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Google flagrado usurpando banco de dados alheio na África

Startup do Quênia faz investigação detalhada e revela conduta desprezível.

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Quando publicamos a história do levante jurídico do grupo BuscaPé contra o Google Brasil  nos tribunais houve uma repercussão bastante interessante sobre a origem da contenda da empresa e seus possíveis impactos.

Eu mesmo me enfileirei junto aos que entendiam que o BuscaPé poderia estar reclamando demais. Por outro lado, sempre argumentei que a estratégia do BuscaPé se baseia nos algorítimos de busca e indexação do Google, o que fatalmente em algum momento a tornaria refém de qualquer mudança não muito bem-vinda.

Bem, digamos que agora eu tenha um pouco mais de razões para entender o que exatamente pode provocar a tal indigestão no Buscapé. O Google está sendo acusado por uma empresa do Quênia, na África, de práticas anticompetitivas da pior espécie.

Em um post especialmente detalhado que foi publicado hoje em seu blog, a startup Mocality, que fornece um diretório de páginas amarelas, escancara os pormenores de uma auditoria que parece revelar práticas nem um pouco éticas para tomada no recorte de diferentes mercados. O alvo de suas denúncias: o gigante das buscas.

Para entender a denúncia, é preciso observar que, como não existem páginas amarelas ou outros grandes diretórios no Quênia, a startup Mocality se organizou como projeto para preencher esta lacuna. Com os últimos anos, ela conseguiu agregar um banco de dados de mais de 400 mil empresas em território queniano, baseando-se principalmente no crowdsourcing e no pagamento oferecido para que os cidadãos validem os dados presentes no diretório.


Mocality, startup Queniana

Segundo o post, a Mocality começou a perceber uma mudança drástica em alguns dos fluxos de SEO em seu projeto e, desconfiada, decidiu dar uma de Sherlock Holmes e empreender uma auditoria na imensa quantidade de chamadas em seu website e bases de dados online.

Em uma medida extremamente inteligente, e reconhecendo que o scrapping (varredura) das chamadas em seus bancos de dados não estava sendo feito por nenhuma programação, mas obviamente por uma equipe de pessoas, a Mocality decidiu direcionar 10% dos visitantes com alguns IPs específicos para um tipo "diferente" de conteúdo.

Em vez das páginas originais que ofereciam os dados para contato com comerciantes e empresas locais, a Mocality decidiu dar seu próprio número de telefone e esperar para ver o que acontecia. Agora, pergunte-me a quem pertenciam os tais IPs e quem fez inúmeras ligações aos telefones oferecidos? Sim, equipes de trabalho do Google em Nairóbi e até na Índia. Mas calma, fica pior ainda.

A descrição detalhada da investigação pode ser vista no  post publicado pela Mocality. O pessoal do Google telefonava para as empresas listadas no diretório da Mocality e oferecia que viessem participar do diretório do Google, o concorrente entrando naquele mercado. Nas chamadas a pessoa do outro lado se dizia funcionário do Google, afirmava que a Mocality está entre seus parceiros locais e que estariam oferecendo sites gratuitos e outros privilégios para as tais empresas assediadas.

A estratégia era composta por alegações falsas, incentivos e até dizer que a Mocality (que não cobra nada das empresas locais para aparecerem em seu site) planejava iniciar cobranças de seus afiliados.

O resultado deste encontro inusitado com o Google foi o seguinte: utilizando suas próprias ferramentas em benefício próprio, o Google acabou "pinçando" de graça essa base de dados que foi construída e paga por meio de crowdsourcing ao longo dos anos pela Mocality. Na cara de pau.

No post, Stefan Magdalinski (da Mocality) diz que "não esperava uma tentativa empreitada por humanos (não robots) de, por meses a fio, sistemática e fraudulentamente (alegando falsamente estar colaborando conosco) procurar minar o nosso negócio, perpetrando chamadas de seus call-centers em dois diferentes continentes".

Mas há uma explicação — julgue por você mesmo o que acha dela.

O Google se diz chocado ao tomar conhecimento do assunto, comprometeu-se a apurar o caso e acabou desculpando-se publicamente com a Mocality. Okay. Mas a base utilizada e tudo o que foi feito? Por ora, só as desculpas mesmo. Abaixo a resposta do Google por meio da declaração pública de Nelson Mattos, VP de Produto e Engenharia para Europa e Mercados Emergentes:

"Ficamos atormentados ao descobrirmos que um time de pessoas trabalhando em um projeto do Google fez uso impróprio de dados da Mocality e representou de maneira incorreta nossa relação com a Mocality encorajando seus clientes a criarem novos websites. Já nos desculpamos publicamente com a Mocality. Ainda estamos investigando como isso ocorreu e tão logo tenhamos todos os fatos, tomaremos medidas cabíveis com os envolvidos."

