Nesta semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a reconhecer o vício em jogos eletrônicos como um transtorno de saúde mental. De acordo com a entidade, a decisão tem como base uma série de estudos e as considerações sobre o assunto de especialistas de diversas áreas.

Para ser mais preciso, o que a OMS fez foi incluir transtornos patológicos relacionados a jogos eletrônicos na 11ª edição da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID). O catálogo não é atualizado desde 1990.

Joystick

Apesar de estar sendo confirmada agora, a decisão de incluir o vício em games na CID foi anunciada no final de 2017. A condição é listada como “gaming disorder”. Esse é um convite, digamos assim, para que o problema seja tratado com mais seriedade por serviços de saúde: a CID é referência em várias partes do mundo para fins estatísticos, cálculos de despesas médicas e aprovação de tratamentos, por exemplo.

O assunto divide opiniões. Para alguns especialistas em saúde mental, comportamentos nocivos ligados a jogos eletrônicos podem ser consequência de distúrbios mentais clássicos, como quadros crônicos de ansiedade ou transtorno obsessivo compulsivo. Nessas condições, os jogos serviriam como uma válvula de escape usada em excesso.

A OMS ressalta, porém, que os estudos acerca do assunto começaram há mais de dez anos e deixa claro que a decisão foi bastante ponderada. Não por acaso, parece que a inclusão do vício em jogos na CID encontra mais apoio do que resistência: para muitos profissionais, o problema tende a ser tratado com mais seriedade nos próximos anos.

Mark Griffiths, psicólogo da Universidade Nottingham Trent que há mais de 30 anos estuda a obsessão em games, faz parte dos apoiadores. Para ele, a classificação incentivará centros de saúde do mundo todo a prestarem mais atenção no problema, bem como a desenvolverem estratégias de tratamento específicas.

Jogando

É válido ressaltar que jogar assiduamente, por si só, não implica em vício. É preciso considerar outros fatores. A OMS explica que é importante levar em conta se essa atividade prejudica seriamente a rotina. É o caso, por exemplo, de pessoas que faltam ao trabalho, frequentemente pulam cuidados diários como banhos e refeições, ou perdem o interesse por outros assuntos por conta dos jogos.

Outros sinais incluem a angústia: a pessoa pode perceber que jogar está atrapalhando a sua vida, mas não consegue deixar a prática de lado, alimentando um sentimento de culpa que, não raramente, a faz se afundar ainda mais nos games.

Esse é um problema que requer atenção das autoridades, mas não em níveis alarmantes. Nas estimativas da OMS, o vício em jogos eletrônicos atinge menos de 3% dos gamers. Se a pessoa joga bastante, mas cumpre os seus afazeres ou, percebendo exageros, consegue reduzir a frequência, por exemplo, muito provavelmente os jogos não têm efeitos nocivos sobre ela.

Com informações: Associated Press, Agência Brasil.

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Renan Rufino

Sempre funciona quando eu comparo o tempo de jogo vs o tempo da tv.

Bruna C. C. de S. Wojtenko

O problema nem é tanto a categorização da OMS que esta correta. Problema é que passando essa reportagem numa TV da vida que não explica as coisas (aquela que faz plim-plim), como já ocorreu várias vezes com os games, você pode se passar por alguns familiares (esposa, marido, pais, etc) por viciado, mesmo sendo aquele bom aluno que faz tudo certonho, lição de casa e depois disso joga direto, ou a pessoa que chega do trabalho cansada e quer curtir sua atividade favorita. Não parece, mas alguns olham e usam isso como pretexto pra critocar outras coisas, como "alta violência". Portanto, a notícia é boa, mas tem que tomar cuidado em como noticiar nos grandes meios das massas, noticiando da mesma forma explicativa que aqui.

Caleb Enyawbruce

Não saber lidar com opiniões diferentes (e encará-las como "julgamento") é outra característica de imaturidade. Se a pessoa lê opiniões na internet e se afeta com isso, acabou de descobrir que tem outro problema. Se existir adulto que perdeu emprego e família por que não conseguia fazer qualquer coisa além de jogar, aí eu acredito ser um caso de vício. Pra mim não tem nada a ver com adolescentes mimados sem sair de casa (e/ou sem comer/dormir direito) por causa de games.

