MarioGPT cria fases do Super Mario com base no GPT-2

Tecnologia permite a criação de níveis a partir de dados simples como quantidade de inimigos e blocos; é possível jogar a fase inteira

Ricardo Syozi
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super mario maker
Super Mario Maker (Imagem: Divulgação / Nintendo)

A inteligência artificial está sendo usada para inúmeras atividades, mas finalmente temos uma que foca em criar fases do jogo Super Mario. Com o nome de MarioGPT, ela surgiu em fevereiro de 2023 seguindo o modelo GPT-2 da empresa OpenAI. Assim, é possível fazer seus próprios níveis baseados na primeira aventura em side-scrolling do encanador e sua sequência, a Lost Levels. Entretanto, o resultado nem sempre é estelar.

O projeto veio das mentes de estudantes da Universidade de Copenhague na Dinamarca. Eles disponibilizaram uma página no GitHub que demonstra a brincadeira, permitindo que os usuários criem suas fases de Super Mario a partir de alguns detalhes e comandos de texto.

Por exemplo: você pode definir se o nível terá muitos ou poucos canos, inimigos e blocos. Em seguida, a inteligência artificial faz todo o trabalho, colocando tudo no lugar para o jogador.

A principal tecnologia usada para o MarioGPT é a GPT-2, um modelo de linguagem que consegue reconhecer padrões e gerar replicações. Shyam Sudhakaran, o autor do projeto, comentou sobre a escolha em uma entrevista para o TechCrunch:

Honestamente, escolhemos o menor modelo para ver se funcionava! Acho que com pequenos conjuntos de dados em geral, o GPT-2 é mais adequado do que o GPT-3, além de ser muito mais leve e fácil de treinar. No entanto, no futuro, com conjuntos de dados maiores e prompts mais complicados, talvez precisemos usar um modelo mais sofisticado.

Para fazer tudo funcionar, a IA foi treinada em uma série de fases de Super Mario Bros. e Super Mario Bros.: The Lost Levels. Como resultado, o visual do game tem aquela charmosa cara de 8 bits.

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Alguns exemplos do MarioGPT (Imagem: Divulgação / shyamsn97)

Funciona, mas não tão bem assim

No geral, a IA recebe o prompt de comando, faz uma previsão de como seria o nível e, por fim, gera a fase. Até aí, tudo muito bacaninha. Contudo, ainda há muito trabalho a ser feito pela equipe do projeto. Para quem é fã do bigodudo da Big N, a novidade chama logo a atenção, mas sua simplicidade pode diminuir o interesse da pessoa rapidamente.

Primeiramente, o MarioGPT ainda não consegue distinguir os inimigos, ou seja, você adiciona a quantidade de monstrinhos, mas não pode definir se serão Goombas, Hammer Bros. ou Koopa Troopas, por exemplo.

Outro ponto que vale uma atenção por parte dos desenvolvedores é a velocidade na qual o jogo roda, muito rápida para quem é acostumado com os títulos originais.

Por último, nem sempre o resultado da criação é dos melhores. Na primeira tentativa que fiz, o protagonista foi posicionado em um local bastante complicado, tornando o pulo praticamente impossível. Isso quer dizer que a inteligência artificial ainda não consegue planejar uma curva de aprendizado básica para games de plataforma.

Por outro lado, vale destacar que se trata de um projeto em andamento e não dá para comparar com aqueles jogos feitos para criar jogos.

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Meu primeiro teste no MarioGPT (Imagem: Ricardo Syozi / Tecnoblog)

Aproveite o MarioGPT enquanto ele durar

Mesmo com uma óbvia cara de projeto para testes, a brincadeira de criar fases por IA com o encanador não deve durar muito tempo. Isso porque a Nintendo é famosa por derrubar sites e afins que utilizam seus personagens.

No começo de 2021, a empresa japonesa tirou do ar cerca de 379 games feitos por fãs baseados em suas icônicas franquias. Todos não tinham fins lucrativos.

Outro caso ocorreu em 2016, no qual a Big N ativou seus advogados para removerem um remake de Metroid 2 idealizado por um entusiasta. Esse caso se tornou famoso, pois o chamado AM2R chamou bastante atenção dos fãs da série. Porém, ele logo desapareceu e, eventualmente, a Nintendo lançou Samus Returns para o 3DS em 2017.

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Ricardo Syozi

Ricardo Syozi

Repórter

Ricardo Syozi é jornalista apaixonado por tecnologia e especializado em games atuais e retrôs. Já escreveu para veículos como Nintendo World, WarpZone, MSN Jogos, Editora Europa e VGDB. Possui ampla experiência na cobertura de eventos, entrevistas, análises e produção de conteúdos no geral. Entrou para o Tecnoblog em 2021.

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