Apple permite usar apps pirateados para iOS em programa Enterprise

Spotify sem propagandas, Minecraft pirateado e outros aplicativos eram distribuídos por meio de programa para desenvolvedores

Paulo Higa
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• Atualizado há 2 anos e 5 meses
iPhone 8 Plus e iPhone XS

A polêmica no Apple Developer Enterprise Program não acabou: além de distribuir aplicativos com conteúdo adulto e jogos de azar, foi descoberto que o programa também servia para instalar softwares pirateados em dispositivos com iOS. A agência de notícias Reuters denunciou nesta quinta-feira (14) que certificados empresariais liberavam versões modificadas do Spotify, Pokémon Go, Minecraft e outros aplicativos.

Desenvolvedores com nomes como TutuApp, Panda Helper, AppValley e TweakBox utilizavam os certificados para distribuir, por exemplo, um aplicativo do Spotify que não reproduzia propagandas entre as músicas, mesmo sem uma conta paga — uma prática que o serviço de streaming tenta combater. Havia ainda um Angry Birds sem anúncios e um Minecraft de graça, sendo que o jogo é vendido por R$ 24,90 na App Store.

Os softwares falsos não passam pela aprovação rígida da App Store. Em vez disso, os supostos desenvolvedores precisam apenas pagar uma taxa de US$ 299 e preencher um formulário para participar do Apple Developer Enterprise Program, informando que estão desenvolvendo um aplicativo para uso interno. Então, dentro de algumas semanas, a Apple confirma os dados fornecidos e libera o certificado para o programa.

De posse de um certificado empresarial, é possível instalar qualquer aplicativo “interno” nos iPhones e iPads, o que abre espaço para abusos. O Facebook, por exemplo, pagou valores mensais a adolescentes e adultos para ter acesso a dados de seus smartphones por meio de um aplicativo — que viola as regras da Apple. A rede social chegou a ter o certificado revogado por algumas horas.

A Apple diz que já baniu os aplicativos denunciados pela Reuters e que cancelou os certificados dos desenvolvedores por mau uso. Mas a empresa parece ter perdido o controle do programa: o veículo relatou que vários desses softwares voltaram com outros certificados já na semana seguinte.

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Paulo Higa

Paulo Higa

Ex-editor executivo

Paulo Higa é jornalista com MBA em Gestão pela FGV e uma década de experiência na cobertura de tecnologia. No Tecnoblog, atuou como editor-executivo e head de operações entre 2012 e 2023. Viajou para mais de 10 países para acompanhar eventos da indústria e já publicou 400 reviews de celulares, TVs e computadores. Foi coapresentador do Tecnocast e usa a desculpa de ser maratonista para testar wearables que ainda nem chegaram ao Brasil.

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