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Facebook remove contas usadas para interferir nas eleições de diversos países

As páginas e os perfis removidos pela rede social foram criadas no Irã e na Rússia

Victor Hugo Silva Por
1 ano atrás

O Facebook voltou a agir contra páginas que atuam de forma coordenada e enganam os usuários sobre seus verdadeiros donos. Desta vez, a plataforma removeu 652 páginas e contas que publicavam conteúdo político com o objetivo de influenciar o resultado de eleições.

A ação foi descoberta em julho pela empresa de segurança FireEye, que indicou atividades suspeitas no Irã em contas do Facebook e do Instagram. A investigação da companhia chegou a uma rede conhecida como Liberty Front Press.

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A partir disso, o Facebook analisou o caso em quatro etapas e encontrou mais páginas ligadas com o que chamou de "comportamento não-autêntico coordenado".

Em um primeiro momento, a empresa encontrou contas que publicavam conteúdos direcionados ao Oriente Médio, Reino Unido, Estados Unidos e América Latina. Todas tinham ligação com a imprensa estatal iraniana.

Desde 2015, elas gastaram gastos US$ 6 mil em anúncios para atingir públicos nesses locais. Essa parcela da rede tinha 74 páginas, 70 perfis e 3 grupos no Facebook, que totalizavam 155 mil seguidores. A rede também tinha 76 contas no Instagram com um total de 48 mil seguidores.

Uma segunda etapa da investigação encontrou ligações da Liberty Front Press com outro grupo de contas e perfis que não informaram a identidade real dos proprietários. Nesse caso, elas se passavam por veículos de imprensa e eram usadas em ciberataques.

O Facebook identificou 12 páginas e 66 perfis, com mais de 15 mil seguidores, e outras 9 contas no Instagram com mais de 1.100 seguidores. Neste caso, a rede não comprou anúncios.

A terceira parte da análise permitiu encontrar mais contas que publicavam conteúdo político sobre o Oriente Médio, em árabe e persa, e sobre o Reino Unido e os EUA, em inglês. As páginas sem identificação real foram descobertas em agosto de 2017, mas a investigação ganhou força em julho deste ano.

Nesse grupo, a rede fez publicações praticamente idênticas em 168 páginas e 140 perfis no Facebook, com 813 mil seguidores. No Instagram, eram 31 contas que totalizavam 10 mil seguidores. Elas gastaram US$ 6 mil em anúncios entre julho de 2012 e abril de 2018.

Facebook encontrou ligação com a Rússia

A última etapa da análise focou em páginas, grupos e contas ligadas à inteligência militar da Rússia. De acordo com o Facebook, a atividade desse grupo não tem relação com a Liberty Front Press. O foco estava na política interna da Síria e da Ucrânia.

"Nós proibimos esse tipo de comportamento porque a autenticidade é importante. As pessoas precisam confiar nas conexões que fazem", disse o Facebook. A empresa diz que notificou as autoridades nos EUA e que trabalha para revisar o conteúdo das publicações.

No comunicado, o Facebook também afirmou que levou meses na investigação para remover as páginas porque quer reduzir a frequência dessas atividades no longo prazo.

"Se as removemos muito cedo, é mais difícil entender suas ações e a extensão da rede. Isso também limita a nossa capacidade de agir junto com as autoridades, que muitas vezes têm investigações próprias".

A investigação da FireEye também levou a mudanças no Twitter. A plataforma afirma ter removido 284 contas que realizaram uma "manipulação coordenada". Segundo as análises da empresa, as contas foram aparentemente criadas no Irã.

Facebook também removeu páginas do MBL

Há cerca de um mês, o Facebook removeu 196 páginas e 87 perfis brasileiros acusados de espalhar informações falsas. Algumas delas eram ligadas ao Movimento Brasil Livre (MBL). Outras eram de apoio a Jair Bolsonaro e a partidos políticos.

Na ocasião, a rede social disse que "essas páginas faziam parte de uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas". Elas tinham ligação com os tais "comportamentos não-autênticos coordenados" e eram usadas para enganar pessoas e estimulá-las a compartilhar, curtir e clicar em suas publicações.

Com informações: Facebook, The Verge.

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