DRM é publicado como padrão do HTML5, mesmo longe de ser unanimidade

Paulo Higa
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• Atualizado há 1 mês
DRM (Imagem por EFF)

Tecnologias de proteção de direitos autorais são uma das maiores polêmicas do HTML5. Elas são importantes para que possamos ouvir músicas no Spotify ou assistir aos vídeos da Netflix no navegador sem a necessidade de plugins de terceiros, como Flash ou Silverlight, por exemplo. Os principais browsers já adotaram o DRM ao longo dos últimos anos, e ele acaba de ser publicado como um padrão.

Mais especificamente, a W3C (World Wide Web Consortium), organização que define os padrões da web, publicou como recomendação as especificações das Encrypted Media Extensions (EME), ou Extensões de Mídia Criptografada, em tradução oficial, que permitem implantar tecnologias de proteção de conteúdo diretamente no navegador.

A votação não foi unânime, nem de longe. Naturalmente, empresas como Netflix, Google e Apple apoiaram o padrão, enquanto organizações como a Free Software Foundation rejeitaram a ideia. Em 2014, a Mozilla decidiu implantar DRM para vídeos no Firefox mesmo sendo contra — se não aderisse, os usuários passariam a ter dificuldades para acessar conteúdo protegido, o que faria o Firefox perder adeptos.

As EMEs, sozinhas, não são uma tecnologia de DRM. Elas precisam dos chamados Content Decryption Modules (CDM), que gerenciam os direitos autorais e a criptografia. A W3C explica: “Apesar das EMEs deixarem os usuários terem mais controle sobre como interagem com conteúdo protegido, as EMEs não criam nem tornam mandatório o Gerenciamento de Direitos Digitais (DRM)”.

É aí que mora a polêmica: os CDMs são tecnologias proprietárias, o que dificulta a adoção por softwares de código aberto (como o Firefox). De qualquer forma, no final das contas, as EMEs foram aprovadas por 58,4% dos membros da W3C, contra 30,8% de votos contra e 10,8% de abstenções, como informa o Ars Technica.

Segundo a W3C, as EMEs “melhoram a acessibilidade do vídeo online criptografado, em contraste com os mecanismos existentes, operando a um nível em que não interferem com a transmissão ou o controle das informações de acessibilidade”, e os “navegadores têm a opção de não implementá-las; nesse caso, o browser terá total capacidade de suportar conteúdo não criptografado”.

Na prática, muda para quem é usuário do Chrome, Internet Explorer, Edge, Safari ou Firefox: esses navegadores já implantaram EME nos últimos anos, e é por isso que você já consegue acessar vários serviços de mídia sem precisar de plugins de terceiros.

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Paulo Higa

Paulo Higa

Ex-editor executivo

Paulo Higa é jornalista com MBA em Gestão pela FGV e uma década de experiência na cobertura de tecnologia. No Tecnoblog, atuou como editor-executivo e head de operações entre 2012 e 2023. Viajou para mais de 10 países para acompanhar eventos da indústria e já publicou 400 reviews de celulares, TVs e computadores. Foi coapresentador do Tecnocast e usa a desculpa de ser maratonista para testar wearables que ainda nem chegaram ao Brasil.

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