E então, como duvidar do argumento do BuscaPé agora, hein?

Tsk tsk tsk. Bad Google!

Com informações: Boing Boing e TechCrunch. Atualizado às 20h00.

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@vitorrubio
E a busca? Ou você ainda usa "Cadê" ?
Tiago Celestino
Eu vejo de forma diferente em relação ao caso do Buscapé. O Buscapé necessita ser indexado pelo o Google, logo o Google pode indexar e utilizar em seus outros serviços, inclusive o Google Shopping. Agora, no caso dessa empresa, a Google poderia compra-la, era o minimo. rs rs
Diones Reis
Me fez lembrar um episódio recente dos Simpsons, onde a Lisa já adulta, diz : "Google, apesar de você dominar metade da humanidade, você é mais ferrada das ferramenta de buscas."
Alan Lupatini
Sim, é sarcasmo.
San Picciarelli
Pelo que disse o Nelson Mattos (VP de Produto e Engenharia para Europa e Mercados Emergentes), quem fez... vai pagar. Gosto de acreditar que tudo correrá assim, afinal, a ética ainda vale alguma coisa mesmo nos dias de hoje. Esse é o meu anseio e acredito que o de todo mundo ( minimamente decente). Entretanto (e isso é MUITO apenas uma opinião minha, beem pessoal), há um demônio descrente na minha cabeça que me diz o seguinte. Pergunto-me: se a Google não tivesse sido pega e tivesse de fato descoberto o que os funcionários estavam a fazer, se pronunciariam dizendo "Olha, achamos alguém usurpando o banco de dados alheio dentro da nossa equipe e os estamos punindo" publicamente, do nada? Eu tenho minhas dúvidas. Ainda estamos a falar de uma das empresas que mais tem acesso a QUALQUER banco de dados mundo afora, certo? Ou seja, que tipo de fato ou argumento provaria que não é um trabalho interno mesmo, mandado? Afinal de contas, tenho extrema dificuldade em acreditar que uma ação dessas (que levou meses e envolveu dois escritórios, um em Nairobi e outro na Índia) pudesse ter sido empreendida por tanto tempo, na surdina de funcionários "desgarrados" e sem que ninguém visse. Faz sentido? O enlace com a história do BuscaPé, ao meu ver, também tem certos contornos de semelhança nesse sentido. Que tipo de resistência a Mocality ou qualquer outra empresa enfrenta quando tem de disputar com o Google seu próprio mercado, já dependendo dele para poder fazer seu nicho e operação prosperarem? Não deve ser nada fácil digerir o fato de que, em algum momento, você deve começar a competir com o prestador de serviços do seu backbone. Se o Google fosse para cima com produtos de foco mesmo, eu diria "Amigo, pare de chorar e caia dentro. Aceite a concorrência e seja melhor". Todavia, o Google tem essa "mania" de criar produtos dentro dos nichos de gente que ele próprio atende com a sua infra-estrutura e, assim, vira concorrente obeso. Basta ver a quantidade de projetos que o Google abre e fecha o tempo todo. Também estamos falando de uma empresa incrivelmente capaz e criativa, que não ocupa sua posição por acaso e cujos méritos provavelmente vão MUITO além das picuinhas e do mimimi. Mas, como dizia minha avó "poder é benção, também maldição". De novo, pessoalmente, acho que o argumento, as desculpas e a explicação no caso da Mocality são tão úteis quanto um perneta num campeonato de chutar traseiros... Há de se reparar o erro, além das desculpas. Ao meu ver.
Agnaldo
kkkkkkkk, entrei aqui para ver aquela fotinha do Larry Page e Sergey Brin no estilo "Dr. Evil" !
Fer
Incrível como a Google sempre faz essas coisas, e quando vaza, pede desculpas, bota a culpa nos funcionários e diz que não tinha conhecimento sobre isso!
Daniel Dias
eu também entendi facilmente e sou homem, analise fail =D
isaias
Que merda, roubo de dados. kk
Marcelo
@Rafael, uso pelo fato de que no momento o Chrome é a melhor opção, diferente do IE9 que me vive travando.
@WdeSA
HUAhsuaHSUahsau Cara, a maioria dos leitores do TB só sabe reclamar. Não tem um dia que não tem gente insatisfeita nos comentários. Se não é porque não entendeu a matéria, é porque o TB está favorecendo alguma empresa, ou porque fizeram piadas e não apresentaram o assunto como seria feito no jornal nacional, ou ainda porque usou tal termo em vez de outro... Eta povo chato, hein? :P
@thiagopnts
cade aquele papo de don't be evil??
alberto
Isto seria EVIL até mesmo para os padrões da Oi.
Ryo
Mudança na otimização nos mecanismos de busca do site.
Rafael
Por isso você usa...
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