilidade de organizar as collections pelo Calibre, já matam qualquer versão do Kindle vendida atualmente. A Amazon pode até ter um ecossistema bom, mas facilmente vc compra na Amazon, baixa o livro pro PC e converte pra epub, basta procurar na net ou pedir o serial do kindle para algum conhecido que o tenha (como eu já tenho, uso a chave dos meus). O Unlimited, tentei duas vezes assinar pra ver se compensava e não compensa (pra mim), não adianta ter 10 mil livros se a maioria são livros de auto-ajuda, livros que custam 1 real e os melhores que tem, como Senhor dos Anéis, são livros mais conhecidos, mas são antigos e a maioria que me interessa eu já li. Agora realmente a opção de sincronizar os livros e aplicativos pra pc, ipad e iphone, e a de mandar um livro por email, putz, isso faz muito falta no kobo... =/ Já quanto a bateria, meu Kobo gasta bem mais do que o Kindle, acredito que por conta da quantidade de leds ser maior (o backlight normal e mais os que dão o tom amarelado). Ps: uma dica boa pra quem quer sofrer um pouco menos com pdfs é utilizar o briss pra recortar as margens, cabeçalhos e rodapés, deixando somente o miolo que importa. É gratuito, *muito* fácil de usar, o pdf gerado fica praticamente com o mesmo tamanho e fica com melhor visualização nos e-readers. Até no ipad só leio os meus assim agora pra forçar menos a vista (as letras ficam maiores).
Magnosama
Sério que é só por isso? Achava que era uma limitação da tela e-ink... Acho bem ruim.
Ulisses 8 Bits
Isso é porque ele tenta imitar a textura de livros.
Ulisses 8 Bits
Em resumo. PDF não serve para e-reader. Se o aparelho não faz "mágica" então não existe suporte. Isso é gambiarra oficial dos aparelhos... um quebra galho.
Ulisses 8 Bits
Mas aí entramos justamente no ponto fraco de todo leitor digital. Muitas obras científicas precisam ser livros grandes, fisicamente grandes para melhor visualização, tipo atlas humano, física ensino superior, mapas geográficos... os leitores atuais não servem para isso. Mas são ótimos com literatura e leituras de ensaios. O único aparelho que poderia ser útil a Elsevier deveria ser um com tinta colorida e tamanho bem maior que todos que estão no mercado, isto é, a editora teria que fazer algo que nenhuma empresa do planeta quis ou conseguiu fazer. Ou então ficar no PC tablets etc com seus PDF´s de sempre. Vale lembrar sempre que papel é muito melhor que qualquer outra coisa no universo para ler. O PDF teria que ter uma versão e-ink em cores. Aí sim. E com uma tela grande.
antônio

Queria ter coragem/paciência para enfrentar esses monstros (parabéns, aliás). Na verdade, acho dois meses até pouco para esse livro inteiro haha. Mas é indiscutível que um livro de 300 páginas não é de maneira alguma “longo” - e muito menos tomando as grandes obras da literatura mundial como parâmetro.

Elton Alves Do Nascimento

Pois é. Terminei de ler "Os Miseráveis" esses dias, depois de quase dois meses lendo no Kindle (bem lentamente). Livros assim que são realmente muito grandes.
Mas até livros mais populares podem ser grandes, os últimos 3 livros de Harry Potter todos tem mais de 500 páginas cada. E Crônicas de Gelo e Fogo então? Haha

antônio

Imagina o que deve ser Guerra e Paz sob esse critério haha

🧙‍♂️ Mago Erudito® ᴾᴿᴱᴹᴵᵁᴹ

Estanho mesmo, o meu deve durar 1 mês no modo avião e com capa fechada.

Renan™

Meu kindle está sofrendo até com a capa magnética fechada. Se eu deixar meu kindle sem usar por 1 semana, quando pego ele já está com a bateria quase no fim. Não entendo essa doideira do kindle.

🧙‍♂️ Mago Erudito® ᴾᴿᴱᴹᴵᵁᴹ

Ahh sim, 4 horas por dia é bastante pro kindle.

Aí tem que carregar ele 1x por semana acredito.

Renan™

Mas eu não deixo com o wifi ativado por muito tempo. Assim que eu ativo o wifi, vejo que a bateria começa a ser drenada rapidamente. Mesmo com o modo avião ativo, eu percebo que a bateria fica bem aquém da durabilidade de um kobo.

Talvez a bateria dure bem mesmo apenas com quem tem leitura mediana (tipo uns 30 minutos por dia). Com o Kobo já aconteceu de eu ler algo próximo de 4 horas por dia e ele ainda durar mais de um mês fácil.

🧙‍♂️ Mago Erudito® ᴾᴿᴱᴹᴵᵁᴹ

Kindle paperwhite na minha opinião é o melhor para ler livros.

Para pdf pode pegar um kindle fire baratinho nas promos da Amazon.com e pronto.

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