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Por que o Google Phone pode não ser uma boa idéia

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No último final de semana pipocaram informações sobre o Google Phone, ou Nexus One, um aparelho a (teoricamente) ser fabricado pela HTC com a marca Google e vendido diretamente ao consumidor final nos Estados Unidos. Mas que diabos isso significa para o mercado de smartphones?

Será esse o Google Phone?

Nexus One, o Google Phone

Até onde sei, o Google é parte da Open Handset Alliance, entidade responsável pelo desenvolvimento do sistema operacional Android. Até aí, tudo bem. Só que a OHA conta com inúmeros fabricantes de hardware (Samsung, HTC, Motorola, LG, Sony Ericsson, Huawei, entre outros, só para citar os que já têm/vão ter aparelhos no mercado brasileiro). E esse fabricante de hardware conta com a liberdade de inovar e modificar o sistema a seu gosto - vide a Motorola, que inseriu a interface/serviço Blur, ou a HTC, com seu incrível visual Sense.

Agora imagine se você é o fabricante, digamos, de um biscoito recheado que conta com um ingrediente secreto produzido por um fornecedor apenas. Esse fornecedor só faz o ingrediente em vários sabores e versões, mas de repente ele te avisa que vai passar a produzir seus próprios biscoitos. O Google entrando oficialmente no mercado de hardware de celulares (e não só o de software) pode vir a fazer o mesmo com seus parceiros na Open Handset Alliance, que fabricam biscoitos, quer dizer, smartphones. E, quem sabe, levar a alguma espécie de separação entre os participantes, que passam a se sentir ameaçados. E quem não lançou o seu Android ainda pode se sentir mais ameaçado ainda.

Vale lembrar que o Android tem determinadas especificações de hardware: Wi-Fi, 3G, GPS são apenas alguns exemplos (a versão chinesa do celular da Dell, o Mini 3iX, não conta: a Dell não é membro da OHA, mas a China Mobile, sim - e ali a questão de ter um smartphone "capado" é outra, política). Uma coisa é verdade: um Google Phone tem o incrível poder de se tornar o celular perfeito na visão de como o Google sempre quis que um telefone fosse (é um pensamento um tanto Apple, convenhamos).

Outro fator importante na existência de um Google Phone e que precisa ser esclarecido é como esse aparelho vai ser vendido no seu primeiro (e provável único, ao menos no começo) mercado: os Estados Unidos. Diferente da Europa (e até mesmo do Brasil), a questão do subsídio das operadoras é forte entre os americanos - compradores de iPhone por 199 dólares que o digam na AT&T. O preço é baixo porque o comprador está preso a um contrato de dois anos (pelo menos) à operadora. No Brasil, regras da Anatel impedem contratos superiores a um ano (e por isso, além dos impostos, lucro e ganância, pagamos tão caro por celulares aqui, mas isso é outra história).

Imagino as manchetes na linha do "Google lança Google Phone desbloqueado". Lindo, com tudo que o Android tem a oferecer, sem nenhuma trava da operadora. Preço? 600 ou 700 dólares. Dá-lhe a imprensa local malhando, já que não tem apoio "oficial" da operadora, que também não se interessa muito num aparelho 100% desbloqueado. Aguardo ainda detalhes - e posso até estar bastante errado -, mas que vai dar algum tipo de confusão, ah, sim, isso vai.

(foto via Engadget)

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Comentários

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Rodrigo
Quem comprar um GooglePhone vai fazê-lo por apelo de marketing, por possuir o celular mais geek do momento. Qual vai ser o seu hardware? Samsung? LG? NOKIA? O Google não fabrica hardware. Logo, vai ser um aparelho de grife, mais caro e talvez igual a outros similares no mercado. Apenas uma "troca de etiquetas" entre fabricantes...
Diário de Tecnologia
Realmente olhando por esse lado pode ser, sim que gere uma confusão. mas acho que será uma confusão bastante interessante, mas que vai sair caro para nossos bolsos.
Ivan
A HTC tomou uma decisão semelhante, só que no lado do hardware. Além de fabricar smartphones para terceiro, resolveu lançar a própria marca. E o mercado continuou numa boa, não implodiu nem nada. Acho que vai acontecer a mesma coisa com o gPhone. Ou seja: nada.