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Quanto custa ser um desenvolvedor para iPhone?

Por
9 anos atrás

por Renato Pessanha, desenvolvedor de iPhone OS

Desde que a Apple disponibilizou o SDK (Software Development Kit, o conjunto de ferramentas para criar aplicativos para o iPhone OS) e permitiu que aplicativos fossem publicados na App Store para a venda, desenvolvedores voltaram suas atenções para essa nova e promissora plataforma, com objetivo de faturar algum dinheiro.

Mas antes de lucrar é preciso investir. Para criar aplicativos para iOS, o programador necessita de equipamentos, licenças, conhecimento, softwares e recursos.

Equipamentos

O investimento em equipamentos requer minimamente um MacBook e um iPod Touch, mas isso pode variar dependendo dos objetivos do programador. Se a intenção é criar aplicativos que usem recursos específicos do iPhone, como GPS ou câmera, então é necessário ter o celular. Igualmente, se o objetivo é criar apps para iPad ou apps híbridos, também é necessário adquirir o tablet da Apple.

Para complicar um pouco mais, é interessante poder testar como fica a performance de seus aplicativos em aparelhos mais antigos, como um iPhone 3G ou iPod Touch de 1ª geração. Então é interessante você cogitar a possibilidade de manter um ou dois aparelhos desses apenas para fins de testes.

Durante o desenvolvimento do aplicativo, você poderá testá-lo no simulador que roda no próprio Mac OS X. No caso de aplicativos para iPad, a tela de um MacBook de 13 polegadas é muito pequena e o simulador trabalha numa escala de 50%. Nestes casos, um MacBook Pro de 17 polegadas ou um iMac de 27 polegadas vão lhe proporcionar o conforto necessário para programar e visualizar o seu código ao lado do simulador nos momentos de depuração, evitando alternar entre diferentes janelas.

E não se esqueça de manter os backups em dia. Um bom HD externo ou um Time Capsule para poder usar o Time Machine é muito importante.

Licenças

Para poder testar seus aplicativos em um aparelho e disponibilizá-los na App Store, você precisa fazer parte do iPhone Developer Program. A inscrição custa 99 dólares (equivalente a cerca de R$ 175) e precisa ser renovada anualmente.

Conhecimento

O investimento em treinamento depende de seu conhecimento prévio em programação e do seu domínio do inglês.

Se você já sabe programar em linguagens com C++ e Java e possui um bom conhecimento de inglês para leitura, há material bom e farto na internet que pode te ajudar. Nesse caso, você precisará investir apenas tempo. A própria documentação que a Apple fornece sobre o SDK e seus frameworks e APIs, somada aos aplicativos de exemplo, podem ser suficientes para você estudar e então começar a criar seus primeiros aplicativos.

Se você não é um ninja em programação, há vários livros em inglês que oferecem um caminho suave sobre o tema. Outra dica legal é o curso iPhone Application Development da Stanford University, que pode ser baixado gratuitamente no iTunes U.

Se você não é autodidata e o inglês não está tão bom, a melhor solução é buscar um curso especializado. O iAi (Instituto de Artes Interativas) oferece alguns módulos interessantes, com o pacote completo com duração de 99 horas custando R$ 5.975 (pode ser parcelado em 5 vezes).

Vale lembrar que mesmo um programador experiente em C++ ou Java, estudando o SDK entre 3 a 4 horas por dia, pode facilmente levar mais de 30 dias para produzir um aplicativo dos mais simples.

Softwares e conteúdo

Este ponto é variável e depende muito do tipo de aplicativo a ser desenvolvido, sendo importante lembrar que, mesmo com equipamentos e conhecimento, a criação de um aplicativo abrange outros custos relativos ao conteúdo que este aplicativo irá utilizar.

O desenvolvimento do aplicativo não ocorre apenas no SDK. Se você pretende integrar ao seu aplicativo recursos como efeitos sonoros, vídeos, imagens e objetos em 3D, provavelmente precisará investir em softwares para trabalhar este conteúdo, como Final Cut Studio, Maya ou Photoshop. A alternativa aqui é buscar soluções de baixo custo ou softwares livres como o Pixelmator, GIMP e Blender.

Se você não pretende criar este conteúdo, pode encomendá-lo de designers, músicos e ilustradores.

Lembre-se: mesmo que seu aplicativo não precise de sons, imagens e vídeos, ele precisará de um ícone, que será a marca registrada dele na App Store. E tenha em mente que há muitos usuários que não compram um aplicativo simplesmente porque acham o ícone feio.

Simulação de valores

A tabela abaixo lista o investimento necessário para dois diferentes cenários, incluído o valor do treinamento. Custos de softwares e conteúdo não estão inclusos já que dependem muito do tipo de aplicativo a ser criado.

O investimento necessário não é um valor insignificante. Além do dinheiro investido, há o tempo necessário para aprender a linguagem. Se você tem pouco tempo livre para estudar e programar, pode acabar se sentindo frustrado e atropelado pelo lançamento de novos modelos dos aparelhos e novas versões do iOS e SDK, com novos recursos para aprender.

Além disso, existe a concorrência. Já são  mais de 250 mil aplicativos disponíveis na App Store, e todo dia centenas de novos aplicativos são lançados. Se o seu aplicativo de US$ 0,99 não ‘pegar’, isso significa que ele irá vender menos de 4 ou 5 cópias por dia, o que dificilmente irá pagar o investimento.

E para piorar, você ainda corre o risco de ter seu aplicativo de US$ 0,99 pirateado e distribuído gratuitamente no submundo da internet.

Conclusão

Se você já tem um Mac e um iPhone e sabe programar, está no melhor dos mundos. Precisará apenas investir tempo para conhecer as ferramentas e criar seus aplicativos. Mas se você não sabe programar e não tem Mac nem iPhone, pense muito bem antes de fazer esse investimento, pois o risco é alto.

Esse mercado de aplicativos é aberto e divertido. Requer criatividade, trabalho e algum investimento. A decisão é sua. 😉

Renato Pessanha | Programador brasileiro que cria apps para iPhone há dois. Entre seus maiores sucessos estão Forca Brasil, Domino Box e Truco. Mais informações no seu site pessoal e no Twitter @renatopessanha.

Aviso | As opiniões do autor do texto não refletem necessariamente as do Tecnoblog.

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