Alguns anúncios em sites de pirataria levam a ransomware que sequestra seu PC

Novo relatório mostra que 12% dos anúncios exibidos em sites de conteúdos piratas têm conteúdos maliciosos; outras pesquisas, no entanto, alegam cenários diferentes

Yan Avelino
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De acordo com um novo estudo, cerca de 12% dos anúncios mostrados em sites de conteúdos piratas têm algum ransomware, isto é, softwares maliciosos usados comumente para extorsão. O levantamento foi publicado na quinta-feira (15) pela Digital Citizens Alliance (DCA), ONG americana focada em segurança cibernética, e — pasmem — até os pesquisadores da entidade foram alvos de criminosos.

Grupo do ransomware LockBit promete extorsão tripla (imagem ilustrativa: Kevin Horvat/Unsplash)
Ransomwares estão “na praça” apenas esperando suas próximas vítimas. (Imagem: Kevin Horvat/Unsplash)

Segundo a pesquisa, cibercriminosos conseguem lucrar às custas dos usuários com apenas alguns cliques. Para Tom Galvin, diretor executivo da organização, o ataque é “inteligente, mas perigoso” e tem até um nome: trick-to-click (em português, “truque para clicar”).

Essa tática, de acordo com a pesquisa, consiste em atrair o usuário oferecendo um produto ou serviço para que ele clique no anúncio. Ao baixar e executar os programas maliciosos, silenciosamente, todas as informações estão sendo entregues.

Até os investigadores da Digital Citizen Alliance foram alvejados por um ataque de ransomware enquanto apuravam o problema em um dos sites. Por sorte, os pesquisadores usavam máquinas virtuais e não precisaram pagar a quantia solicitada pelos criminosos.

O relatório apontou também que 8 dos 10 sites ilegais investigados tinham anúncios com malwares. Para o diretor executivo da ONG, vivemos “à beira de uma epidemia de malware”. Ele espera que as descobertas façam os usuários pensarem duas vezes antes de entrarem em um site pirata.

Ainda segundo Gavin, a Digital Citizen Alliance tem se aliado ao governo e a publicitários para tentar resolver o problema e disse que está criando programas para educar os usuários sobre os perigos.

Outros estudos mostram situação diferente

O Instituto de Propriedade Intelectual da União Européia (EUIPO) realizou um estudo parecido com o da DCA em 2018. Dentre os mais de 1.000 sites piratas investigados, o levantamento apontou que menos de 10% tinham conteúdos maliciosos.

Estudiosos da UE não enxergam uma “epidemia de malware”, como o diretor executivo da Digital Citizen Alliance vê. “Sites e serviços de streaming suspeitos de violarem direitos autorais não são considerados fontes dominantes de malware ou distribuição de software indesejada”, concluíram.

Ataque de ransomware (imagem: Darwin Laganzon/Pixabay)
Ataque de ransomware pode roubar seus dados mais sensíveis. (Imagem: Darwin Laganzon/Pixabay)

Por outro lado, em 2014, uma pesquisa feita por um grupo inglês vinculado ao setor de entretenimento apontou que 90% dos sites piratas mais usados ​​continham malwares, como mostrou o TorrentFreak.

Um outro relatório, publicado no mês passado pela Webroot, empresa americana de segurança cibernética, também indicou que 90% dos principais sites de streaming ilegais continham conteúdos maliciosos.

É difícil comparar os dados de todos os estudos, pois eles foram realizados por metodologias diferentes. Ainda assim, vale ter bastante cuidado ao acessar sites ilegais, afinal ransomwares estão “na praça” apenas esperando suas próximas vítimas.

Com informações: Digital Citizen Alliance e TorrentFreak