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Pix já é afetado por greve dos servidores do Banco Central

Banco Central adia início de remuneração a bancos por contas no Pix; monitoramento do sistema e atendimento a usuários deve ser precário durante greve

Giovanni Santa Rosa

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Os servidores do Banco Central entraram em greve nesta sexta-feira (1º), após um período de paralisações diárias parciais. O movimento pode afetar os trabalhos da autoridade monetária e prejudicar o funcionamento de sistemas por trás do Pix, da Selic e da pesquisa Focus.

Logotipo do Pix
Pix (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Fábio Faiad, presidente do Sinal, diz à Folha de S.Paulo que, mesmo que o Pix tenha um esquema de contingência, o monitoramento será precário, e o atendimento aos usuários ficará prejudicado.

O BC diz ter planos para manter o funcionamento dos sistemas críticos, como Sistema de Transferência de Reserva, Pix e Selic, entre outros.

O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) diz que a greve poderá interromper parcialmente o sistema de pagamentos instantâneos e a distribuição de cédulas e moedas.

O monitoramento e a manutenção do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e do Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab) também correm risco de ser afetados.

Os trabalhadores vinham fazendo paralisações parciais diárias das 14h às 18h e passaram a atuar em operação-padrão. Houve interrupções no monitoramento preventivo do Pix e do SPB e atrasos na divulgação de indicadores econômicos.

BC adia pagamento a bancos por contas do Pix

Uma das medidas imediatas foi a suspensão da remuneração aos bancos pelo dinheiro deixado nas contas de pagamento instantâneo (PI), que fazem parte do sistema do Pix.

Funciona assim: os bancos e empresas financeiras têm contas no Banco Central, as chamadas contas PI. Elas são uma espécie de reserva. Quando alguém faz um Pix, o lançamento é feito nessas contas e liquidado em tempo real.

Como esse dinheiro dos bancos fica parado lá por um ou dois dias, as empresas demandaram uma remuneração pelos recursos deixados. Em 3 de março de 2022, o Banco Central aprovou uma resolução para regular o tema, com a previsão de pagamentos calculados a partir da taxa Selic.

Isso deveria ter começado na quinta-feira (31), mas a greve dos servidores fez a diretoria colegiada do Banco Central revogar a mudança.

“Os servidores do BCB encontram-se em paralisações parciais diárias e entrarão em greve a partir de 1º de abril, o que prejudica o desempenho de vários processos da autarquia”, disse Bruno Serra, diretor de Política Monetária do BC.

Segundo a Folha, Serra vai propor que o pagamento volte à resolução depois que a greve estiver resolvida.

Sindicato quer recomposição salarial

O Sinal prevê adesão de 60% a 70% da categoria à greve e garante que a lei de serviços essenciais será respeitada pelos servidores.

Os trabalhadores pedem recomposição salarial de 26,3% e reestruturação da carreira de analistas e técnicos.

Os servidores estão sem reajuste há três anos. A remuneração dos técnicos varia de R$ 7,5 mil a R$ 12,5 mil, enquanto os analistas ganham entre R$ 19 mil e R$ 27 mil.

Cerca de 700 servidores com cargo comissionado dos mil do órgão entregaram suas posições até o dia 31.

A categoria não é a única a se movimentar por melhores salários.

Trabalhadores do Tesouro Nacional intensificaram a operação-padrão e também vão paralisar suas atividades nesta sexta. Servidores da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) preparam ações parecidas.

Segundo a Folha, há um descontentamento crescente entre funcionários públicos desde que o presidente Jair Bolsonaro acenou para um aumento aos policiais federais.

Com informações: Folha de S.Paulo, InfoMoney.