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Ministro promete recuperar recursos em ciência após corte de R$ 600 milhões

Marcos Pontes disse que pediu a ajuda do presidente Jair Bolsonaro, e admitiu que foi "pego de surpresa" pelo corte de R$ 600 milhões no MCTI

Pedro Knoth Por

O ministro Marcos Pontes, à frente do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), disse em audiência pública na Câmara dos Deputados desta quarta-feira (13) que vai buscar a ajuda do presidente Jair Bolsonaro para recuperar os recursos desviados pelo Ministério da Economia, e que eram originalmente destinados ao MCTI. Ele também revelou que foi “pego de surpresa” pela medida.

O ministro do MCTI, Marcos Pontes, enviou ofício e pediu ajuda a Bolsonaro para repor valor de R$ 600 milhões (Imagem: MCTI/ Flickr)

Em audiência a parlamentares da Câmara dos Deputados, Marcos Pontes disse que foi surpreendido pelo corte de mais de 90% da verba do MCTI. A medida aprovada no Senado para repassar o valor para outros ministérios veio de um pedido do Ministério da Economia, regido por Paulo Guedes.

O ministro do MCTI afirma que até Bolsonaro teria sido pego de surpresa pelo anuncio do repasse. Dos R$ 600 milhões que seriam destinados à pasta de Marcos Pontes, R$ 50 milhões foram para o Ministério da Educação, R$ 120 milhões para a Agricultura e R$ 50 milhões para a Saúde. Foram destinados ainda R$ 28 milhões para o Ministério da Cidadania — mas quem ficou com o maior montante foi o Ministério do Desenvolvimento Regional, com R$ 252 milhões.

Corte no MCTI foi “supresa” para Marcos Pontes

No domingo (10), o ministro veio a público mostrar sua insatisfação com o pedido de Guedes que foi atendido pelo Senado. Em um tweet, ele chamou a medida de “falta de consideração”, e foi criticado por bolsonaristas pela publicação.

No Twitter, Pontes escreveu:

Falta de consideração. Os cortes de recursos sobre o pequeno orçamento de Ciência do Brasil são equivocados e ilógicos. Ainda mais quando são feitos sem ouvir a Comunidade. Científica e Setor Produtivo. Isso precisa ser corrigido urgentemente.

Já na audiência da Câmara dos Deputados, o ministro disse:

“Como já falei, até publicamente, fui pego de surpresa [com o corte]. Falei ontem sobre isso com o presidente e ele também diz que foi pego de surpresa, digamos assim. Eu pedi ajuda para repor esses recursos, e ele prometeu que vai ajudar.”

Marcos Pontes também afirmou que pensou em deixar o governo Bolsonaro no dia em que o corte de recursos do MCTI foi anunciado. Contudo, hoje ele reforçou que deve continuar como ministro: Pontes disse que é “piloto de combate” e que foi treinado para “defender o país” e “cumprir sua missão”

Ministro enviou ofício pela reposição da verba

Ainda em busca do auxílio do presidente para reaver o montante, Marcos Pontes informou que teve conversas com a ministra Flávia Arruda, da Secretaria de Governo. Em resposta, o órgão responsável pela articulação do governo prometeu que o valor de R$ 600 milhões será reinstituído, disse Pontes.

“Não é muito. Se formos levar em conta os R$ 600 e poucos milhões, no contexto geral, não é um recurso alto, mas é um recurso essencial, e que trata de coisas estratégicas”, completou o ministro. O corte afetou diretamente o orçamento de bolsas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Bolsistas atuais, contudo, “não foram afetados”, segundo Marcos Pontes.

O ministro enviou um ofício ao Ministério da Economia, Casa Civil e Secretaria de Governo para a recomposição dos recursos realocados. Marcos Pontes afirmou que “o presidente costuma ajudar sempre em relação ao orçamento”.

Comentários da Comunidade

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Fernando O. (@Fernanx)

O que me choca (ou não) é que 90% dos recursos para a ciência nesse ministério é apenas o valor de 600 milhões, que NÃO É NADA para algo tão importante e estratégico para um país.

Guilherme Machado (@meioprato)

E vai recuperar como? Se o General lá bradou que “um manda e o outro obedece”, ele vai fazer o que? Vai fazer uma thread no Twitter?

André Gorgen (@Banana_Phone)

Parabéns aos envolvidos.
Uma amiga minha se formou em uma universidade federal e após formada foi fazer doutorado no Canadá, pois mesmo tendo recebido propostas de fazer o doutorado no Brasil, ela não se sentia segura aqui, já que a qualquer momento poderiam cortar a bolsa dela, isso que o valor da bolsa já era ridículo, apenas R$2.500,00 pra morar em São Paulo e dizem que o pagamento costuma atrasar.

Com isso, todo o investimento do governo na formação dela, vai gerar retorno para o Canadá.

² (@centauro)

É, e esse valor não é atualizado tem uns anos já, além de ser para o país todo, então não importa se você vai fazer o mestrado ou doutorado na cidade com o custo de vida mais alto ou mais baixo do país, você vai receber o mesmo tanto.
E você não pode trabalhar (pelo menos formalmente) pra complementar a renda porque essa bolsa exige exclusividade no estudo.

Thiago O. Lopes (@lopesth)

Cara, esse país acabou. Como diz o meme que deveria estar estampado na bandeira: " Já tava bom, mas tava meio ruim também, agora parece que piorou…".

Igor (@igor_meloil)

Vitor Hugo (@vitor)

com uma rápida pesquisa você encontraria isso aqui:

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na verdade a sua pesquisa foi bem minuciosa pra encontrar uma matéria que esconde o valor total do orçamento antes e depois desse corte de 2011.