Arquivo Ciência

Chegamos em Júpiter

Depois de cinco anos e bilhões de quilômetros percorridos, Juno entrou com sucesso na órbita de Júpiter

Paulo Higa
Por

As melhores ofertas,
sem rabo preso

jupiter

Deu tudo certo: depois de quase cinco anos viajando pelo espaço, a sonda Juno entrou na órbita de Júpiter à 0h54 (horário de Brasília) desta terça-feira (5). Foram 2,8 bilhões de quilômetros percorridos desde 5 de agosto de 2011, numa missão com previsão de término para 20 de fevereiro de 2018, que deve coletar dados inéditos sobre o planeta mais antigo do Sistema Solar.

Claro que a manobra para entrar na órbita de Júpiter tinha que ser com emoção, afinal estamos falando de um pequeno veículo movido a energia solar com 3,5 metros de altura e 3,5 metros de diâmetro que vai custar nada menos que 1,13 bilhão de dólares aos cofres do governo dos Estados Unidos e estava viajando tranquilamente por aí a cerca de 265.000 km/h.

Juno in Jupiter's Orbit

Success! Engine burn complete. After a five-year journey, our #Juno spacecraft is now orbiting #Jupiter, poised to unlock the planet's secrets.

More about our Juno mission: https://www.nasa.gov/juno/

Publicado por NASA – National Aeronautics and Space Administration em Segunda, 4 de julho de 2016

Um dos desafios para entrar em Júpiter é a forte radiação: é como se você tirasse 100 milhões de raios-x do seu dente durante pouco mais de 1 ano. Por isso, a sonda é blindada com um cofre de titânio que pesa 172 kg e deve reduzir a exposição à radiação dos componentes eletrônicos em 800 vezes. A NASA vai receber os dados de telemetria ainda nesta terça-feira (5) para confirmar se está tudo bem com o Juno.

Juno é o segundo veículo espacial a entrar na órbita de Júpiter. O primeiro foi o Galileo, lançado em 18 de outubro de 1989; ele funcionou até 28 de fevereiro de 2003, trazendo dados das luas do planeta gasoso depois de orbitá-lo 34 vezes (e ter suas câmeras destruídas pela radiação). A diferença é que Juno tem instrumentos específicos para analisar o que acontece debaixo das nuvens de Júpiter.

O principal objetivo da missão é entender a origem e evolução de Júpiter. A NASA quer descobrir a composição, temperatura, movimentos de nuvens e outras propriedades da atmosfera do planeta, inclusive determinando quanta água existe lá, o que vai nos ajudar a entender como Júpiter foi formado. Além disso, o Juno deve trazer dados que permitirão mapear os campos magnéticos e de gravidade do planeta.

Ainda não sabemos muita coisa sobre Júpiter, como a característica do núcleo do planeta: o Juno vai investigar se existe um núcleo sólido ou se os gases estão comprimidos num estado mais denso, por exemplo. Ele também deve ajudar a desvendar a Grande Mancha Vermelha, a maior tempestade do Sistema Solar, que já dura centenas de anos.

As primeiras imagens de alta resolução das câmeras do Juno devem ser recebidas na Terra no final de agosto. Enquanto isso, você pode dar uma olhada nas fotos que a sonda produziu nesses cinco anos viajando pelo espaço. Na página da NASA, é possível encontrar todos os detalhes da missão.

Paulo Higa

Editor-executivo

Paulo Higa é jornalista, com MBA em Gestão pela FGV e uma década de experiência na cobertura de tecnologia. Trabalha no Tecnoblog desde 2012, viajou para mais de 10 países para acompanhar eventos da indústria e já publicou 400 reviews de celulares, TVs e computadores. É coapresentador do Tecnocast e usa a desculpa de ser maratonista para testar wearables que ainda nem chegaram ao Brasil.

Mais Populares

Responde

Relacionados

Em destaque