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Universidade na Bahia empresta notebooks com software espião para alunos

Alunos da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) relataram que notebooks emprestados têm programa que grava áudio

Victor Hugo Silva Por

Com a migração para a educação à distância por conta do coronavírus, a segurança digital dos alunos se tornou uma questão ainda mais importante. Porém, nem todas as instituições estão garantindo essa proteção. É o caso da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), que emprestou notebooks para estudantes realizarem as aulas. O que eles não sabiam é que os aparelhos tinham um software espião.

KidLogger no notebook da UFSB (Imagem: Reprodução/Facebook)

KidLogger no notebook da UFSB (Imagem: Reprodução/Facebook)

A denúncia foi feita pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFSB, que alertou para a presença do programa KidLogger em mais de um notebook. Em vídeo, uma integrante do DCE explicou que o software foi encontrado por um aluno e sugeriu que, quem encontrasse o programa, registrasse um Boletim de Ocorrência e uma denúncia junto à ouvidoria da universidade.

O KidLogger é um software para pais acompanharem o que seus filhos estão fazendo na internet. Na versão gratuita, o programa promete registrar a atividade no PC por um período de nove dias, o que inclui gravar sons emitidos próximos ao microfone do dispositivo, além de armazenar dados como histórico de navegação, teclas digitadas, capturas de telas e programas mais usados.

Em seu site, o KidLogger afirma que permite a vigilância remota de dispositivos e apresenta o que seria um painel para o monitoramento. O programa destaca que também é útil para empresas vigiarem a atividade de funcionários e anuncia que sua versão para Android consegue tirar fotos e enviá-las para terceiros sem o usuário saber.

O que diz a universidade

Após os relatos dos estudantes, a Pró-Reitoria de Tecnologia da Informação e Comunicação e a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas da UFSB estão analisando o caso. Em nota, elas afirmaram ter realizado na quinta-feira (22) uma reunião com representação do DCE e alguns dos estudantes que relataram o problema.

“A Administração esclarece que respeita a privacidade de seus acadêmicos e que não adota nenhum mecanismo que fira esse direito. Os encaminhamentos imediatos são o recolhimento e análise de algumas das máquinas afetadas para investigar como esse aplicativo foi instalado, e para definir procedimento que garanta a salvaguarda de informações para os estudantes cujas máquinas apresentem esse problema e a desinstalação completa e segura do aplicativo de monitoramento”, indica a nota.

Nesta sexta-feira (23), a instituição abriu uma comissão de sindicância para investigar a situação. Ainda de acordo com o comunicado, os estudantes que disponibilizarem para análise os notebooks emprestados pela universidade terão outros aparelhos fornecidos por meio de empréstimo para seguirem participando das aulas à distância.

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Lucca (@lucca)

Se a versão gratuita dura 9 dias a Universidade gastou dinheiro com ele?

² (@centauro)

Não diz nada sobre se a versão instalada era gratuita ou não.

Luis Henrique Martins (@Luis_Henrique_Martin)

Isso tá me cheirando coisa de funcionário querendo pegar algum nude de aluno

@ksio89

Até pensei nisso, mas a versão de computador tem acesso à webcam? De qualquer forma, o responsável pela gestão desses notebooks vai ter muito o que explicar.

Bruno Solidade (@Bruno_Solidade)

no print, a data de criação da pasta de logs mostra que o programa foi instalado tem 1 ano, então não tem nada a ver com o momento atual. é mais fácil ter sido alguém mal intencionado querendo roubar contas de redes sociais - talvez pra fazer chantagem, talvez pra difamar espalhando fotos íntimas - uma vez que isso é bem comum hoje em dia. dificilmente vão achar quem fez, e mesmo que tenha apenas a versão de testes, a pessoa que instalou provavelmente conseguiu o que queria. usar computador público é complicado…

Rafael César Neves (@rneves)

Pára né gente, vocês acham mesmo que foi a universidade que instalou? Ou algum funcionário? Esses notebooks provavelmente já eram utilizados em algum laboratório e algum aluno instalou. Provavelmente já estavam instalados antes da pandemia e ninguém tinha visto.

Jardel (@Jardel)

Se os prints que estão no artigo forem dos maquinas dos alunos tinham esse spyware, pelas datas que aparecem, essa é a teoria mais plausível.