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Das pistas às ruas: tecnologias automotivas que surgiram na Fórmula 1

A categoria de automobilismo mais renomada do mundo foi responsável pela invenção (ou popularização) de várias tecnologias e itens usados em carros de passeio

Wagner Pedro
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Das pistas às ruas: tecnologias automotivas que surgiram na Fórmula 1 (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Das pistas às ruas: tecnologias automotivas que surgiram na Fórmula 1 (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O setor automotivo já presenciou evoluções tecnologias importantes, tanto para a segurança dos ocupantes de um veículo quanto para a eficiência do motor ao longo de uma viagem. No entanto, talvez você não saiba que muitas delas nasceram na Fórmula 1, a maior categoria de automobilismo do mundo. 

Diversas tendências encontradas nos carros de passeio que, muitas vezes, nem damos tanta importância, tiveram origem nas pistas de corrida, desde um sistema de troca de marcha mais preciso ao retrovisor, um item comum, mas extramente importante no dia a dia.

Abaixo, vou te mostrar algumas tecnologias automotivas provenientes da F1 ou que, de alguma forma, evoluíram graças a categoria. 

Suspensão ativa para melhor conforto e segurança

Embora não seja uma característica comum em todos os carros, a suspensão ativa (ou inteligente, como era chamada antigamente), garante uma melhor dirigibilidade e conforto para os ocupantes de um veículo. 

Inicialmente, essa tecnologia servia apenas para ajustar a rigidez das molas, mas na Fórmula 1 ele foi bastante aprimorada. Em 1993, o modelo FW15 da Williams apresentou um sistema próprio que alterava o acerto do carro a cada curva, permitindo que o piloto tivesse um melhor desempenho na pista, já que os pneus estavam em constante contato com o solo.

Williams FW15 (Imagem: Reprodução/ Wikimedia Commons)
Williams FW15 (Imagem: Reprodução/ Wikimedia Commons)

A construção desse sistema não agradou outras equipes, que apresentaram diversas reclamações a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) alegando uma maior vantagem. Por isso, no ano seguinte, a associação baniu qualquer tipo de ajuda eletrônica.

De qualquer forma, a ideia já havia sido apresentada e, com o passar do tempo, foi levada para carros “comuns”, entregando sensores e radares mais precisos que regulam a altura do chassi em cada roda conforme o necessário, garantindo maior conforto e até mesmo elevando o nível de segurança. Afinal, essa tecnologia também pode ser aplicada para oferecer uma maior firmeza no volante em freadas bruscas. 

Pneus mais eficientes em condições de chuva

Os pneus do seu carro também sofreram uma influência da Fórmula 1. Embora a categoria se preocupe em aprimorar o desempenho dos carros na pista, também é importante não comprometer a durabilidade dos compostos. Afinal, cada jogo de pneus utilizado em uma corrida pode custar cerca de R$ 15 mil. 

Sabendo a importância deles no ritmo de velocidade dos carros, os engenheiros da F1 não param de realizar estudos e testes para melhorá-los. Por isso, uma das tecnologias implementadas na categoria consiste em inserir ranhuras nos pneus para ajudar a drenar a água em pistas molhadas, mantendo a aderência e evitando aquaplanagem. 

Pneus de chuva na Fórmula 1 (Imagem: Andrew Locking/Wikimedia Commons)
Pneus de chuva extrema na Fórmula 1 (Imagem: Andrew Locking/Wikimedia Commons)

Essa tecnologia foi levada para os carros de passeio e, hoje, todos trazem pneus com sulcos que, em condições de chuva, impedem (ou pelo menos ajudam) a evitar derrapagens e perda do controle do veículo, especialmente nas curvas.

Assim como na F1, as ranhuras também ajudam a manter a aderência. Por isso, é de extrema importância manter os pneus em boas condições para evitar acidentes. 

Câmbio borboleta e trocas rápidas de marcha

Na Fórmula 1, cada milésimo é importante e um erro humano pode dificultar a corrida ou comprometer a classificação no grid de largada. Antigamente, muitos pilotos erravam na troca de marcha ou até mesmo no momento de pisar na embreagem, atrapalhando seu desempenho de forma considerável.

Pensando em situações como essa que, nos anos 80, surgiu o primeiro carro de corrida com marcha semiautomática, a Ferrari F1 640. O modelo eliminou o pedal da embreagem e inseriu um câmbio borboleta, dando mais confiabilidade ao piloto na hora de guiar o veículo em altas velocidades.

Câmbio borboleta, posicionado atrás do volante, ajuda na troca de marcha (Imagem: Clackr/Wikimedia Commons)
Câmbio borboleta, posicionado atrás do volante, ajuda na troca de marcha (Imagem: Clackr/Wikimedia Commons)

A categoria também foi responsável pela propagação das transmissões de dupla embreagem, criadas para permitir uma troca de marcha mais rápida e suave, uma tecnologia que pode ser encontrada em diversos carros de passeio. 

