Vereador é preso por fraude bancária de R$ 300 milhões que usava malware

Vereador do Maranhão é suspeito de participar de esquema que usava malware em dispositivos de vítimas para transferir dinheiro direto da conta bancária

Pedro Knoth
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Um vereador de Davinópolis, no Maranhão, foi preso pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) por suspeita de envolvimento em um esquema de fraude bancária que teria levado a um prejuízo de R$ 300 milhões. Segundo as autoridades, a quadrilha criminosa, que atuava há mais de 10 anos, enviava mensagens de celular para vítimas com links contendo um malware que transferia o dinheiro para contas de laranjas.

Malware
Código no notebook (imagem ilustrativa: Christiaan Colen/Flickr)

Ao autorizar a prisão do vereador na quinta-feira (7), a Justiça atendeu a um pedido do Núcleo Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Ncyber) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

O político foi detido por agentes da Delegacia Especial de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC) da PCDF. Eles tiveram apoio de policiais civis do Maranhão, onde o suspeito está preso e aguarda transferência para o Distrito Federal, como informou a Procuradoria Geral de Justiça ao Tecnoblog.

O grupo criminoso do qual o vereador é suspeito de fazer parte atua principalmente na região Centro Oeste e no estado do Pará. De acordo com o MPDFT, os criminosos faziam transferências diretamente das contas bancárias usando uma combinação de malware e engenharia social. Após enviarem a mensagem com o vírus, os integrantes da quadrilha ligavam se passando por funcionários do banco onde a pessoa tinha conta.

Caso o aparelho do usuário tivesse sido infectado pelo malware, o passo final do golpe era fazer a vítima repassar as credenciais usadas para autorizar a operação bancária. Quando o dinheiro era transferido, a quadrilha o destinava para para diversos laranjas que cediam suas contas aos criminosos, a fim de pulverizar os rastros.

A quadrilha funcionava em forma de pirâmide: os laranjas eram os beneficiários imediatos da fraude; no patamar acima estavam os recrutadores; e, por fim, no topo da cadeia, estão os gerentes de operações, responsáveis por levarem os correntistas para caixas eletrônicos e lá determinarem quais operações eram feitas.

“Por vezes, essas pessoas possuíam máquinas de cartões de crédito fantasmas para realizar compras simuladas nos cartões desses beneficiários”, diz o MPDFT em nota.

O vereador maranhense preso pela polícia é acusado de indicar pessoas dispostas a fornecerem suas contas e participarem do esquema. Segundo o MPDFT, ele tem ligação com um casal preso em Goiânia (GO) em 31 de março. A dupla, por sua vez, tem antecedentes criminais por duplo homicídio, estelionato, organização criminosa, furto mediante fraude, lavagem de dinheiro e posse de drogas.

Operação Testa de Ferro

As investigações da Polícia Civil do DF (PCDF) sobre a quadrilha começaram em 2019, quando agentes efetuaram a prisão de criminosos que realizavam saques, transferências e conversões de moeda nacional em dólar. Tudo isso em uma única agência bancária. A partir das detenções, a polícia detectou que se tratava de uma pirâmide.

Em maio de 2020, foi deflagrada a Operação Testa de Ferro. Na época, a DRCC estimava que as fraudes chegavam a R$ 800 mil. Policiais prenderam dois suspeitos e cumpriram mandatos de busca e apreensão em Riacho Fundo e em Samambaia, ambos no Distrito Federal.

Um ano depois, a PCDF deflagrou a 2ª fase da Operação Testa de Ferro, dessa vez cumprindo 35 mandados judiciais: 17 de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão. Uma segunda estimativa feita pelas autoridades era de que o esquema já havia resultado no prejuízo de R$ 3 milhões.

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