Danillo Nunes

Exceto se ela não entender que partida online não tem pause. Aí bater na mãe é justificável.

DeadPull

Muitas pessoas no Brasil sofrem de um mal que se chama "dificuldade de interpretação de texto". Tudo bem, como sou professor, vou mastigar o texto pra você.

Como o Emerson falou anteriormente:

Então não era vício. Você simplesmente ocupava a sua mente com os jogos e passava tempo demais neles. Se as responsabilidades chegassem e mesmo assim você não conseguisse colocar a jogatina de lado, aí sim um quadro de vício poderia ser sugerido.

E é exatamente isso que a matéria diz:

É válido ressaltar que jogar assiduamente, por si só, não implica em vício. É preciso considerar outros fatores. A OMS explica que é importante levar em conta se essa atividade prejudica seriamente a rotina. É o caso, por exemplo, de pessoas que faltam ao trabalho, frequentemente pulam cuidados diários como banhos e refeições, ou perdem o interesse por outros assuntos por conta dos jogos.

Outros sinais incluem a angústia: a pessoa pode perceber que jogar está
atrapalhando a sua vida, mas não consegue deixar a prática de lado, alimentando um sentimento de culpa que, não raramente, a faz se afundar ainda mais nos games.

Entendeu agora?

Drax

Tenho um colega que o irmãozinho dele chegou a se mixar para não ter que parar o game

Yago Oliveira

Cara, releia o texto. Ele explica que uma parcela pequena de pessoas que jogam tem problemas com vício. Entre os exemplos informados está justamente deixar os demais afazeres como trabalhar, tomar banho e afins para continuar no game. Você conseguiu se livrar, parabéns. Mas realmente existem pessoas com problemas, seja uma doença em si ou um sintoma de outra.

Emerson Alecrim

Então não era vício. Você simplesmente ocupava a sua mente com os jogos e passava tempo demais neles. Se as responsabilidades chegassem e mesmo assim você não conseguisse colocar a jogatina de lado, aí sim um quadro de vício poderia ser sugerido.

Agora, pensa, você fala que é falta de boleto para uma pessoa que realmente sofre do transtorno. Ela provavelmente sabe que está cometendo excesso, mas tem dificuldade para se controlar. Isso vai deixá-la pior. Às vezes ela até cogita procurar ajuda, mas evita justamente por medo de julgamentos como esse.

Kabrok ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

Gostei da sua definição de vício: "Se você bater na mãe, é vício."

Caleb Enyawbruce

famoso "falta de boleto pra pagar". Eu passei por isso na adolescencia, jogando um MMORPG. Cheguei a ficar um bom tempo mal saindo do quarto. É bizarro. Depois que as responsabilidades chegaram automaticamente o vício se foi

DeadPull

Gostei da definição da OMS. Pra ser doença tem que prejudicar a vida profissional e social da pessoa, de modo que esta não consiga abandonar o vício sozinha e precise de ajuda profissional pra isso. Até porque doença é coisa séria, e não se pode taxar ninguém de doente sem estudos sérios e aprofundados sobre um mal que afeta determinada comunidade.

Marcio Gianotti

Transtorno causador da virgindade perene.
A fronteira do vício é a quantidade.

Eu uso videogame sempre que chego do trabalho, mas nunca passo mais que duas horas e não é todos os dias...

Emerson Alecrim

Olha, cada caso é um caso. Não dá para definir se é vício ou não sem uma análise cuidadosa. O que é importante é observar se isso está ferrando a sua vida. Se estiver e mesmo assim você não conseguir controlar, é o caso de procurar ajuda. O mesmo vale se você se sentir angustiado: game não é para causar sentimento de culpa ou algo do tipo.

Nao me parece vicio.
Pra mim seria vicio, se você deixase de fazer varias coisas planejadas para jogar.
Jogo 2 horas por dia, mas ainda faço todas obrigações e outras coisas que tambem são do meu tempo livre....

Lucas Santos

Acho que nesse caso aí é vício no sentido popular, mas não no sentido clínico. Ano passado mesmo fiquei um tempo onde quase todo dia saia pra beber com meus amigos, mas logo quando me mudei da cidade não tive mais tanta vontade de beber. No fim era só a companhia mesmo.

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