Como o próprio nome sugere, o sistema funciona com duas embreagens que trabalham de forma independente, sendo uma responsável pelas marchas ímpares e outra pelas pares. Isso garante trocas em milissegundos, além de eliminar os famosos “trancos”. 

Motores turbo para maior potência

Os motores turbo não foram criados diretamente na Fórmula 1, mas o primeiro carro com essa tecnologia apareceu nas 500 Milhas de Indianápolis em 1952 que, na época, fazia parte do calendário da categoria. 

De propriedade da Cummins, uma empresa americana, o modelo “Cummins Diesel Special” não conseguiu vencer a corrida, mas percorreu todas as 500 milhas sem parar no pit stop. Ele é considerado o primeiro (e único) carro à diesel que passou pela F1. 

Após essa passagem, a invenção foi aprimorada e chegou aos carros de passeio em 1962 pelas mãos da Chevrolet, que deu à versão “Spyder” do Corvair Monza um motor de 2,4 litros alimentado por um turbocompressor.

Desde então, esse tipo de motor pode ser encontrado em diversos veículos espalhados pelo mundo, proporcionando mais potência devido a maior eficiência na queima de combustível. 

Retrovisor, seu amigo na baliza

Esse não é o item mais tecnológico do mundo, mas com certeza é o mais usado. Sim, o retrovisor, que confere mais segurança aos motoristas, surgiu na Fórmula 1, ou melhor, na Fórmula Indy, que ainda fazia parte do calendário da categoria. 

Em 1911, na primeira edição das 500 Milhas de Indianápolis, o piloto americano Ray Harroun instalou um pequeno espelho em seu carro para identificar os adversários e aplicar melhores técnicas de bloqueio para evitar ultrapassagens. No entanto, foi Elmer Berger quem obteve a primeira patente em 1921, ficando com o título de inventor do espelho retrovisor. 

Primeiro retrovisor automotivo do mundo (Imagem: NaBUru38/Wikimedia Commons)
Primeiro retrovisor automotivo do mundo (Imagem: NaBUru38/Wikimedia Commons)

Nos anos 40, o item começou a ser levado para os carros de passeio para facilitar a condução e evitar acidentes. Considerado um dispositivo de luxo, ele só era instalado no lado do motorista, sendo opcional para o lado do passageiro. 

De lá para cá, essa pequena invenção se tornou padrão em qualquer veículo do mundo, ajudando a identificar outros carros no trânsito ou servindo para auxiliar na famosa baliza ao estacionar em um lugar mais estreito. 

E não para por aí

A Fórmula 1 ainda tem muitas tecnologias em desenvolvimento, e algumas já foram implementadas em carros de luxo. Por exemplo, freios de carbono-cerâmica, que garantem uma melhor frenagem, carrocerias de fibra de carbono para diminuição de peso e motores com materiais resistentes a altas temperaturas, como titânio.

Claro, a maioria dessas inovações é restrita a esportivos de luxo, mas existe uma que pode chegar aos carros “comuns”, apesar de não ser especificamente da F1. Na verdade, trata-se da Fórmula E, categoria de carros elétricos que nasceu em 2014. Por lá, os engenheiros trabalham em soluções para melhorar o desempenho das baterias.

Carro da Fórmula E (Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)
Carro da Fórmula E (Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)

Uma das maiores conquistas da categoria é o aprimoramento do sistema de armazenamento de energia. Antes, os pilotos precisavam usar dois carros por corrida devido à baixa autonomia da bateria. Agora, cada etapa pode ser completada com o mesmo monoposto.

Ou seja, essa grande evolução, que ocorreu em pouco tempo, pode ser implementada em veículos elétricos em um futuro próximo. A ideia é que, ao submeter uma determinada tecnologia nas pistas, ela retorne ainda mais evoluída para utilização nos modelos que chegam aos consumidores.

Dessa forma, fica bem claro que a Fórmula 1 (e outras categorias) têm um papel importante no setor automotivo, sendo um grande laboratório de desenvolvimento de novas tecnologias, não só para os modelos de corrida, mas também para os carros do dia a dia, aprimorando a segurança, eficiência e conforto.

Wagner Pedro

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Wagner Pedro é um paraibano “arretado” apaixonado por smartphones e cobre tecnologia desde 2017. Autodidata desde a época dos PCs de tubo, internet discada e Windows XP, buscou conhecimento em pequenos cursos de Informática e uniu essa paixão ao jornalismo. Ainda sente falta do extinto Windows Phone.

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